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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Balanço destes solavancos em alto mar...




A maneira como mastiga não me irrita. Come de boca fechada, não mete os dedos no nariz, não tira lanche dos dentes e não coça as partes baixas. Porreiro, já não é mau. Mas com muita pena minha só estes itens não chegam para que a viagem se faça sem sobressaltos.

Há muita coisa nele que me cativa mas reconheço que tem de haver boa vontade de parte a parte para ajustar pequenos detalhes que não funcionam, mas estar junto é para isso mesmo, namorar serve para isso. Continuamos a tentar embora a cada dia que nasce mais me parece que estamos condenados ao fracasso. Se resultar ok, se não resultar a vida continua. Nenhum de nós tem nada a perder, não somos casados, não temos filhos, não temos contas a pagar juntos, cada um tem a sua vida, o seu trabalho e a sua casa... por isso tirando perder o amor, não há nada mais a perder.

Perco a alma. Eu pela vida fora já perdi tanto, tantas pessoas, amores que um dia amei de verdade, que seguro-me presa a uma tábua de salvação - estilhaços flutuantes de um barco em naufrágio - com um medo terrível de me afogar. E rezo ao Deus das Tormentas que me salve da intempérie, amaine a tempestade e me faça encontrar um porto seguro onde me abrigar. Estou perdida, molhada, insatisfeita, totalmente à deriva, mais insegura que nunca. Agarro-me aos destroços.

Continuo a lutar. E a afogar-me?

Voltei a pegar num, dois três cigarros depois de 6 anos sem fumar.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Zás...






- Bem, tu não perdes tempo.  Rei morto, rei posto. Ainda ontem te via tão apaixonada pelo X e agora leio nos teus olhos que estás mesmo apostada em ser feliz com o Z. Tens vontade de guerreira. Cortas a direito.

- É, eu gosto de muito de espadas e cabeças decapitadas.

sábado, 20 de agosto de 2016

Fins de tarde...

O meu fim do dia

Nove da noite. O sol já se põe. Permanecemos ainda na praia. Quilómetros feitos à beira mar, intercalados com beijos e gargalhadas. E ofensas minhas, várias... És mesmo parvo. Idiota pá. Nunca te chamaram otário? Tanto tamanho e tão pouco juízo. Risos. Mãos entrelaçadas.  Cai a noite e o frio. Chegam as redes do peixe, respira-se o cheiro a mar e a pescado acabado de chegar. O vento assobia com força. Despenteia-me. Perdes tempo com a ponta dos dedos a retirar-me cada farripa colada à cara. Penteias-me suavemente com as mãos a tentar alinhar o que o vento descompõe. E eu... 

Eu naquele segundo, fecho os olhos e acredito que talvez seja isto que me faltava.