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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Zás...






- Bem, tu não perdes tempo.  Rei morto, rei posto. Ainda ontem te via tão apaixonada pelo X e agora leio nos teus olhos que estás mesmo apostada em ser feliz com o Z. Tens vontade de guerreira. Cortas a direito.

- É, eu gosto de muito de espadas e cabeças decapitadas.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Erros fatais...





Chama-se Mariana.

Apaixonada pela vida, pelo amor, e mais ainda por ele. 
Há anos que repartem dias, horas dos dias, algumas noites, histórias a contar, olhares.
Ela ama-o. Ele não. Diz-lhe que gosta dela. Ela acredita que gostar é mais ou menos bom.

Envolvem-se em mais um fim de tarde já quase crepúsculo. O entardecer traz o final do dia e a paz, e com ele o toque das mãos que deslizam pelo corpo, pelos cabelos, os beijos sôfregos, a paixão e o desejo acompanhados das mesmas gargalhadas de sempre, do mesmo sorrir e do mesmo sabor. 

Ela beija-o. Mais e mais. Sente-lhe a vontade e o prazer. Envolvem-se mais ainda. Corpos e pele respiram a um. Ritmadamente.
Ao longe, sussurrado baixinho, ouve-lhe a voz entrecortada por gemidos, e pela respiração que ele já não controla.

Tão bom. Ai tão bom, Susana!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

blá blá blá entre amigas...





- Não o amo. Sabes como sou Rita... amar não vai ser fácil, ainda é aquela coisa dolorosa e quase impossível.

- Não te preocupes muito com isso. Vive apenas. Conseguires amá-lo é trabalho dele. Vai depender unicamente do esforço dele em te querer muito, pouco, ou nada.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Perdidos e achados...






Perdeu-se algures um coração por aí, num lugar onde por engano nunca devia ter estado. Um terrível erro de localização. 

No lugar onde ele existiu resta nada. Mas nada é bom...
Deixa espaço livre.

sábado, 6 de agosto de 2016

Saia...



E ela seguiu à risca o conselho.Tem saído todos os dias à noite.Tem colado os finais de noite às madrugadas. Tem somado conversas a imperiais, tem lavado a alma a desabafar, tem viajado pelo mundo dos sonhos com o que aí vem. E tem estado muito bem. Tem dado por si sem dar conta do tempo passar, sem se lembrar dos dias e das horas, e inacreditavelmente sem nunca olhar para o relógio. E os amigos já notaram isso.

Acredito que estou finalmente no caminho certo. No rumo que me propus. Tinha dado a mim própria como objectivo de tempo - final de Julho. Julho já lá vai mas não me parece que neste contrato adjudicado com o bom senso e a razão eu vá falhar muito para além do prazo. A empreitada está em conclusão. Quando sair finalmente do passado é para não mais regressar.

Tenho abusado dos vestidos. Tenho saído de dia. Tenho saído à noite. 
Tenho saído de mim.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Causa Mortis...




Traumatismo craniano fruto de mergulhos profundos em pessoas rasas.

( lido algures por essa Internet )

Mergulho no oceano infinito de pessoas. À superfície, a cor da água e o embalar doce da ondulação entorpecem-me os sentidos. Oiço mas não escuto, olho mas vejo só o que quero ver. Não sinto nada.

Evito mergulhos profundos com medo de sentir. Na profundidade há o silêncio, a escuridão e a ausência. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

ZzZzZz ...






ZzZzZz  não significa aqui a onomatopeia do sono. 

(espero eu). 

  Z - Man venha de lá então esse jantar.




segunda-feira, 9 de maio de 2016

Coisas minhas e quero lá saber...



Quando era pequena e pela primeira vez me perguntaram o que queria ser quando fosse grande, respondi com o meu ar mais sério que queria ser Artista de Circo, tentaram confirmar com nova pergunta como se eu não soubesse muito bem o que aquilo era. Mas sabes bem o que isso é? É andar com a casa às costas, viver numa autocaravana toda a vida, andar de terra em terra sem ter tempo para criar raízes, estar longe de tudo e da tua família, é sobretudo uma vida dura despojada de quase tudo. Queres mesmo ser Artista de Circo? Sim disse eu, e durante anos foi mesmo o que quis. Depois mais tarde comecei a perceber que não tinha jeito para Contorcionista, nem Malabarista e muito menos Trapezista, por isso percebi que o meu forte nunca seria nada ligado à ginástica e depressa substituí o desejo de vida pelas artes circenses pela vontade de voar e o mesmo sentido de eterna saltimbanca, quis ser Assistente de Bordo, na altura Hospedeira. Dizia a mãe tentando demover-me da ideia, que Assistente de Bordo era assim uma coisa entre empregada de café e camareira e que não havia muito glamour na coisa. Mas eu queria porque chegar e partir atraía-me (e continua a atrair), e uma casa, um lugar apenas e uma vida fixa ao chão não me diziam nada. 

Não fui uma coisa nem outra, segui a mesma profissão da minha mãe, um pouco pela influência dela mas também porque depressa percebi que era mesmo o que queria, e que tinha vontade e capacidade para a desempenhar. Adquiri os conhecimentos necessários e cá estou eu presa ao chão, com raízes num lugar sem grandes chances de mudar, sem hipótese de ser Artista de Circo, Assistente de Bordo, viajante de profissão, caravanista de longo curso, mochileira de vida. Este sonho continua cá, não desisti dele, à primeira oportunidade vou investir nele. Não sabemos o dia de amanhã, posso arranjar um gajo rico (mesmo rico) e aventureiro como eu que me financie os sonhos, pode-me sair o euromilhões, posso achar petróleo no jardim da casa dos meus pais, posso encontrar um tesouro no fundo do mar enquanto faço mergulho, posso tropeçar numa mala cheia de dinheiro enquanto subo a rampa do hospital para mais um dia de trabalho, posso receber uma doação / herança de uma velhinha rica que tenha passado pelos meus cuidados, sei lá... a minha imaginação é fértil mas a verdade é que o sonho continua cá e até ao lavar dos cestos ainda é vindima, muita coisa pode acontecer. 

Ou nada, e tudo ficará como está.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Febre de Sábado à noite...

Não conseguiria por muito que quisesse descrever a paisagem com que fomos brindados. Ao fundo a cidade acontecia, milhões de pontos de luz e vida num espectáculo de brilho e cor só para nós.

Live, travel, adventure, bless, and don't be sorry
Jack Kerouac



Sempre dei valor ao que considerei de valor. Os meus singulares valores. A cumplicidade é apenas um deles. Hoje dou-lhe mais valor ainda. Entendo muito melhor o que é amizade, união, partilha, camaradagem, força. Valorizo mais as pequenas coisas e a simplicidade do que é belo, e desisti de querer mais do que consigo - sofrer com isso - e viver em luta constante, desassossego, insatisfação e derrota. Não sou especial em nada, não tenho nenhuma capacidade sobrenatural, não inventei nada, não sou sequer sobredotada ou muito inteligente, não sou linda nem perfeita, mas vivo feliz com o que sou, aonde cheguei, com o que tenho, com quem permanece do meu lado, e com o que dia após dia retiro da vida numa bebedeira divertida sem fim.

Perdemo-nos naquilo que amamos. E é lá também que nos devemos encontrar.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Proibido a elefantes...




Tinha de tentar. Tinha de tentar mais uma vez. A última antes de desistir. Senti que devia tentar antes de abandonar o que era importante para mim. Tentei com a mesma fúria e determinação de sempre. O que sou. Mais uma vez. E?

À minha frente uma savana imensa onde pastam pachorrentos e calmos paquidermes. Alheios às moscas, ao calor e aos predadores. De somenos preocupados com a extensão árida de terra e a escassez de água. Que importa isso?


"Descobri que sou tal qual o elefante, 
uma parte de mim aprende, 
a outra ignora o que a outra parte aprendeu, 
e tanto mais vai ignorando quanto mais tempo vai vivendo."


A Viagem do Elefante - José Saramago



Não apago os momentos, recordações que me matraqueiam a cabeça em memórias de elefante. Acrescento o aviso à porta das memórias: Estritamente proibido a elefantes.

terça-feira, 15 de março de 2016

Na volta do correio...



Meu querido coração,

sei que és responsável, nunca te deixas seduzir ou influenciar por dá cá aquele sorriso, nunca me traíste a confiança, e sabes muito bem perceber o que te faz falta e o que é descartável. Tens sido até hoje um alicerce e um poço de sabedoria.

Por isso vê se atinas, se ganhas juízo, e sobretudo se de uma ultima vez e quem sabe de uma vez por todas aprendes a lição. Olha com atenção à tua volta. Cada detalhe do que te rodeia. Abre os olhos, sente. Há mais água no oceano, há muito mais mar. 

Há mais homens também.

Com muito amor por ti,
assina

O teu querido cérebro.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Prova de coragem...




Mais importante que o tamanho do cão na luta, 
é o tamanho da luta dentro do cão.

Mark Twain

Tenho pena das muitas partidas que a vida me prega mas não posso lutar com o que é muito maior que eu e muito mais forte. É só estúpido e uma tremenda perda de tempo. E o meu tempo é pouco para viver magoada, triste ou infeliz. Esse nunca foi, nem nunca será o meu modo de estar. Resta-me aceitar e seguir caminho. No entanto antes de partir é sempre bom para o ego e um desafio à normalidade normalzinha de mal de amor em versão parvalhona de merda, soltar a raiva e impotência que nos transborda, rosnar forte e feio para o cão grande e dizer alto e bom som - Vai-te foder, pá!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Cinemateca de vida...




ele beijou-a muito. beijou-a intensamente. beijou-a com a boca. com os olhos. com as mãos. beijou-a demoradamente prolongando o beijo para lá do tempo. sem tempo. e depois o tempo inexplicavelmente parou. ela fechou os olhos. sorriu com o corpo e mais ainda no olhar. baixinho disse-lhe sou feliz. deixou-se beijar por dentro ávida daqueles beijos. 
passaram minutos, horas, dias. quando se apercebeu já eram anos. nunca mais abriu os olhos. nunca mais regressou. continua lá na mesma tela a saborear o beijo.

sábado, 7 de novembro de 2015

Exercício de escrita matinal...



Repete comigo...

Burra que nem uma porta. 
Estúpida que nem um comboio. 
Atrasada mental. 
Idiota chapada.
Parvalhona de merda. 


Dizem que o amor é cego. Foda-se o gajo é cego e estúpido como o raio. Precisava o amor e eu com um martelo de orelhas pelos cornos abaixo até o martelo guinchar. Estupidez maior que o tal de "amor" não deve haver à face da terra. Desliga os neurónios, mata o tico e o teco, atrofia as sinapses, embrutece-nos para tudo o que nos rodeia, alheia-nos da verdade e do bom senso enquanto estamos entretidos a ouvir o piu-piu dos passarinhos e admiramos as borboletas à nossa volta a esvoaçar. Boa merda pá. Eu que nunca me apaixono, que mantenho sempre a razão acima do coração olho para trás e só tenho mesmo uma pergunta que me confunde. Onde é que eu AC estava que não me encontro. 

Como foi possível?

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Coisas de amigas...




- Vai com calma. Tu tem calma rapariga. Tu gostas muito dele sabes disso.
- Sei sim... e sim é verdade que gosto muito dele, mas por acaso gosto muito mais de mim.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Conversas dela... [dos impossíveis na minha vida]


 Ela fez uma pergunta simples.

- Quais as hipóteses de me acompanhares nesta aventura?
- Quase impossível. 
- Quantifica quase impossível.
- 80% de Impossível, 20% de possível.
- A quantidade de impossível é gigante.
- Pois eu sei, mas é a verdade.
- Quem sabe... Sou excelente a derrubar impossíveis sabias?
- Se sei.
- Vamos vendo então. Um dia de cada vez.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Viagem proibida na escrita...




Não existe história alguma que não seja uma descrição mais ou menos completa de qualquer batalha.
Ana Hatherly

A duas mãos toca-lhe a pele. Larga-lhe a roupa devagar sem a largar das mãos. Umas peças despe ela apressadamente, outras ele com um vagar que a irrita. Estende os braços para o tocar. Shhhh nada disso, sussurra baixinho. Vais sofrer. Ahhhh. Desata ela a rir. Deixa-se ir embalada na antecipação da certeza que aquilo promete. Já não tem a certeza de nenhuma certeza, já não sabe sequer para que lado o seu corpo se estendeu e quem despiu quem. Sente-se apenas exposta, vulnerável, à sua mercê. Rendida e feliz, entregue nas suas mãos. Geme baixinho, ou alto, enquanto arqueia o tronco a procurá-lo a ele e a enterrar nele as ancas mais ainda, acelera a respiração e deixa-se ir numa mistura de prazer intenso, carinho, e desejo. O corpo empapado em suor, os lençóis molhados que escorrem do prazer dela.
Umas horas depois ela de clitóris inchado, sensível e dorido, meia perdida sem saber muito bem o que acabou de acontecer, pede-lhe baixinho - deixa-me tocar-te. Todo o corpo dela treme e ambos sabem que não é de frio. Ele deixa-a finalmente tocar-lhe. Ergue-se para junto dela numa urgência que nunca lhe viu. Desliza-lhe o pénis erecto, rijo e expectante no seu comprimento, roça-lhe a cara e a boca sem espera. Não há muito mais a fazer, a intensidade é tanta e o tempo esperado tanto que não se compadece com o que ambos tinham imaginado. E ficou tanto por fazer e ainda tantas palavras ao ouvido por dizer. E ambos queriam mais. Mais tempo. Mais prazer. Mais sexo. Mais e mais uma outra vez.

Fica para uma próxima vez. Ela sente que haverá sempre uma próxima vez.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Ele há coisas...




Chama-se A. De Albertina. Nome feio posto à nascença em memória de uma tia nova que nunca chegou a velha. Dizem que coitada o A é de azar. Teve azar. São coisas. Ele há coisas. A "A" de Albertina também acredita em coisas que não consegue explicar. Histórias parvas que se repetem na sua vida e que a fazem chorar... ou rir. Não acredita em paixões. Pede tempo. Pede espaço. E raramente se deixa enrolar na teia dessas coisas que toda a gente chama amor porque muito antes disso já não está aí, e vai ver se a vida está ali. Porque há coisas, a vida trocou-lhe as voltas e apaixonou-se. Nada de mais se a vida fosse simples e a matemática linear. Mas não é. Dizem que nunca é.

Ele há coisas. Ele há um ele. E ele tem acesso a meios de controle, localização, identificação, fiscalização, monitorização e mais coisas acabadas em ão que a Albertina não domina, e nem sonha. E usou-as. Não devia segundo ele, incrédula - não devia mesmo - segundo ela. Mas ele há coisas. As mesmas coisas que impõem novas regras que não se querem, matam o espaço, dão o tal tempo que um dia se quis e hoje já não se quer, pressionam, magoam, e começam a levantar a poeira que se soprou para longe. E depois ele há coisas que não se explicam e que quase são impossíveis de acreditar. E são essas mesmas coisas que matam o amor que a Albertina fez tudo para voltar a acreditar.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Em pedaços...


Falhar, só te prometo falhar!
Pedro Chagas Freitas


Numa obra, trabalhavam vários operários, pintores, pedreiros, canalizadores, electricistas, estucadores, etc. E havia um estucador que estava na firma havia muitos anos, e não sei se por desleixo, se por não saber mais do assunto, as paredes não ficavam grande coisa... ou melhor, se ele se dedicasse e esforçasse as paredes podiam ficar mais direitas.

O chefe da obra, um engenheiro, passava pelo estucador e ia lhe dizendo para fazer a parede mais direita, e ele dizia que sim, mas ia deixando a parede na mesma. O chefe, ia-o avisando uma e outra vez, e ele pouco ou nada melhorava as paredes.

Um dia o chefe disse-lhe, novamente a mesma coisa, ou seja para ele colocar a parede mais direita.

O estucador, desta vez vira-se para o chefe e diz-lhe que não dá, que é impossível colocar a parede mais direita, porque isto e aquilo, e blá, blá, blá.

E o chefe, disse-lhe: - Olha que dá!
E ele: - Não dá
O chefe: - Por favor não me faças provar que dá.
Ele: Prove-o então!


O chefe, tirou a gravata, arregaçou a camisa Pierre Cardin, agarrou na talocha e na massa e começou a dar na parede. Passados uns bons vinte minutos, e já todo cheio de massa, olhou para a parede e para o estucador, já acompanhado de todos os trabalhadores que tinham parado para ver aquele espectáculo e disse: - Pronto é assim que eu quero a parede a partir de hoje.

O estucador, engoliu em seco, baixou a cabeça envergonhado, pois nunca imaginou que um puto de fato e gravata soubesse tão bem a arte de estucador e respondeu baixinho. - Ok, sr engenheiro, eu vou me esmerar e fazer melhor.

E o chefe disse-lhe: - Não vai não! Você vai é fazer as suas contas e vai embora!
Ele: mas...
O chefe: - Não acha que eu ia chegar a este ponto, dar cabo do meu fato, fazer o que lhe competia a si e agora as coisas ficavam como antes. Está despedido!


Moral da história: Nunca subestimar o conhecimento dos outros.

Há aqui implícito um recado. A oportunidade de endireitar uma parede torta. Há pressão exercida sobre alguém que faz um trabalho que julga bem feito e afinal é imperfeito e muito aquém das expectativas. Há a total perda de confiança no trabalho que é executado. Há uma forma de poder claramente exercido de quem é mais forte sobre quem se apresenta mais fraco. Há arrogância de quem detém o poder. Há conhecimento voluntariamente omitido para permitir o factor surpresa e o direito à vitória. Há acção-reacção e consequências imediatas. Há um derrotado. Há alguém que nunca vai ter a oportunidade de endireitar a parede que durante uma vida julgou perfeita.


A vida é assim uma história imoral, incompleta, cheia de paredes imperfeitas onde há sempre alguém que despe o fato e nos procura dar subtis lições de moral.