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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Tanta gracinha que ele tem...



Tu aí cheia de curvas.
E eu aqui sem travões!

Piropo Trolha

Eu a chegar ao hospital, a ir direitinha à velocidade de uma seta à sala dos cacifos pousar a tralha e preparar-me para fardar, e Sr Dr. Médico refastelado no cadeirão da sala de pausa a atirar piadolas à trolha em voz alta para o corredor:

- Sr Dr Médico Parvalhão - Que saia tão gira, fica-lhe tão bem e daqui até dá para lhe ver as cuecas.
...... 
eu a seguir caminho na minha vidinha sem lhe passar cartão. Surda como gosto.

- Sr Dr. Médico a insistir e mais alto ainda: Estou a dizer que vi-lhe as cuecas!
......

eu já em modo. És mesmo parvalhão de merda ou andas só a treinar?
Eu a voltar atrás: meter a cabeça pela entrada da sala de pausa e a dizer alto e bom som.

- Isso é impossível. Não trago cuecas.

Tudo a rir claro está. Sr Dr Médico a engolir em seco.
AC 1- Sr. Dr. Médico 0 - por enquanto claro está. Prognósticos só no fim do jogo e este jogo ainda agora vai na primeira parte.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Desabafo de gaja...







Parece que já é Outono. 

Apetece collants coloridos, botas, vestidos. Apetece em cada inicio de estação renovar o guarda roupa e fazer um refresh nos roupeiros eliminando o que já não se gosta e que não faz sentido ficar. Por isso aqui a rapariga foi tomar uma banho de lojas, de moda, dar sentido ao feminino em género e ver se alguma coisa lhe mexia com os sentidos e aliviava a carteira. Veio de lá destroçada. Mergulhada numa profunda e amarga desilusão. Não viu nadinha que a motivasse para uma compra perdulária. Zerinho. Mãos a abanar de sacos.

Era tudo largo, gigante, comprido, excesso de padrões, de folhos, de tecido. Olhava para aquilo e parecia-se vestida com as batas da avó Emília, ou os vestidos da tia Sãozinha. Parece que o look para este Outono/Inverno é o visual Morticia Adams.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Lugares comuns, estereótipos, preconceitos e merdas assim...




Regressei de férias já tarde, pela fresquinha e depois de aproveitar o dia até ao outro dia, tudinho até ao ultimo segundo, ultima nesga de sol, a última onda, o restinho de cada segundo de férias que estavam a terminar. Cheguei a Lisboa já passava das 3 da manhã. Moro numa praceta cheia de pópozinhos que só saem ao fim de semana, nos dias de eleições, ou quando o rei faz anos, por isso depois de dar duas voltas fui estacionar o bólide no cu de judas, 3 dias atrás do sol posto e uma semana a escorregar por uma tábua abaixo e depois da difícil tarefa de encontrar um lugar onde coubesse o empecilho comecei a descarregar as cenas. E é pá, cenas é que não me faltavam.

Quando olho para trás, vejo atrás de mim dois negros de boné de pála e cheios de tatuagens - eu a somar preconceitos desde mil novecentos e troca o passo; pensei de imediato - Já foste. Vais ser assaltada. Mentalmente e num segundo revi tudo o que tinha e que podia ser roubado, relógio, telemóveis, 15 euros em dinheiro, cartões, máquina fotográfica, o carro. Siga. Venha o que tiver que ser. Aproximaram-se e educadamente disseram: Está tão carregada de coisas deixe-nos ajudá-la a levar as coisas até ao seu prédio. E toca de começarem a pegar em malas e sacos e saquinhos. E eu, meia aparvalhada... não é preciso, eu vou levando tudo com calma. Tenho tempo. Deixem estar. Ao que responderam: fomos ensinados a ajudar, e mais ainda uma senhora... e não temos nada para fazer, íamos mesmo para casa. 

Fui falando com eles pelo caminho até à porta do prédio, perguntei - mas moram aqui, aonde, já é tão tarde, então vêm de onde? - tretas para tentar perceber onde moravam, de onde vinham e etc como se essa merda fosse importante depois de ser assaltadaQuando já estávamos na entrada insistiram em subir o lance de degraus até à entrada do elevador com os meus tarecos às costas, e aí voltei a pensar... é agora que vais ser assaltada, e se for só isso é uma sorte. Agarrei na chave de casa (pontiaguda e comprida) pronta a utilizá-la como arma, e no ferro do chapéu de sol com a ponta prontinha a acertar-lhes num olho - como se isso fosse o suficiente para derrubar dois grandalhões. Morria, mas morria a dar luta, é o que faço sempre mesmo que morra na praia. E nunca mas nunca, mostro medo.

Não houve assalto. Despediram-se com um "boa noite dama", eu agradeci e eles repetiram mais uma vez que seriam incapazes de me ver a carregar tudo àquela hora, sozinha, e passarem e não ajudarem - que não eram assim e que essa não era mesmo a onda deles. 

Desta história fica mesmo o meu medo associado a um preconceito, e uma grande lição. Mais uma, daquelas que a vida não para de me ensinar. 

Há dois tipos de pessoas: aquelas que dividem as pessoas em dois tipos e aquelas que não dividem.  Arthur Bloch

terça-feira, 31 de maio de 2016

Esta vida e mais o diabo a quatro...


Não sei amar. Não acredito no amor. Nunca me vou apaixonar - disse ela.
Ouviram-se gargalhadas...

Era o diabo a rir-se.

sábado, 30 de abril de 2016

Este não é o meu filme, boy.



Ele é giro sim senhor. Tem conversa e tem qualquer coisa, um je ne sais quoi que me fez achar valer a pena perceber o que seria. Também é amigo de uma amiga o que me pareceu excelente. Levou-me até a jantar a Sesimbra, e coisa rara e nunca vista insistiu muito em pagar-me o jantar - cena que eu juro que não sabia o que era há muito tempo. Anos talvez. Mesmo depois de várias vezes eu repetir que não queria e que a vida custava a todos. Além disso tudo, tem uma profissão bué mas bué da gira daquelas que acrescentam nomes cheios de pinta ao nome comum. Tinha tudo para ser o tal do gostinho especial, encorpado e aromático. Só que não.

É chato como a potassa, monocórdico, repetitivo, fala sempre do mesmo assunto e cheguei a meio do jantar a pedir a todos os santinhos que os minutos andassem mais rápido para eu dar de fuga dali. Por mim tinha saltado das entradas para o café mas toda a gente sabe que depois de embarcar na viagem é difícil sair em andamento. 

Fiquei a saber que o filho faz esgrima, surf, equitação, toca piano e parece que até fala francês, além disso ainda joga futebol e só não é o CR 7 porque não usa brinco, de resto é tal e qual, igualinho. São gémeos separados à nascença. E que há uns senhores que vão aos clubes de futebol dos juniores chamados, olharapos, olharecos, olharudos ou olheiros que já lhe deitaram o olho. Nesta parte já eu tinha desligado o cérebro, e contava as riscas da camisola da gorda que estava na mesa ao lado a enfardar pão no molho enquanto com a minha melhor cara de pessoa atenta dizia que sim a tudo com a cabeça. Reconheço que este não era de todo o "meu assunto". Menos, pedia muito menos. Ele é simpático, parece-me boa pessoa mas só isso não chega. Bocejo. Poupem-me as proezas do gato maltês que toca piano e fala francês.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Prémio da abordagem masculina mais idiota de sempre - Abram alas para o Noddy...





No local de trabalho...

um colega fala por cima do meu ombro, baixinho, com a boca quase encostada ao meu ouvido:

- Vamos trocar fluídos? Aqueles que se trocam quando se encontram os cromossomas XY e os XX?

- Chichi? Agora não tenho vontade! Baza pah que estou cheia de trabalho.


Ganhou o prémio da abordagem mais idiota. De mim, distância. Fujo a sete pés de gente que acha que pelo facto de não se ter namorado estamos já de pernas abertas.

Tenho um poderoso íman para cretinos. Só pode!

domingo, 10 de janeiro de 2016

Bye bye 2015. Olá 2016...A vida é uma passagem!






Terminei o ano da pior forma. 

Doente e numa passagem de ano que não era de todo a minha praia. Fui porque os amigos me pediram, fui porque insistiram que não tinha jeito nenhum voltar a passar o fim do ano sozinha como tinha feito em 2014. Fui porque depois de tanta insistência achei que estava errada e a ser egoísta, e que deveria ceder. Resolvi ir e assumo a escolha.... correu mal. Muito mal mesmo. Detestei aquilo.

Detestei o espaço físico da festa, detestei o local, lá no cu de Judas depois de uma semana a escorregar por uma tábua abaixo, mesmo atrás do sol posto. Detestei gente emborrachada à minha volta. Detestei ter que brincar às enfermeiras entre gente que não sabia o que dizia, o que fazia, se vomitava toda e ocasionalmente desmaiava. Fogo de artificio nem vê-lo. Espumante por todo o lado, na minha roupa, no meu cabelo, no meu casaco. O chão um nojo, uma pasta de merdelim, pó, papelinhos e fitas  que teimavam em se colar aos saltos dos sapatos. Malta a cantar ou a fingir que cantava "caralhoke" num reportório de músicas lindas... acho que só faltou o apita o comboio, essa maravilha do reportório erudito. Portanto... Foi incrivelmente bom. Não contem comigo para repetir a experiência. Nem que a vaca tussa. Nem que chovam canivetes. Fim do ano é com fogo de artificio, muitos pulos, ar frio nas trombas, gente aos saltos, música da boa. E sem fretes associados. Seja pela razão que for.

Ainda recupero da dor de alma que aquilo foi e do mal que me fez.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Então AC como foi o teu fim de ano?





Foi espectacular não foi? Dançaste muito? Bebeste uns copos? E o fogo de artificio não foi brutal?  A animação que aquilo foi, toda a noite. Sua maluca.
...

39 de febre, uma tosse de cuspir o pulmão, arrepios de frio. Só conseguir ingerir uma fruta e água. À uma da manhã olhar para o relógio em jeito de súplica e suspirar desesperadamente por uma cama. Ir trabalhar dia 1 de Janeiro a arrastar-me e sem poder porque as equipas estão nos mínimos dos mínimos. Portanto...

Uma boa merda.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Das amigas loucas e felizes cá da Je...




Ontem num jantar com amigos

Eu - Deves achar que ele é a última bolacha do pacote. Deves Deves!
Rita - Não sei se ele é, ou vai ser a última bolacha do pacote. Mas é a bolacha cá no pacote. 
Mham Mham. Trinco-a toda!

Ahhhhh. Não consegui parar de rir...

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Não é bem um hospital psiquiátrico mas ter alguma dose de loucura ajuda... uiiii se ajuda.




Chamo um doente masculino ao som. Entra na triagem um casal de velhotes idosos. Ele senta-se.

Faço a pergunta habitual.
-Então diga-me Sr. António de que se queixa?
(....) silêncio.

Fala a mulher do Sr. António.
- Diz Tó, diz o que te dói.. 
(...) silêncio.
- Ó Tó tens que dizer aqui à menina o que te dói homem!
(...) silêncio

Eu espero mais um pouco e pergunto de novo.
 -Então Sr. António diga-me lá o que lhe dói?
(...) silêncio

De repente oiço..
- Diz, diz... diz, que te dói o colhão esquerdo Tó!


Tive que me conter para não desatar a rir às gargalhadas.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Tivesse ela mil razões para explicar o inexplicável...




Deitou-se cansada depois de muitas horas de trabalho. Vinte e quatro seguidas segundo parece. Nada que aquele corpinho não aguente, habituado que está às rotinas de trabalho. Adormece ferrada assim que a cabeça toca na almofada. Num sono profundo. Ignorando o mundo. Despreocupadamente.

Já de madrugada sussurram-lhe ao ouvido vindo do nada, como se de um sonho se tratasse. Psiuuu, acorda. Exactamente assim. Com uma voz suave, meiga. Ela ressuscita do sono, estremunhada, como se estivesse a sonhar. Se calhar estava. Ou não? Primeiro tenta perceber o que se passou. Em seguida finge que não se passou nada e tenta de novo adormecer sem ter visto sequer as horas. Porque sim. Porque não sabe como explicar o que aconteceu e o que não tem explicação explicado está.

Assim que fecha os olhos, decidida a encerrar por aqui a história, o despertador toca. 
Eram de facto horas de acordar.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Borrar-se de medo...



Não sei de onde veio a expressão "borrar-se de medo" mas há muito que a conhecia e francamente nunca lhe reconheci grande lógica. É ficção pura, ninguém se borra de medo. Deve ter sido uma coisa criada pela fantasia semelhante às estrelinhas que se vêem nos desenhos animados a sobrevoarem a cabeça sempre que alguém bate fortemente com ela.

Esta sexta feira participei numa aventura /expedição nocturna de descoberta de várias minas abandonadas no interior da serra de Sintra. Minas de água muitas delas, e que correspondem a túneis subterrâneos que atravessam praticamente toda a serra e que serviam como condutas de transporte de agua até depósitos, tanques, cisternas, poços, onde essa agua era armazenada para utilizações futuras. Sabia de antemão o que são túneis e grutas, e o que por lá podia encontrar, quase sempre muitos morcegos - é lá o seu habitat -, ratos de maior ou menor tamanho, lesmas nas paredes, aranhas, e mais um ou outro bicharoco que não cabe nesta lista. Já fiz exploração de algumas grutas de forma superficial e sem grandes riscos, apenas com recurso a cordas e rappel e sempre acompanhada de um guia conhecedor do local, neste dia não era excepção, o mesmo grupo - perto de vinte elementos, e o mesmo guia.

O que eu não esperava encontrar era sapos viscosos de olhos esbugalhados, e sardões, uma espécie de lagartixas, ou osgas, ou o raio, gordas quem nem vacas e com umas patas com unhas que trepavam por todo o lado. Odeio sapos. Odeio toda a espécie de répteis de pele colorida e brilhante. E enquanto algumas pessoas davam gritinhos e saltinhos a mim começou-me a dar umas cólicas brutais na barriga a somar ao terror imenso. Já não sabia o que havia de fazer, se parar e controlar o medo, se parar e controlar as dores de barriga que me deixavam lívida, branca como a cal e a sentir-me mesmo muito mal, ou dar parte de fraca e dizer bem alto para todo o grupo ouvir o que se estava a passar. 

Calei-me caladinha, dei cada passo encolhida com medo da catástrofe, ouvia a minha barriga a fazer ruídos estranhos e a tentar ser mais forte que eu. Foram 9 km assim. Dolorosos. E jurei a mim mesma que túneis nunca mais. Gosto de natureza, ar livre e puro, paisagens brutais e até de alturas, agora coisas debaixo do chão não me convidem. Lá me aguentei mas isto podia ter corrido muito mal, ó ó se podia... 

Não nasci para rato de esgoto.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Hoje a vidinha ofereceu-me muitos destes...




Já há tempo que ando a fazer limonadas. Limonada com tudo, tudo com limonada e pelo caminho mentalizo-me que tem que acompanhar bem. À falta de melhor. Esmero-me com cuidado na sua confecção, tento ser criativa, acrescento-lhe açúcar qb, mel, frutos vermelhos, hortelã. Mas a verdade aqui para nós é que já ando um bocadinho cansada. Enjoada de tanto limão. De estômago às voltas. Faz-me azia. Bebo aquilo de empreitada, junto-lhe o doce que consigo, aligeiro a coisa para ver se escorrega melhor e quando termino o "refresco" faço-o sempre a acreditar que amanhã é que vai ser. E amanhã vai haver um espumante gelado, eu que nem sou rapariga de manias nem gostos caros, ou um vinho frisante fresquinho ali à minha espera. Um dia vai ser. Um dia é que vai ser! Mas ainda não foi hoje.

Como a vida não me oferece mais nada a não ser limões, nem sequer um " toma lá morangos" ou " mais vale um pássaro na mão que muitos a voar" tenho que me contentar com o que a vida me dá. E hoje já farta de limonada fiz um arroz de limão bem bom. Há que inovar. Decoração com limões será a próxima opção, e depois de esgotadas todas as variantes da utilização do belo do limão, que tal como arma de arremesso na tola de quem tanto mos atira? Ou enfiado no cu de quem tanto se esforça por me ver engolir limonada de penalty enquanto tranquilamente faz a sua vidinha? É uma hipótese. Vou pensar nela.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Quem tem cu tem medo...





Do one thing everyday that scares you
Eleanor Roosevelt


Eu tenho medos. Tenho muitos até. Tenho medo da doença - talvez o meu maior medo, tenho medo de perder, até porque sei bem o que é perder e sei bem o quanto dói no corpo a falta que alguém nos faz, e tenho medo do sofrimento em si... de todas as formas de sofrimento.

Dos medos em geral, combato-os de forma a que não me sufoquem, luto contra eles com todas as minhas forças e não deixo nunca que me atrapalhem a vida. Mas todos os dias somos postos à prova, todos nós, e de muitas formas diferentes. Lembro-me que quando tirei o curso de enfermagem e ainda era muito novinha sempre que tinha que acompanhar um doente para outro hospital ou apenas até ao bloco operatório começava com as palmas das mãos a suar, os joelhos a fraquejar e recordo-me de algumas vezes até me sentir agoniada... ainda a ambulância não tinha saído ou ia eu no elevador e já estava para ali com o estômago às voltas agoniada que nem uma pescada. O meu medo era falhar. E eu não podia falhar.

Ainda ontem tive um teste de medo. 

Tinha que atravessar de uma margem à outra de um rio, um aqueduto a muitos metros de altura sobre um piso de pedras meio arredondado e com 30 cm de largo, a coisa correu bem até meio, lá fui indo devagar, tentando por os pés nos sítios certos, mas quando cheguei quase a meio comecei a tremer e a ter a sensação que ia cair, e se caísse a coisa ia correr mesmo muito mal. Tive tanto medo, mas ali não havia alternativa. Voltar para trás não podia porque havia gente atrás de mim e não passávamos dois ao mesmo tempo, (e a altura mantinha-se), tinha que seguir em frente. As alternativas eram cair ou prosseguir. Parei... respirei, tentei não entrar em pânico, controlei o medo, proibi-me de olhar para baixo para apenas olhar em frente, e segui até ao meu destino, só faltavam uns 5 metros... e consegui. No final tive orgulho em mim, em ter conseguido lutar contra o meu medo.

É de pequenas vitórias que se fazem as grandes vitórias e está provado que não são os mais corajosos que são os melhores guerreiros, são aqueles que apesar de terem a percepção do medo e o respeitarem, o controlam também melhor.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Ele há coisas assim de pegar ou largar, não há?





Vir trabalhar fardada de casa e nos pés ter umas socas de borracha. Estar a contar entrar no trabalho de manhã cedinho e sair do trabalho já noite escura, obviamente para regressar a casa e ao duche do fim de dia. E de repente... ter um convite de amigas para ir ver um espectáculo à borla num qualquer lugar perto de si, com gente super divertida e muito boa disposição. E além disso, o tal grupo que tocava, ser assim um grupo que se gosta mesmo, desde há muito tempo. E ficar roídinha de todo porque não se tem roupa decente para vestir sem ser uma miserável farda. Pensar em sair do trabalho às 22 h, ir até a casa mudar de roupa e seguir entretanto de carro até ao local do concerto é coisa para dar até às 23h e 30 na melhor das hipóteses e se calhar já não vai valer a pena. Sobrar apenas a vontade de magicar umas ideias e pensar em todas as soluções possíveis. E descobrir uma.

Levar um vestido de uma colega (que foi fardada para casa), as sandálias de outra que por acaso calçava 38 e a mim metade do calcanhar ficava de fora, e ainda um casaquinho de malha de uma miúda administrativa que combinava razoavelmente com o dito vestido. E depois ter a coragem de cagar no que os outros podiam achar e avançar sem medos para o local. Ele há coisas assim de pegar ou largar não há? Ela sabe que há! E lá foi ela toda giraça, roupa emprestada, com metade do pé a raspar no chão, mas feliz que até os olhinhos brilhavam. Pulou, dançou, cantou, abanou o esqueleto e deixou-se ir no som de dez anos atrás. Bem bom.

Se podia ser de outra forma? Podia, mas não era a mesma coisa.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Não bata no vidro...




Deixe o seu pedido de tratamento 
e aguarde a sua vez na sala de espera.

"Não bata no vidro"


Frases escritas em letras garrafais num guichet de atendimento de uma Sala de Tratamentos de um Centro de Saúde.

Oiço um estrondo brutal acompanhado de duas murraças bem assentes no dito vidro, quase que dou um salto e espeto a agulha do injectável que estava a administrar na coxa do doente em vez de no quadrante superior externo do grande nadegueiro. Interrompo o que estava a fazer, deixo o doente de rabo para o ar e cu ao léu e venho de lá de seringa na mão, agulha em riste capaz de enfiar a agulha por um olho adentro do animal que fez semelhante coisa.

Deparo-me com uma mulher dos seus quarenta e poucos anos de braço no ar, a preparar-se para dar nova murraça no tal vidro de atendimento.

- Desculpe lá, a senhora não sabe ler?
ela com cara de parva a olhar para mim...
-Leia lá o que está aí escrito... e aponto para o vidro.
Ela lê ;  Deixe o seu pedido de tratamento e aguarde a sua vez na sala de espera.
E continuo...E depois? O resto...Leia tudo.
Ela a olhar para as letras gigantes e a ler... Depois... Bata no vidro.

 Tive para lhe dizer, diz aí bata no vidro mas com a cabeça


E assim vai a compreensão da malta. Lê mal, só entende metade, ignora a outra metade e no final ainda cheia de razão, ateima. Dão agora um nome giro a isto - Iliteracia, eu chamo-lhe mesmo burrice.

sábado, 6 de junho de 2015

Conselho do dia...



Não se abespinhem tanto com coisas picuinhas, pequeninas e que não valem um caracol. Não se degladiem por assuntos sem importância e sobretudo não valorizem o que não é valorizável. Consomem-se, ficam feias, cheias de rugas e de cabelos brancos e com umas ventas como se fossem a parte da frente de um desastre ou o comboio de Chelas de marcha atrás e depois o dia passa (mais um na vossa vida) e vocês com essa cara de mete medo ao susto em que todos lhe devem e ninguém lhe paga. Já dizia a outra senhora muito importante; nenhuma mulher fica impecavelmente vestida sem um sorriso.

É fim de semana, está sol, a vida espera-nos.

A vida é bela, nós é que damos cabo dela...

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Chique a valer...



«... criado de quarto, governanta inglesa para a filhita, femme de chambre
mais de vinte malas... Chique a valer!» 
Dâmaso Salcede personagem nos Maias de Eça de Queirós


Gente que vai para a praia carregada de tralha e que se apresenta no areal - literalmente abanca - como se fosse montar uma banca para vender na feira. Nem precisam de megafone porque barulho já eles fazem que chegue. Ele é chapéus de sol (sempre mais que um), paravento, cadeiras, geleiras com muitaaaaa comida, bidão de agua, (isso mesmo) como se fossem atravessar o deserto do Mojave ou o Sahara e na praia não houvesse esplanada ou algures um café, e bola, raquetes, bóias, barcos insufláveis, baldes e pás e forminhas, cestas com toalhas e uma muda de roupa e um casaquinho de malha para o frio, e um chapelinho para o sol, só falta mesmo as botas de neve para se por acaso nevar, que isto da malta profissional da praia quer-se sempre prevenida, e mais as almofadas de encher, um colchão para dormir a sesta, uma tenda para as crianças, jornais, livros, revistas de caras, às vezes ainda um radio, ou o tacho do belo cozido à portuguesa... socorro. 

Vão-se mudar ou vão passar apenas umas horas na praia? 
A mim parece-me que fugiram de casa.
À pressa.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Só a mim...



Um piqueno todo jeitoso, enfiado no seu melhor fatinho, deve ser o de Domingo com que vai à missa e reza ajoelhado ao lado da sua mais que tudo enviou-me para o e-mail um convite para me conhecer e interagimos. Gostei particularmente da ideia de interacção, fiquei com algumas dúvidas em relação à definição dele de interacção calculo que não seja a mesma que a minha mas gostei muito da criatividade da foto, do bom gosto que acompanha o rapaz para onde quer que vá, e claro... do pormenor da sanita ao fundo. E outra coisa que me sensibilizou muitíssimo foi o pequeno texto que acompanha a foto. Pequeno mas muito amoroso e singelo, escrito com alma, em que me dizia que eu não temesse a sua companhia que os homens TANHÃO que ser assim atrevidos.

Fiquei rendida a tanta classe mas tive (com muita pena minha) que declinar o convite e de coração amolecido com tanto atrevimento não interagir com este Bad Boy da Buraca. Mais do que temer a sua companhia temi pela minha sanidade mental. É que eu sou uma pessoa pouco dada a estupidez oferecida às toneladas e ele era capaz de num primeiro encontro soterrar-me em pázadas dela.

TANHA uma boa tarde cavalheiro.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Cambalhotas... esta merda não pára.

" Viver é...

Viver é uma peripécia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o ânimo e o desânimo, um entusiasmo ora doce, ora dinâmico e agressivo. Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida. Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera. Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde. Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital. A vida é um espaço e um tempo maravilhosos mas não se contenta com a contemplação. Ela exige reflexão. E exige soluções. A vida é exigente porque é generosa. É dura porque é terna. É amarga porque é doce. É ela que nos coloca as perguntas, cabendo-nos a nós encontrar as respostas. Mas nada disso é um jogo. A vida é a mais séria das coisas divertidas. "

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum' 

E a vida não pára. Nova corrida nova viagem. Neste carrossel meninas feias não andam, as bonitas não escolhem as voltas a dar. Mudou a escala na minha vida, mudou o horário e mudou o tempo que vou ter disponível para mim. É cada vez menos e já nem sei como contornar isto, e mais isto, e mais aquilo. Tanta porra de voltas sem parar. Sinto-me atordoada, confusa, baralhada das ideias, sem saber que volta hei-de dar para encontrar o meu equilíbrio e a minha alegria de viver em mais esta cambalhota que não pedi na minha vida. Sinto-me cansada, esgotada de tanto looping, de ora estar de cabeça para baixo, ora de cabeça para cima, sem poder escolher as voltas que quero dar. Fico tonta com tanto rodopiar mas quero acreditar que não vai ser mais este obstáculo que me vai fazer desistir, que vou ser capaz de dar a cambalhota da vida e voltar a ficar na vertical a olhar a vida de frente e na direcção que eu escolhi e que sei que me faz feliz  "Às vezes a nossa vida é colocada de cabeça para baixo para que possamos aprender a dar a volta e a viver de cabeça para cima."- Dizem por aí...

"Às vezes não é fácil,
Mas bebé...
 nós damos a volta, damos sempre a volta a tudo.
nós damos a volta, damos sempre a volta a tudo."

 Carlão  / Os Tais.


A ver vamos o que consigo, conseguimos fazer com isto..