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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Vais no bom caminho...




Amor não é o queremos sentir.
É o que sentimos sem querer.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Fim de ano diferente, amanhecer diferente...





Do meu fim de ano não existem fotos. Nem uma para contar como foi. Não tive tempo de as tirar. Não fui capaz de suspender o momento para fotografar. Foi um fim de ano mágico. Fiz piscinas para trás e para a frente repartida entre a Serra de Sintra onde estavam todos os meus amigos, a melhor sangria de frutos vermelhos do mundo, o jogo das cadeiras, as macacadas do Tiago, as gargalhadas à volta da fogueira... e outro local do outro lado do rio onde num sitio inacessível se encontrava de serviço a outra metade da minha vida. Há quatro anos que ele passa a noite de fim de ano a trabalhar, em Op e este ano resolvi estar presente à meia noite e passar com ele. Subimos a um local no alto do mundo onde existe um castelo, local com uma vista deslumbrante, só nós e as luzes da cidade ao fundo, o rio à volta a espalhar magia. Levei flutes, espumante, passas, morangos e comemorámos os dois. Sozinhos. Sem vivalma à volta. A beijarmo-nos à meia noite enquanto mil luzes de fogo de artificio brilhavam ao longe em dezenas de pontos da cidade. E depois ainda houve tempo para que o ambiente fizesse acontecer entrarmos no novo ano da melhor forma possível. Inesquecível.

Já tarde, ele regressou onde era suposto estar e nunca ter saído e eu regressei ao local onde me aguardavam os meus amigos. E a noite continuou igual a si a mesma como era suposto ser para cada um de nós em diferentes pontos da cidade - até de manhã.

 Para o ano logo se vê como vai ser.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Mais um ano de vida para mim...




No final de mais um ano de vida chego à conclusão que fiz uma série de coisas que queria muito, viajei, vivi a vida como gosto ao sabor de muita diversão e prazer pelas pequenas coisas, saí tudo o que quis, mantive os mesmos amigos, conheci pessoas novas, arranjei novos amigos, e envolvi-me de razão e coração num novo amor que estou ainda a descobrir. Aquele que apesar de todas as tempestades e do mar revolto que ambos somos tem insistido em mim e tem-me dito espera, não desistas já de mim. Contamos já com alguma coisa vivida, muita coisa partilhada e sobretudo muitos bons momentos. Faltam coisas. Sinto que faltam. Faltam gestos. Faltam palavras. Deixo-me ir saboreando a viagem e sem pensar muito para onde vou. Ou para onde a vida me leva.

Depois de mais um ano vivido o balanço é positivo. Cada dia valeu a pena, felizmente muito mais coisas boas que más, algumas coisas totalmente novas experimentadas por mim, vida cheia de vida participada activamente, com muitos riscos, algumas situações de ter que activar o pára-quedas de emergência para não me estatelar no chão, sobrevivência pura, adrenalina total, e uma boa capacidade em transformar desvantagens iniciais e claras zero hipóteses de ser bem sucedida, em mudanças radicais e vantagens para mim. Mudei muita coisa. Mudei eu também. Sinto-o. Aquela frase batida que a vida nos ensina a crescer e cada pedaço do que somos depende do que vivemos, começo a acreditar que é verdade. 

Consegui ser feliz. Essa é a verdade final que guardo para mim. Concretizei sonhos, acrescentei viagens, conheci muitos e novos lugares, risquei metas, atingi objectivos. Perdi também. Perdi amor, perdi pessoas.  Aprendi a perder. Ergui os braços, arregacei as mangas e fui à luta. Procurei o que achei que me faria feliz. Com muito pouco e sem grande dúvida com muito menos do que a maioria das pessoas consegui transformar o pouco em muito, e o muito em tanto. E tanto é imenso. 

Sendo assim, ergo a minha taça à vossa saúde, à nossa.

 E venham de lá mais uns quantos anos que eu adoro viver.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Coisas que me ocorrem depois de uma visita a Berlim...

A cidade é gigante. Tem uma rede de transportes fabulosa, o comboio suburbano, o comboio urbano e o metro entrelaçam-se numa rede funcional que permite ir do centro de Berlim a qualquer lugar da periferia como por exemplo Schonnefeld (um dos aeroportos) Tempelhof um antigo aeroporto desactivado e que servia em comum as duas Alemanhas divididas (um lugar giro de visitar) ou Postdam e os seus palácios e que era a zona da residência de férias do rei Frederico e fica já na floresta.

Tudo é cuidado, bonito, limpo. O policiamento das ruas é uma constante e há milhares de cameras por todo o lado, temos sempre a sensação de estarmos constantemente a ser observados, são um pouco paranóicos com a segurança até. Quanto ao povo alemão é um povo que gosta do turismo pela riqueza que gera ao país mas não gosta de nós turistas em particular. Olham-nos de lado como se fossemos uma raça a extinguir. É uma sensação estranha e foi a primeira vez que senti isto depois de já ter visitado mais de vinte países e muitas capitais europeias. Há algo que se me escapa. São desconfiados e muito antipáticos, mostram enfado e até algum desprezo cada vez que se pede uma informação.

Visitei Berlim dez dias antes do Natal. Os mercados de Natal, as luzes e a animação das ruas são uma constante e uma experiência inesquecível, a guardar para sempre, e para mais tarde recordar. Experimentei vinho quente com canela, e bebi várias das marcas das cervejas nacionais. São praticamente sem álcool e consegui beber 3 canecas de meio litro cada sem ficar a trocar o passo, o que para mim é de todo uma coisa rara e nunca vista, impensável sequer por cá já que ao fim da terceira imperial de apenas 20 cl arrumo as botas com risco de ficar tonta.

A história da cidade é devastadora e ao mesmo tempo impressionante. Berlim foi totalmente arrasada, ocupada, dividida e depois como que por milagre reconstruída, reerguida e renascida para os mercados económicos, para o turismo e para a finança. O edifício Sony na Sony Plaza é gigante, o Mercedes Arena maior que um estádio de futebol, o Forum Volkswagen uma lição de história e de engenharia, e por aí fora. A Porsche, a BMW and so on. A dimensão do muro de Berlim (155 Km) e a divisão da cidade deixam-nos a pensar como é que foi possível aquilo. 

Deixo aqui alguns dos locais que me marcaram.


Sony Plaza - Postdamer Platz- Berlim
Christmas Time
Berlim Televison Tower - Berliner Fernsehturm
Vista do alto dos 262 metros da Torre de Berlim
Berlim Wall - East Side Gallery

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

De são e de louco todos temos um pouco...




Enquanto houver um louco, um poeta e um amante haverá sonho, amor e fantasia. E enquanto houver sonho, amor e fantasia, haverá esperança.


William Shakespeare.


Estou a ir para mais uma semana de férias. Vamos juntos para Berlim. Eu e o matraquilho azul. Levamos a mala cheia de roupa quente, camisolas, cachecóis, gorros, meias de lã, ele leva até collants de malha tipo ceroulas que costuma usar no inverno debaixo das calças da farda (hihihi o que eu já me ri) mas acima de tudo levamos o coração cheio de sonhos. Queremos ver, sentir, viver. Queremos aproveitar, absorver, e guardar o máximo de tudo para sempre. Haja o que houver - percam-se as pessoas, perca-se o amor - os lugares, os momentos, as oportunidades ficam gravadas na memória e no coração para sempre. Não guardo pedras do caminho, essas arremesso-as à tola de quem mas coloca lá para eu apanhar, guardo com carinho tudo o que vivo e felizmente tenho tido uma vida cheia da qual me orgulho, e basta-me fechar os olhos por um segundo para conseguir ser teletransportada para qualquer um dos lugares onde já fui incrivelmente feliz. 

As Highlands na Escócia, a chuva miudinha constante, as ovelhinhas pela imensidão de pastos verdes, os bares aquecidos, as minhas gargalhadas felizes. Ou Paris e um beijo na boca, intenso, na avenida dos Champs Élysées debaixo dos flocos de neve que caiam, o quente do beijo, o frio da neve, a dormência dos lábios. Ou os fins de tarde numa varanda de um aparthotel num chalet de montanha na Suiça a contar anedotas, a repartir vida, a ver videos de quedas e a rir, enquanto as cervejas enterradas na neve lá fora aguardavam por mais uma rodada partilhada. Sempre a vida a seguir o seu curso, sempre o amor presente em cada detalhe do que vivo. Sempre a vontade de conhecer mais e viver mais.

Irei escrever mais um capitulo, irei acrescentar mais uns bons momentos ao meu percurso. Irei de certeza fazer feliz e ser feliz. Vou voltar com a vida mais cheia.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Cruzes, credo!




Cá em casa os objectos deslocam-se. Está provado e comprovado.

Depois de uma noite daquelas, muita chuva lá fora e muito calor cá dentro. Demasiado agitada, longa, absolutamente fantástica, a minha cama tinha-se deslocado meio metro da parede. 

Meio metro????? 
Como é que isso é possível?
Pois.

Cenas do além.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Previsão meteorológica para os próximos dias...





Bastante frio, mas o sol vai dar um ar da sua graça e chuva vai estar ausente. O coração vai estar quente e as gargalhadas vão soprar com intensidade. A felicidade vai ser constante e animar os dias com boas abertas. Os beijos... bom esses vão ser a escaldar. Esperam-se temperaturas tórridas todos os dias depois do anoitecer.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Asas servem para voar*....








Asas servem para voar,
Para sonhar ou para planar,
Visitar, espreitar, espiar,

Mil casas do ar.

As asas são para proteger, 
Te pintar,
Não te esquecer,
Visitar-te, olhar-te, espreitar-te

Bem alto do ar.

E só quando quiseres pousar,
Da paixão que te roer,
É um amor que vês nascer,
Sem prazo, idade de acabar.

Não há leis para te prender
Aconteça o que acontecer.

Asas - Gnr


Não me importo com o amanhã, não me ralo com o depois, não quero saber de como será, ou até se será, ou se vai ser. Não conjugo verbos no futuro e não faço planos. Não quero saber da eternidade, nem do para sempre, nem o que posso perder ou se amanhã o que procuro ainda existe. Tenho medo mas não deixo de arriscar, tenho plena consciência do enorme risco, e a certeza absoluta que provavelmente no final disto tudo vou sofrer. Continuo igual a mim mesma, a escolher o mesmo formato de "eles" com todos as qualidades e defeitos que sei que têm, a dar o melhor de mim, a cativar e a deixar em êxtase mas também a cometer os mesmos erros porque há coisas que não mudam. 

Escolhi-te. Escolheste-me. Não sei se necessariamente por esta ordem. Talvez. Comprámos bilhete para uma viagem a dois. Voltas e voltas a uma rotunda, lugares onde já tive, saídas que já conheço mas também placas toponímicas que assinalam saídas que nunca visitei. Tu complicas, eu descomplico. Tu asseguras tranquilidade e fazes juras eternas, eu rio e desconfio. Tu analisas-me a cada instante, é algo teu. Descobres-me, eu fecho-me e fujo. Confio sempre muito pouco. Tu estabeleces o contacto, incentivas a confiança, fazes a ponte, estendes as mãos. Sou teu miúda. Às vezes brinco e pergunto-te: Onde é que aprendeste a mentir tão bem? Assobio para o lado, finjo que não percebo. Sem expectativas, zero planos a dois, sem lugar a decepções. Voluntariamente, conscientemente.

Deixo-me apenas ir. Porque hoje é hoje e foi incrivelmente bom. Porque ontem foi ontem e cada segundo valeu a pena. Porque já me conseguiste surpreender uma e outra vez. Ontem mais uma vez. Literalmente fizeste-me voar num bailado nesses teus braços musculados, voei em contramão por uma sala cheia de gente, redopiei como se tivesse asas e não fosse possível parar, dancei e amei-te, e naquele instante o infinito do azul do céu foi meu. Foram minutos mas fizeste acontecer magia.

Vou mergulhar de cabeça no que acho que vale a pena. Tenho asas e asas servem para voar. Perigosamente acho eu.

domingo, 13 de novembro de 2016

Juras de amor...





tira a mão do queixo, não penses mais nisso

o que lá vai já deu o que tinha a dar
quem ganhou ganhou e usou-se disso
quem perdeu há-de ter mais cartas para dar.




e enquanto alguns fazem figura
outros sucumbem à batota
chega aonde tu quiseres
mas goza bem a tua rota



enquanto houver estrada para andar
a gente vai continuar
enquanto houver estrada para andar



enquanto houver ventos e mar

a gente não vai parar

enquanto houver ventos e mar

A gente vai continuar - Jorge Palma


- Sabes uma coisa? Era bem capaz de te amar para sempre se tu deixasses.
- Enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar. E daqui ( eu a pôr a mão em jeito de pala sobre os olhos) vejo uma imensa estrada para andar.


Enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar, contra ventos e marés, contra tempestades e distancia, contra horários esquisitos e folgas inconciliáveis. Enquanto houver estrada para andar. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Postais de dias felizes...








-É pecado sonhar?
-Não. Nunca foi.
-Então porque essa divindade nos dá golpes tão fortes de realidade e nos parte os sonhos?
-Divindade não destrói sonhos. Somos nós que ficamos esperando ao invés de fazer acontecer.

Don Casmurro - Machado de Assis


Porque às vezes a cor não importa.  O cinzento do céu e o negro quase carvão da água do rio não significaram vida a preto e branco e dias marcados por diferentes tonalidades de cinzento. 
Foram dias de gargalhadas e de sorrisos coloridos de todos os tons do arco-íris. Foram dias azul turquesa da cor do mar e das férias incríveis que planeámos a dois assim do nada deitados na espreguiçadeira de mão dada a sonhar, ou Amarelo Berlim daqui a 3 semanas, ou Branco da cor da minha neve e em breve nossa neve, ou Vermelho da cor do meu casaco comprido que levei ao nosso jantar e tu tanto gostaste, ou o Verde mais belo - da cor dos teus olhos.

Foram dias cheios de cor.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Beijos roubados...


A legal kiss is never as good as a stolen one

Tarefa agendada para hoje; fora do horário de expediente, late hours, acompanhada de um memorando gigante de todas variantes que devem acompanhar a execução correcta da dita tarefa. Sem margem para erros, sem pausas para descanso, possibilidade de realização de horas extraordinárias - extra horário de expediente, sem direito a greve ou reivindicação de direitos adicionais. Trabalho árduo, complexo às vezes, mas quase sempre bem sucedido e de sucesso garantido. 

Uma vez disseram-me "um beijo é o cartão de visita de um homem", queira entrar então por favor, é meu convidado.

Vou de fds...isso mesmo à terça feira, leram bem...






Trabalhei a semana inteira yeeeeh, quero ir para a brincadeira yeeeeh... e tenho disponíveis duas folgas. Duas folgas???? Quê lá isso? Isso existe? Coisa rara e nunca vista mas parece que sim, que os meus deuses andam loucos, uns mãos largas, a darem e darem de mão cheia, a duas mãos. Devido a tanta benesse eu vou mesmo ter duas folgas seguidas, inteirinhas para usar e abusar. Como o universo anda a favor, os ventos de maré, e os vendavais que conspiravam contra mim cansados e de costas voltadas, o rapaz aqui de casa como que por milagre e num brutal passe de mágica combinados e em extrema sintonia também conseguiu uma folga e uma troca de serviço, e vamos mesmo de fim de semana a meio da semana, duas noites inteirinhas para bem longe daqui. 

Tenciono curtir a companhia, desvendar um mundo imenso de palavras por dizer, além de usar e abusar dos verbos descobrir, aventurar, dar, amar, usufruir, deleitar e claro receber. A paisagem estará lá, igual a si própria, pintada de sol ou nuances de aguaceiros, repleta de luz natural e das calmas águas do rio e da barragem. Só para nós. Ali no encantamento de fazer acontecer magia.

Volto daqui a dois dias. A transbordar de felicidade. Espero eu.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Como aparvalhar uma miúda em dois passos...




Eu queria dizer que não
Mas estou contigo.

Eu queria dizer que não
Mas não consigo.

Eu queria dizer que não.

Dengaz



O primeiro passo é dizer-lhe olhos nos olhos, mãos nas mãos e com a voz mais decidida e convicta que conseguires; quero que saibas uma coisa que acho que ainda não sabes ou ainda não percebeste bem, eu não ando aqui a passar tempo, eu amo-te mesmo miúda. Assim de chofre. Tipo toma lá e aguenta-te.


Depois quando estás de boca aberta, em estado quase catatónico, versão ameba mole sem coração e sem órgãos, ele parar de falar, olhar para dentro dos teus olhos novamente, profundamente, como que a vasculhar-te a alma e a sacudir as teias de aranha e os grãos de pó que ainda acumulas no sótão das emoções e dizer-te: eu sei que tu não me amas, que para ti estamos no patamar de curtir uma cena, aproveitar o hoje, passarmos uns dias bacanos e apreciarmos o óptimo sexo, mas se mudares de ideias mete nessa cabeça que eu estou aqui para ti e que por acaso até te amo. Só mesmo para saberes. Pode interessar-te. 

Não me sai nada. Digo-lhe apenas baixinho - Gosto tanto, mas tanto de ti. Abraço-o como se o mundo parasse.

Ai a porra.
Eu já quis fugir. 
Eu já quis dizer que não, mas já não consigo.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Too much butterflies...





Por aqui o amor anda no ar, sobrevoa o meu coração, e faz com que as atrevidas das hormonas femininas andem aos saltos com direito a borboletas e tudo. Tudo é perfeito, belo, e a vida parece um conto de fadas. Porque as coisas até rolam, a vida anda, a fila também, as voltas à rotunda são cada vez melhores, com mais paisagem, mais demoradas e à descoberta do "sermos casal" ao virar de cada curva. Não vejo stress nem transito, só uma agradável aventura a dois, em passeio. Não prevejo saídas no final de cada volta, nem stops, invade-me uma sensação de bem estar e sinto-me cada vez melhor, já não me amedronta o pára agora e fica aqui, ou o segue e prossegue com confiança. Estou a pouco e pouco a largar o medo muito por culpa dele. Trabalho bem feito, ou ele não soubesse do métier de controlar trânsito e orientar rotundas. Tenho de frente para mim um semáforo que me diz avança, vai em frente, sou verde esperança e tu tens pouco a perder.

Os passarinhos cantam, chi-ri-pi-ti, chi-ri-pi-ti, pi-ri-piu-pio, pi-ri-piu-pio e fazem os ninhos com pauzinhos. As gatinhas fazem miaauuu, ronronam e esfregam-se nos gatos que ficam de pêlo eriçado. As abelhinhas voam de flor em flor, beijam todas as que lhe aparecem pela frente e saem felizes, doces e lambuzadas para fazer o mel. Nós abraçamo-nos e fazemos o amor. Noites a fio até que exaustos vemos nascer o dia. Perguntamo-nos todos os dias, temos mesmo que ir trabalhar? Não podemos ficar aqui? Ou dizemo-nos olhos nos olhos, habituava-me a isto, sou tão feliz aqui. Besuntamo-nos de palavras a escorregar de azeite, e trocamos promessas que só o tempo se encarregará de fazer cumprir.  

Tudo me parece perfeito, até o amor. 

Será que é?

domingo, 30 de outubro de 2016

Vamos BRINCAR a aterrorizar amigos porque o que está a dar é animar a malta... tristezas não curam doenças, não pagam dívidas e não trazem amigos ou amor.



Era uma vez uma múmia ensanguentada que andava à deriva pela floresta sem rumo e sem destino, 



pelo caminho encontrou um palhaço assassino que a perseguiu com um machado afiado,




enquanto a noiva cadáver de cabeça semi decapitada sacudia o vestido e se ria a bom rir.


O seu riso acordou a morte e agitou a capa do Drácula que de imediato mostrou a terrível dentuça e desatou a querer morder o pescoço das lindas donzelas à volta. Atrevido o menino Drácula.


Houve ainda um Saw e o seu triciclo, um lobisomem a devorar um joelho de porco, uma bruxa, e é claro - a famosa menina do exorcista em pé numa cama.


Só consegui tirar algumas fotos porque no meio da Serra de Sintra por caminhos de vegetação cerrada, a passar por cima de troncos caídos, subir a pedras, enfiada em casas abandonadas e iluminada apenas pela luz da lua tive muito mais entretida a perceber por onde ia, e onde punha os pés antes que acabasse sem os dentinhos da frente que por acaso até me fazem muita falta.



Foi super divertido. Ri-me até me doer a barriga, e a pedir a todos os santinhos amigos parem com isso por favor!  As nossas gargalhadas e gritos assombraram a serra e acordaram as alminhas abandonadas que por ali vagueavam. Fazemos uma equipa brutal. Já é o terceiro ano que fazemos isto e cada vez estamos mais criativos e empenhados. Para o ano cá estaremos, haverá mais, e quem sabe melhor.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Brevemente...


Berlim



e isto...

Sachsenhausen




 e isto...

Potsdam











Foi meio ano de volta disto. Era, vai não vai.
Já está!

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Ando ocupada...








Este ano vai ser muito pior ainda, andamos nos preparativos há semanas, demasiado ocupados a consultar sites, a retirar ideias, a programar o percurso e a inventar máscaras. E vai ser brutal. Muito melhor e mais completo que no ano passado. Já temos um saco de falecidos, já temos uma armação de dentista (é horrível) e uma máscara de Saw e Hannibal Lecter. Somos doidos é verdade mas somos divertidos e cada reunião é uma barrigada de riso. Só preparar isto tudo, cada detalhe, cada pintura, já enche de gargalhadas a alma. Vale a pena cada segundo.

Começámos por criar um percurso na floresta, desbravar terreno até se for caso disso, encontrar uma casa abandonada, etc, dividimos em seguida o percurso em zonas, de 1 a 5, cada zona tem um responsável que escolhe os elementos que vão trabalhar consigo, o tema e as máscaras que querem. A parte gira é que eu sou da zona 1 conheço o que se vai passar aí mas quando atravessar a zona 2 e as restantes zonas vou ser completamente surpreendida e aterrorizada. É bonito de ser ver. Uiiiii.

No entanto este ano há outra grande novidade a acrescentar às novidades das diferentes máscaras, vou levar comigo o matraquilho azul, o cabeçudinho cá de casa e finalmente  e depois de muita insistência do pessoal apresentá-lo aos que faltam dos meus amigos. Temos um código de aprovação entre nós, muito simples, elementar, e comum a todos os novos elementos que surgem pelas mãos delas ou deles no nosso grupo de amigos, igual para ambos os sexos. Se for aceite pelo grupo é tratado pelo nome, se não for aceite é inventada uma alcunha das mais estranhas que possam imaginar, o ultimo que por lá apareceu, ex-namorado da minha amiga Sónia era o Juvenal, mas já tivemos um Ambrósio, um Hilário, uma Miss Tremoços e uma Claudette. 

A parte mesmo boa é que vou ser aterrorizada pelo pessoal mas vou ter um braço ao meu lado para me agarrar e um guarda pessoal para me proteger (espero eu). E isso é muito bom.

sábado, 22 de outubro de 2016

Amor com A grande, e orgasmos atrás das orelhas...





É quase Natal  e eu hoje vou contar uma história de amor, com A grande, verdadeira, e daquelas à séria. Porque me apetece.

O Pedro tem 34 anos é bancário vai para o trabalho num vulgar dia de semana como são quase todos os dias de manhã, saiu de casa dos pais onde mora e de repente em plena IC19, cai-lhe um viaduto pedonal em cima... assim sem mais nem menos, vindo do nada, sem culpa, sem razão, sem ninguém perceber. Apenas um acaso daqueles inexplicáveis, e por um mero acaso o Pedro vai para o sitio onde trabalho e entra na Unidade de Trauma onde é assistido e onde passadas muitas horas e muitos exames complementares de diagnóstico é informado pela especialidade de Vertebromedular que tem secção de medula e que vai ficar paraplégico. Brutal e sem papas na língua.

Esta história é vulgar. Nada de novo por aqui. O invulgar surge depois. Já ouviram falar de histórias de amor entre médicos e enfermeiras, fruto de muitas séries e ficção, esqueçam tudo o que viram, eu em 20 anos de profissão juro que nunca vi nenhuma. Esta é uma história de amor entre uma enfermeira e um doente, linda, perfeita, e porque ainda perdura, todos os dias é-lhe acrescentado um dado novo. A minha colega Ana Joana acompanhou o Pedro no internamento prolongado já noutro hospital (o da área de residência), nos tratamentos longos no centro de reabilitação, ajuda-o, ensina-o a sobreviver, anima-o, ouve-o, acarinha-o e a magia acontece, aquela coisa inexplicável quando dois seres se apaixonam. 

Acabam por viver juntos e a Ana adapta a casa, manda colocar uma rampa na entrada do prédio, pegas de suporte na casa de banho, com adesivo marca um quadrado no chão junto à cama onde todos os dias devem ficar colocados os sapatos do Pedro para que de manhã se consiga calçar para ir para o trabalho, porque se ficarem por exemplo mais de lado ou debaixo da cama ele já não os alcança, colocou um banco dentro do poliban para que o Pedro tome o seu duche sentado e como enfermeira que é ensinou-lhe a entrar na casa de banho de forma autónoma e a usar um catéter vesical 3 vezes ao dia para que não ande algaliado e de saco de urina preso à perna.

Cada dia é uma vitória, cada dia o rosto da Ana ilumina-se com pequenas batalhas vencidas, uma a uma, pouco a pouco, numa luta imensa contra as dificuldades. Somos mulheres, somos muito amigas, demasiado cúmplices na equipa e somos enfermeiras, temos este à vontade de falar de tudo naturalmente, sem subterfúgios, meias palavras ou malícia. Sabemos como a Ana e o Pedro se tocam, o que cada um faz ao outro para conseguirem ter prazer, do uso de brinquedos eróticos, e estamos a par do carinho e generosidade do Pedro e das suas profundas limitações também. O Pedro está paralisado da cintura para baixo, com total perda de sensibilidade e com todas as implicações que isso tem, mas é o tal para ela.

Hoje a esta história de amor acrescenta-se um precioso dado novo. Aquele que poderá fazer toda a diferença. A Ana Joana tem 40 anos e já algum tempo que sonhava, num sonho vago e demasiado longínquo em ter filhos biológicos, e como por magia tornar o Pedro pai. Hoje entrou no serviço radiante, de olhos felizes e dou com ela a mexer no armário das seringas e a dizer: Vou levar daqui 3 ou 4 seringas de 20 cc, estimulei o Pedro no pescoço, na nuca e nos lóbulos das orelhas e consegui que ejaculasse, com estas seringas vou recolher o sémen e introduzi-lo em mim para ver se consigo desta forma engravidar. 

Olhei para ela, abracei-a... ai miúda, Deus queira que consigas, um amor desses deve poder tudo porque só os amores com A grande são como o teu.

Que fizeste ontem AC?

A simplicidade disto. 
Acompanhada de amigas. Uma "girls night out". E não foi bom, foi super bom!










Às vezes...


Às vezes não sei o que queres e digo ok.
Às vezes não sei o que faço e tu tá bem.
Às vezes fazes de propósito, eu sei.
Uma vez não são vezes e eu não digo a ninguém. 

shhhhhhh.... 
eu não digo a ninguém, 
que me queres e preferes aos outros que tu tens.
Eu sei que é difícil quando o clima é propício,
controlares esse teu vício que tens por mim desde o início. 
ok.

Eu quero e faço por isso e tu queres um compromisso.
E eu sou mais de improviso e tu só queres ficar bem.
E ficas doida comigo porque tens noção do perigo,
mas eu não sei se consigo dar-te tudo o que tenho. 

Sabes que te quero embora seja às vezes. 
Tento ser sincero, só que tu não me entendes. 
Não tenho culpa, mas não sinto o que tu sentes. 
Hoje ficas cá em casa, uma vez não são vezes.


D.A.M.A. - Às vezes

domingo, 16 de outubro de 2016

Será que é amor?




bate que bate no peito o tambor
o que será que me deu?
será que fui morto em combate?

Ou será amor?

desce no peito um frio, um calor.
o que será que me deu?
será falta de chocolate?

Ou será amor?

só sei que até as buzinas da hora de ponta parecem cantar
e até o cheiro a gasolina emana um aroma de rosas no ar

e o shopping dos olivais lembra as luzes de Paris
e até nas capas dos jornais vem que afinal, o mundo é feliz

 O mundo é feliz

dá-me um achaque, um batuque, um ataque
que piripaque me deu?

será que tou tendo um chilique?

 ou será amor?

ataca a espinha e rouba a retina
acelera o coração
será que sai com aspirina? 

ou será amor?

só sei que até as cantigas que tocam na radio apetecem cantar.
e as ervas daninhas da berma da estrada parecem jardins ao luar
e a cantora do show da manhã tem a voz que nem Elis
e o homem do telejornal diz que afinal o mundo é feliz 

O mundo é feliz.

Será que é amor  - Miguel Araújo
...
Boa noite. Sinto tanto a tua falta. 
Adoro-te miúda bate soca.

Bom trabalho. Toma conta de ti. Abre bem os olhos.
Adoro-te miúdo bate bota.