A maneira como mastiga não me irrita. Come de boca fechada, não mete os dedos no nariz, não tira lanche dos dentes e não coça as partes baixas. Porreiro, já não é mau. Mas com muita pena minha só estes itens não chegam para que a viagem se faça sem sobressaltos.
Há muita coisa nele que me cativa mas reconheço que tem de haver boa vontade de parte a parte para ajustar pequenos detalhes que não funcionam, mas estar junto é para isso mesmo, namorar serve para isso. Continuamos a tentar embora a cada dia que nasce mais me parece que estamos condenados ao fracasso. Se resultar ok, se não resultar a vida continua. Nenhum de nós tem nada a perder, não somos casados, não temos filhos, não temos contas a pagar juntos, cada um tem a sua vida, o seu trabalho e a sua casa... por isso tirando perder o amor, não há nada mais a perder.
Perco a alma. Eu pela vida fora já perdi tanto, tantas pessoas, amores que um dia amei de verdade, que seguro-me presa a uma tábua de salvação - estilhaços flutuantes de um barco em naufrágio - com um medo terrível de me afogar. E rezo ao Deus das Tormentas que me salve da intempérie, amaine a tempestade e me faça encontrar um porto seguro onde me abrigar. Estou perdida, molhada, insatisfeita, totalmente à deriva, mais insegura que nunca. Agarro-me aos destroços.
Continuo a lutar. E a afogar-me?
Voltei a pegar


