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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Muitas arestas por limar...





Enquanto houver estrada para andar
a gente vai continuar...

Jorge Palma


Estive ausente. De férias. 7 dias apenas mas que me souberam pela vida. Desta vez a viagem foi até Madrid com passagem por Mérida, Cárceres, Ávila, e após a estadia em Madrid ainda um dia na Serra de Gredos com direito a muito frio, temperaturas negativas, muita neve e um trilho de cortar a respiração. A paisagem ajudou à boa disposição, a natureza deu uma forcinha pelo bem estar, e o prazer de estar de férias e o descanso sem horas nem compromissos ou obrigações do que fazer ou onde estar, ajudaram no resto.

Mas... e de facto há sempre um mas... 

Continuam a haver muitas arestas por limar, muitos pequenos atritos em duas pessoas que se seguram para não desistir, duas pessoas que estão a dar o melhor de si para continuarem a navegar nas mesmas aguas mas que em comum têm de facto muito pouco, excepto a alegria de viver e de conhecer e a vontade genuína de estarem juntos - e isso é única e exclusivamente o que me move. Dizem que os opostos se atraem, talvez... começo a acreditar nisso. Entre nós, eu e o matraquilho azul nada é linear, simples, fluido, ao correr do momento e dos dias. Tudo é demasiado complexo. E pelo facto de ser tão complexo ele retira-me toda a energia que é muito minha e uma das minhas características enquanto eu AC. Saio esgotada de qualquer fim de semana, de o mover comigo, de o arrastar nas minhas aventuras, de o trazer para o meu mundo (onde ele se sente tão bem depois de lá estar). Ele não tem mundo, tem o trabalho, vive em exclusivo para ele, tem alguma família que visita regularmente, e exceptuando isso tudo muito pouco resta. Não tem hobbies, não se dedica a nada em particular, não tem interesse especial por nada, tem camaradas de trabalho que considera amigos e regra geral tudo tanto lhe faz... Pois...

É assim em tudo. Sexo incluído. Esse é aliás outro dos pontos onde os ponteiros não acertam, não há ritmo, nem sintonia, nem motivação, nem dedicação, direi até talvez e sem o risco de ser injusta, que nem interesse. Esse mundo passa-lhe um pouco ao lado. Passa sem. E a coisa para ele resolve-se rapidamente sem grandes floreados ou pinos e cambalhotas e desde que se resolva, está resolvido e está-se bem. Eu já não sou assim, preciso de mais, mais nós, mais momentos, mais interesse, mais tempo, mais inovação e motivação e a coisa está a dar-se sem desejo o que para mim é terrível e faz muito pouco sentido. Mas continuo a tentar. Não sou pessoa de desistir. E gostava de conseguir ser feliz, já que ele diz que é imensamente feliz e se sente bem. Algumas coisas melhoraram, já me ajudou a transportar a mala, ou já me deu a mão quando foi preciso içar-me para cima de um rochedo, já tem por hábito abrir-me as portas e deixar passar em primeiro, já reparte pequenas coisas e acarinha-me com pequenos gestos, já fala mais dele e da família, já confia assuntos e segredos importantes de trabalho, já procura ter mais tempo para mim. Mas tudo demora muito tempo e eu não sei se tenho assim tanto tempo para dar.

Continuamos nesta estrada. A limar arestas desde Setembro de 2016.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Deixar acontecer...






Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande, é a sua sensibilidade sem tamanho.

Martha Medeiros



Quando o ano começa há sempre um renovar de objectivos. Há quem queira ficar mais magro, fazer mais exercício, deixar de fumar, ler mais, aprender mais qualquer coisa ou sei lá mais o quê. Eu tenho como objectivo deixar de querer controlar o destino. O meu e o de quem me acompanha.

Parece uma coisa estranha mas eu gosto de planear a minha vida, saber com antecedência o que vou fazer no próximo fim de semana, ou já em Março, ou o que vou fazer no feriado tal de Junho - marcado e agendado - ou onde vou nas férias de Verão. Planeio tudo exaustivamente e habituei-me a isso ao longo dos anos em que pelos imensos acasos da vida fui conjugando folgas e turnos e mais turnos, e aproveitando de forma meticulosa todo o pouco tempo disponível não restando margem para desperdício. 

Este ano pediram-me para planear menos e deixar mais a vida acontecer. Planear é algo que está enraizado em mim, que faz parte do meu eu e nem sempre é fácil cedermos um pouco de nós. Disseram-me esquece a organização, os ínfimos detalhes, deixa-te ir ao sabor da viagem. Prometi tentar. Vamos ver se consigo. 

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Das coisas mais doces que ultimamente me disseram....





"Ontem ia muito bem na auto estrada em patrulha e passou por nós um carro igualzinho ao teu. Pareceu-me mesmo que eras tu. Acelerámos e ultrapassei-o. Afinal não era a minha menina, a minha pequenina que é maior que eu, era só uma gaja qualquer. Fiquei triste. Queria mesmo mandar-te parar só para te abraçar."

Tão fofo pá. Tanto tamanho, tanto músculo e físico num homem habituado a lidar com tudo o que é feio e mau (ou quase tudo) e um coração que se derrete como algodão doce, assim de doce que é.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

De são e de louco todos temos um pouco...




Enquanto houver um louco, um poeta e um amante haverá sonho, amor e fantasia. E enquanto houver sonho, amor e fantasia, haverá esperança.


William Shakespeare.


Estou a ir para mais uma semana de férias. Vamos juntos para Berlim. Eu e o matraquilho azul. Levamos a mala cheia de roupa quente, camisolas, cachecóis, gorros, meias de lã, ele leva até collants de malha tipo ceroulas que costuma usar no inverno debaixo das calças da farda (hihihi o que eu já me ri) mas acima de tudo levamos o coração cheio de sonhos. Queremos ver, sentir, viver. Queremos aproveitar, absorver, e guardar o máximo de tudo para sempre. Haja o que houver - percam-se as pessoas, perca-se o amor - os lugares, os momentos, as oportunidades ficam gravadas na memória e no coração para sempre. Não guardo pedras do caminho, essas arremesso-as à tola de quem mas coloca lá para eu apanhar, guardo com carinho tudo o que vivo e felizmente tenho tido uma vida cheia da qual me orgulho, e basta-me fechar os olhos por um segundo para conseguir ser teletransportada para qualquer um dos lugares onde já fui incrivelmente feliz. 

As Highlands na Escócia, a chuva miudinha constante, as ovelhinhas pela imensidão de pastos verdes, os bares aquecidos, as minhas gargalhadas felizes. Ou Paris e um beijo na boca, intenso, na avenida dos Champs Élysées debaixo dos flocos de neve que caiam, o quente do beijo, o frio da neve, a dormência dos lábios. Ou os fins de tarde numa varanda de um aparthotel num chalet de montanha na Suiça a contar anedotas, a repartir vida, a ver videos de quedas e a rir, enquanto as cervejas enterradas na neve lá fora aguardavam por mais uma rodada partilhada. Sempre a vida a seguir o seu curso, sempre o amor presente em cada detalhe do que vivo. Sempre a vontade de conhecer mais e viver mais.

Irei escrever mais um capitulo, irei acrescentar mais uns bons momentos ao meu percurso. Irei de certeza fazer feliz e ser feliz. Vou voltar com a vida mais cheia.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Os meus medos...



Nunca tenha medo de tentar nada de novo. Parece que um aventureiro solitário e amador construiu a arca de Noé. 
E um grande grupo de profissionais competentes o Titanic.

Dave Barry


sim tenho um medo horrível de sofrer. tenho um medo devastador de perder, consequência de ter perdido tantas vezes. tenho medo do amor, de me deixar ir na entrega e ficar refém do que não quero. tenho medo de amar. tenho medo de precisar incondicionalmente de alguém, de sentir a falta e deixar de ser absolutamente livre e independente. tenho medo de ficar à espera de alguma coisa, de esperar pelo que outro pode ou não querer dar-me. tenho muito medo de vir a ser infeliz. 
o estado de dependência emocional e a infelicidade são mesmo os piores dos meus medos.

isto está a correr bem. tão bem que os planos para fazer coisas a dois, construir coisas em conjunto já nunca são subtraídos da equação. tão bem que por esse facto ainda sinto mais medo. tão bem que me está a dar vontade de fugir antes que isto corra mesmo mal. era só estúpido não tentar. era ser mesmo burra em não arriscar tudo a ver se é de facto tudo tão bom como me parece ser... ou não. 

vamos então prosseguir, venha de lá mais uma voltinha à rotunda. 

sem medos!

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Azeite...





Nunca te quis em pedaços, ambicionei-te todo inteiro, repartido entre o meu mundo e o teu.

Cais das letras - Carla Pinto Coelho.




Azeite nem sempre é o óleo extraído da azeitona. Ou até dizer alto e bom som que se está com os azeites é significado de virado do avesso e muito mal disposto.


Pode ser apenas uma piroseira do catano, uma foleirada sem precedentes, uma azeitice dum raio.

Nós. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Estou cheia de medo...



You say that you love the rain, but you open your umbrella when it rains.
You say that you love the sun, but you find a shadow spot when the sun shines.
You say that you love the wind, but you close your windows when wind blows.
This is why I am afraid, you say that you love me too. 

- William Shakespeare 


O matraquilho azul acabou de me dizer que me ama. Ai a porra. Ai o caracinhas. Estou feliz.... mas cheia de medo. 
Estamos fodidos Zé

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Aqui não se passa nada, nadinha, nada de coisa nenhuma...




Hoje vou contar uma história minha, até porque alguém uma vez me disse que eu era uma excelente contadora de histórias. Mentiu-me claro. Não sou, mas juro que me esforço como em tudo o que faço na vida. E como toda a gente sabe as verdadeiras histórias de sempre começam com...

Era uma vez,
...

uma rapariga que acreditava em pessoas, sobretudo em boas pessoas e de bem, incapazes de tomarem atitudes feiosas pelas costas, sem atitudes menos dignas, gestos de raiva, e coragem nas palavras para falarem cara a cara tudo o que devem sem magoar voluntariamente. Não gostava de gente que economizava nas palavras porque ela mesma não guardava nada do que achava que devia dizer, não calava o que a incomodava e sempre educadamente e de forma civilizada deitava cá para fora tudo o que lhe ia lá dentro. Por bem, e a bem. Talvez por isso, esperava também isso dos outros. Nem sempre acontecia, e aqui e ali ainda havia quem pontualmente a conseguia surpreender, felizmente muito mais pela positiva do que pela negativa, mas de vez em quando pela negativa também.

Não guardava mágoas nunca, nem coisas mal resolvidas, guardava pessoas, gente e não gentinha que em algum lugar e em algum momento tinham mexido consigo e tinham entrado na sua vida porque ela assim quis. De braços abertos como só assim era capaz de estar, sempre com um enorme sorriso e com mão direita na porta de casa ligeiramente entreaberta a convidar a entrar. Capaz de tudo dar. Capaz do melhor de si.

Depois havia ao longe os outros. Num lugar distante arrumados no lugar dos quase esquecidos e nadinha importantes os que a magoaram e lhe trouxeram o desconforto do amargo de boca. Também não guardava com ela as decepções. Essas varria-as como aquilo que são para debaixo do tapete, compunha a casa, e esquecia-se que estavam por lá até ter forças para aspirar tudo de uma vez por todas e fazer uma limpeza geral. 

Hoje começou as ultimas limpezas grandes de Outono, estão quase feitas e brevemente o que foi, quem já foi, será apenas um grão de pó. Do que restava da amizade sobrará a proporção certa de nadadecoisanenhuma na sua vida.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Apontamentos a sul...



Podia ser o Utah mas é só mesmo a minha praia. Aquela onde percorro quilómetros a ouvir as minhas músicas, ou de mão dada a falar de tudo ou de nada de coisa nenhuma.



À minha volta nada. E envolta na bruma do nada uma infinidade de tantas coisas possíveis. Sabe tão bem a liberdade de se fazer o que se quer.



Tive uma sorte brutal com o tempo. S Pedro foi meu amigo, sol, agua do mar a 23 graus, boa companhia e a praia quase vazia. Para quê pedir mais se já se tem tudo.



Final do dia. O prémio por mais um dia generoso.


Dois bons vícios. Um livro e um Gin Tónico, saboreados na varanda debaixo da luz da lua, enquanto os pés descansam num colo que mima e os olhares se cruzam provocadores entre parágrafos e linhas. Olhares sem entrelinhas.


*Aconselho (a quem não tem miúdos na escola) férias nesta época - eu vou sempre nesta altura do ano.  Praias desertas, lugar sempre disponível para estacionar, estradas sem trânsito, restaurantes vazios, bom atendimento, simpatia, petiscos com fartura. Zero confusão.

E quando o S. Pedro dá uma ajuda, a escolha é perfeita!

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Efectivamente viver...







Na minha vida interessa-me a história, a minha, não as dos contos de fadas que me impingiram em criança. Aquela que todos os dias escrevo, dia a dia, a tinta permanente e pela minha mão, fruto do que escolho, do que a vida me oferece, dos improvisos e imprevistos com que me deparo, das estranhas casualidades de quem se cruza no meu caminho e se atravessa à minha frente. Importante é o desenvolvimento de cada episódio, as pequenas histórias dentro do grande enredo. Tenho dias em que as histórias são boas e os episódios felizes, tenho outros em me sinto retalhada e atirada aos crocodilos e a esbracejar arduamente pela sobrevivência, prestes a desistir, sem ajuda ou salvação.

Tenho um grande guião iluminado pelos sonhos que persigo, que não quero deixar cair, do qual não quero fugir. Na minha história até há um herói em corpo de homem de mãos grandes e pernas peludas e não um príncipe perfeito assexuado. E esse herói tem uma missão, vai fazer-me feliz. Pelo caminho os pedaços de mim vão ficando algures espalhados por aí, para guardar ou para esquecer, é como quiserem fazer. As boas recordações, as pessoas que passaram no meu coração e souberam deixar marca, que me tatuaram o corpo com beijos e carinhos, que souberam no momento certo abraçar-me e enxugar-me as lágrimas, ou abanar-me e obrigar-me a reagir, rostos de enormes sorrisos, daqueles inesquecíveis, de gargalhadas rasgadas, sonoras, que estremecem uma sala - genuínas como as minhas, que alguns adoram e muitos detestam - ou até recordações já esquecidas daqueles em quem acreditei e me desiludiram, que não souberam ver-me, ou que aproveitaram uma pequena distracção minha para me magoarem, tudo isso fica para sempre.

Acredito na simplicidade do óbvio, valorizo a sinceridade e as palavras simples, cativa-me quem me faz rir e consegue tirar de mim o melhor que tenho guardado. Oculto, só meu. Sou uma mulher de palavras, um gosto-te sincero toca-me mais que um amo-te normalizado, um olhar profundo diz-me mais que um discurso ensaiado, uma surpresa repleta de mistério e aventura faz-me brilhar mais os olhos que a imponência de um anel de brilhantes, fascinam-me os impossíveis, as distancias, fazer do longe perto. Mudar o que era inacessível e inacreditável. Não tenho nuncas, não sei o que são imponderáveis. A vida deu-me tantos abanões e testou-me divertida tantas vezes que sempre que digo nunca, o destino prova-me o contrário e ri-se de mim. 

Sou eu que escrevo a história da minha vida, não deixo que decidam por mim, que me escolham os itinerários e decidam os trajectos, a cada dia acrescento-lhe um capítulo, uma memória, pessoas, gestos, afectos que guardo no mais intimo de mim, só para mim, secretamente. Quero muito a quem me gosta, sou dedicada a quem me estima, desprezo quem me ignora, sou boa observadora, dedicada nos pormenores, atenta, grata pelo que tenho e sobretudo pelo que vivo.

Não há "E foram felizes para sempre". Não acredito nisso. Já acreditei aos 19 anos quando saí de casa. Não importa... sei agora que os sonhos mais loucos se escrevem com a tinta do coração e os momentos mais felizes também. E é a isso que se chama efectivamente viver.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Invisível aos olhos...





É. Tenho saudades.

Tenho saudades do "bom dia" e de me perguntares se estou bem. Sinto a falta que me ligues, só porque te apetece contares-me as mesmas coisas. Tenho saudades que me oiças, quando é a minha vez de ter a cabeça em água. Tenho saudades do teu abraço e do teu cheiro. Sinto a falta do teu beijo e do teu sorriso. Tenho saudades do teu beijo de boa noite e de te dizer que gosto de ti. E de me dizeres que gostas de mim. Tenho saudades de me dizeres que tens saudades. Sinto a tua falta aqui.

É. Tenho saudades.
Tuas.
É. Sinto falta.
De ti.


Rita Leston - Gosto de ti, e então?



ah, a saudade. essa palavra tão portuguesa e sem tradução directa que ninguém consegue definir muito bem o que é, e que para pessoas diferentes tem significados diferentes. para mim significa ausência, falta, perda, distância, dezenas de lugares e milhares de recordações. aquela vontade de estar com alguém que partiu mas deixou muito mais que apenas o estar. não levou tudo o que lhe pertencia, ficou a essência da alma. é o nosso corpo a pedir-nos o lugar para onde quer voltar. dizem por aí que se morre de saudades, mentira. é uma grande treta, vão por mim que eu sei. se se morresse de saudades, há muito que estaria morta.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Realidade...




Sinto a suavidade do mesmo sonho, o odor suave da mesma pele. Trinco os lábios onde reconheço o sabor dos mesmos beijos. Entrego-me ao beijo com os braços, a boca e o coração. Estremeço feliz.

Fecho os olhos e volto a sonhar.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Eu quero é ir...




Lá no grupo de trekking ficou famosa uma frase minha e lema para umas t-shirts que posteriormente mandámos fazer.

Eu quero é ir!

Não interessa se vamos de barco, ou de avião, de trotinete, a nado.
Eu quero é ir!

Não interessa se dormimos em tendas, ao relento em sacos cama, ou em hotéis de 5 *.
Eu quero é ir!

Não interessa se vamos demorar um dia a lá chegar, ou dois por percursos acidentados.
Eu quero é ir!

Porque toda a gente sabe que ir é muito mais divertido que ficar:)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Numa só palavra o resumo de um ano de vida...



Obrigada:))

Obrigada vida, obrigada colegas, obrigada amigos, obrigada família, obrigada meu amor. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Espero que esta maldita chuva passe...



Limpa  as feridas, sacode o vestido, ajeita o cabelo, cospe nas mãos e limpa as lágrimas. Caíste? Tens bom remédio, levanta-te. Dizem que os homens não choram e tu sabes que as mulheres de fibra, aquelas que querem ser mais mulheres que as outras, também não. Tens que manter a pose, endireitar a figura, manter a altivez, virar as costas. Seguir o teu caminho. Continuarás a provar ao mundo que nada te afecta, que tu és tu e os outros são paisagem, que a vida continua em frente e que se sobrevive a tudo sempre. Sobrevives sempre. Ninguém quer saber das tuas mágoas, se a vida te pesa ou é leve, se os teus sonhos explodiram no céu em mil pedaços desfeitos em cores, e brilham lá longe. Distantes.

Vais agarrar-te à tua máxima que somos na vida aquilo que deixamos que ela faça connosco, e tu não vais deixar que ela te leve as gargalhadas únicas, a voz de cana rachada a cantar as tuas músicas nas tuas viagens de carro, as imagens de todas as boas recordações, o teu sorriso doce, e o teu olhar profundo de menina repleto de sonhos. A vida pode retirar-te tudo, dar-te cada vez menos, sacanear-te quando menos esperas, espetar-te espadas afiadas, (as tais que tanto temias) ou atirar-te tijolos repetidamente, mas tu não vais deixar que nada seja tudo. Que o que te falta seja apenas o que tu tens. A vida não pára.

Sorri, sabes bem como mereces ser feliz. 

domingo, 1 de novembro de 2015

Não me chamo Alice...[mas parece]




E agora Alice?
Qual o caminho certo para a tua wonderland? Aquele de à dois passos atrás? Volto para trás? O que deixaste passar porque achaste escuro? O com mais luz? O mais curto? O mais longo? O que só desce? O que só sobe? Aquele que não te pareceu ser sequer um caminho?
Não há caminho?

Qual caminho? (wonderland há, tem que haver)

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Com mil espadas afiadas...




Caminhar sobre uma lâmina afiada é um perigo, quem o faz fá-lo consciente dos enormes riscos. E porque o faz? Porque nos habituamos à adrenalina do jogo e do perigo, ao constante desafio que é manter o equilíbrio e seguir de costas direitas em frente, e depois à forte emoção de prova superada sempre que se consegue ou ainda porque de alguma forma já não somos nós mesmos quando não o fazemos. Mas talvez a verdade passe por inexplicavelmente só conseguirmos ser imensamente felizes quando o fazemos. Tão confusas as razões como a escolha. 

Só um tolo não sabe que quem caminha sobre uma espada afiada ao mínimo tropeção pode ficar sem dedinhos. Coisa pouca ficar sem um, consta que nos pés temos dez.

Auch...


Siga a vida e a festa. Hoje lambo as feridas, trato das mazelas e guardo a espada, amanhã quem sabe... voltarei ao lugar onde sou feliz.
Com mil espadas.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Soubesse eu dizer...




O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minha alma se sentir beijada, aiiii
  
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz

Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz


Ópera do malandro, de Chico Buarque

Soubesse eu dizer claramente tudo o que me vai na alma, ou soubesse eu escrever de acordo com tudo o que penso e tanto que te poderia dizer. Mas não digo. Há muita coisa que guardo para mim e mesmo assim com a noção que cada vez guardo menos. Tens ganho espaço no meu coração e isso é directamente proporcional ao espaço que ocupas na minha casa. Em três anos e meio já conquistaste o direito a uma gaveta na cómoda. São coisas que nem eu entendo. Ando umas mãos largas é o que é. Sinto-me sem noção, e já me perguntei várias vezes o que vou colocar naquela gaveta quando a desocupares? E o que vou fazer a tantas recordações de lugares, momentos, viagens, palavras que ocupaste na minha vida e que não cabem numa gaveta?

Dispo-me para ti, num enorme striptease de emoções, exponho-me como nunca o fiz com ninguém, emocionalmente nua sou apenas eu. Sem máscaras, sem nada a esconder. Sabes mais detalhes de mim - pormenores muito meus, segredos nunca revelados da minha vida - do que a maioria dos que me acompanham há muito mais tempo. Continua. Despe-me com urgência. Quero ser despida, ficar toda nua, vulnerável a ti, e toda tua, nua só para ti.  Eu parte de ti, tu parte de mim. E depois não me deixes ao frio, veste-me com beijos.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Este circo é uma comédia...






"Não te esforces tanto, as melhores coisas sucedem quando menos esperas. 
E tudo o que sucede, sucede por uma razão."

Gabriel García Marquez



Acrobata do amor, trapezista de sonhos, contorcionista no prazer, malabarista de economias, domadora de leões, amansadora de feras, feiticeira de improváveis, devoradora de fogo e de homens. Aqui há animais amestrados, palhaços, alguns ricos outros pobres, mas todos se esforçam por fazer acontecer música e arrancar gargalhadas à plateia. Muitos mágicos, esses os verdadeiros senhores do espectáculo capazes de tirar coelhos da cartola, moedas de trás das orelhas, transformar lenços em pombas vivas e em qualquer segundo acrescentar magia a um universo de impossíveis.  São os meu preferidos. Transportam-me para todo um mundo novo, totalmente desconhecido e arrebatador. Com muito pouco fazem muito. Com uma mão cheia de nada, quase tudo. Basta cerrar os olhos e deixar acontecer. E voar nos sonhos da magia. 

Nuns dias, índios de olhos vendados atiram setas ou punhais que quase acertam na rapariga tímida e desprotegida mas destemida, neste jogo que era para ser a sério mas é a fingir. Ou será o contrário? Nunca sei. Noutros, dias, cowboys de barba de dois dias sacam das pistolas e entram a matar. Raspam orelhas, cortam alças de soutiens, desabotoam botões de vestidos que acabam por cair no chão perante uma assistência em silêncio, boquiaberta, perdida entre o imaginário e o impossível. É preciso esperar. Esperar para ver. A heroína, uma verdadeira artista de circo submete-se ao espectáculo todos os dias e sobrevive. Sobrevive sempre. Não lamenta as nódoas negras, as mazelas que a vida circense lhe vai deixando no corpo. Sai do palco de cabeça levantada e a sorrir, embrulhada no manto de purpurinas brilhantes porque sabe que amanhã é outro dia e haverá outro espectáculo. Agradece os aplausos e corre veloz dali. Feliz, segura do seu destino, da vida que escolheu, da sua coragem e do dever de missão cumprida. Anões, aberrações, elefantes que saltam à corda, macacos de vestido de alças e saltos altos, porcos a andar de bicicleta, cartomantes, videntes, bruxas de vassoura e leitoras de sina são parte do espectáculo. Ai a triste sina.


A vida é um circo.
Bem vindos ao circo.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Coisas mesmo boas. Quando...




Quando ele é maravilhoso! 
E não porque é o super homem ou porque na cama faz mortais encarpados e piruetas conjugadas com triplos mortais e flick flacks à retaguarda só para fazer acontecer magia ou levar-me ao céu. Não, nada disso... Simplesmente porque é ele, porque me faz feliz e porque eu sinto que se esforça mais que muito em me fazer feliz. E essas coisas não se fingem, sentem-se e pronto. Sente-se no corpo, no olhar, nos beijos trocados, na presença, nos sorrisos, na sintonia, nas palavras ditas e até nas que se calam e guardam para não dizer. E quando aparvalhada com o que me aconteceu e que não controlei de todo me pergunto o que me levou a gostar de alguém quando garanto convictamente e muito senhora de mim que isso estava a milhas dos meus planos, quando sempre fugi de relações e ralações, percebo finalmente nestes momentos o que o torna tão especial para eu afinal gostar tanto de andar por aqui.