Estou demasiado ocupada a lutar por ser feliz, a fazer apostas múltiplas no jogo do amor. É um jogo de sorte ou azar, é uma jogatina complexa, inesperada, e que me deixa o coração em franja. Comecei por apostar e perder, comecei por insistir no mesmo número e ganhar só de quando em vez. Mas a pedido nunca desisti - essa conversa de desistir de alguma coisa que se quer muito é para meninos. Todos os dias recordo de quanto vale o prémio do meu esforço porque há pessoas por quem vale a pena investir. Começo a receber frutos dos meus modestos investimentos já que sou uma jogadora cautelosa que aposta com medo do grande risco. Medo de perder. Fruto de demasiadas perdas. Sim, também eu tenho dificuldade em ir a jogo. Ganho hoje muito mais vezes do que antes, e todos os dias aposto um pouco mais, e no final recebo prémio certo. Só ainda não recebi o prémio total. Se é que isso existe, claro está!
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sábado, 11 de fevereiro de 2017
Jogo de sorte ou azar...
Estou demasiado ocupada a lutar por ser feliz, a fazer apostas múltiplas no jogo do amor. É um jogo de sorte ou azar, é uma jogatina complexa, inesperada, e que me deixa o coração em franja. Comecei por apostar e perder, comecei por insistir no mesmo número e ganhar só de quando em vez. Mas a pedido nunca desisti - essa conversa de desistir de alguma coisa que se quer muito é para meninos. Todos os dias recordo de quanto vale o prémio do meu esforço porque há pessoas por quem vale a pena investir. Começo a receber frutos dos meus modestos investimentos já que sou uma jogadora cautelosa que aposta com medo do grande risco. Medo de perder. Fruto de demasiadas perdas. Sim, também eu tenho dificuldade em ir a jogo. Ganho hoje muito mais vezes do que antes, e todos os dias aposto um pouco mais, e no final recebo prémio certo. Só ainda não recebi o prémio total. Se é que isso existe, claro está!
terça-feira, 29 de novembro de 2016
A pulsar...
Vive a tentar realizar muitas das coisas com que sempre sonhaste e não te sobrará tempo para te sentires mal.
Richard Bach.
Pulsar é uma estrela de neutrões que emite um fluxo de energia constante e essa energia é concentrada num fluxo de partículas electromagnéticas. Quando a estrela gira, o feixe de energia é espalhado no espaço como o feixe de luz de um farol.
Uma luz intensa, brilhante.
...
Ou na forma verbal significar ter coração, batimentos cardíacos, vida, palpitar.
Ou revelar energia, mostrar-se vivo, dinâmico.
Ou simplesmente apenas intuir, perceber.
...
Só que não...
Pode ser muita coisa. Pode ser outra coisa que só eu entendo.
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Chamava-se Passado...
Talvez a gente esteja no mundo para procurar o amor, encontrá-lo e perdê-lo, muitas e muitas vezes. Nascemos de novo a cada amor, e a cada amor que termina, abre-se uma ferida.
Estou cheia de orgulhosas cicatrizes.
Isabel Allende
...
Ela quis muito chamar-lhe presente, insistiu com muita força, durante muito tempo e até ao final. Ele manteve-se constante e teimou em lhe chamar passado.
Nasceu assim, passado de nome.
Morreu assim, passado no presente.
terça-feira, 13 de setembro de 2016
Mais ou menos uma ou duas coisas que não entendo...
A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.
A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.
A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos...
Tudo bem!
O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum... é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.
Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.
Chico Xavier
já fui demasiado tempo quase. quase que fomos apaixonados, quase que estivemos juntos, quase que o mundo foi nosso, quase que realizámos todos os nossos sonhos. quase que era impossível ser-se mais feliz. quase de tanta coisa. só não fomos quase amantes. não fomos quase amigos. não fomos quase felizes. e não fomos quase nós. fomos de verdade isso tudo. quase tudo e quase nada. nada de quase tudo.
estranho-me...
agora quero tudo. sôfrega do que deve ser meu por direito. não quero nada mais ou menos. quero tudo mais porque é o que quero para mim. porque é o que mereço. e porque não me vou contentar com menos. exijo tempo. estabeleço regras e não abdico de nada que eu sinta que preciso. e ele tenta, ele cede, ele deixa-se ir. faz o melhor que pode pelo imenso quase.
e agora que posso ter mais, quase tudo, tanto de todo o quase, mantenho ainda a vontade do que já foi tanto mas muito menos. e isso é que eu muito menos entendo.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Com mil espadas afiadas...
Caminhar sobre uma lâmina afiada é um perigo, quem o faz fá-lo consciente dos enormes riscos. E porque o faz? Porque nos habituamos à adrenalina do jogo e do perigo, ao constante desafio que é manter o equilíbrio e seguir de costas direitas em frente, e depois à forte emoção de prova superada sempre que se consegue ou ainda porque de alguma forma já não somos nós mesmos quando não o fazemos. Mas talvez a verdade passe por inexplicavelmente só conseguirmos ser imensamente felizes quando o fazemos. Tão confusas as razões como a escolha.
Só um tolo não sabe que quem caminha sobre uma espada afiada ao mínimo tropeção pode ficar sem dedinhos. Coisa pouca ficar sem um, consta que nos pés temos dez.
Auch...
Siga a vida e a festa. Hoje lambo as feridas, trato das mazelas e guardo a espada, amanhã quem sabe... voltarei ao lugar onde sou feliz.
Com mil espadas.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
O meu lado de Padeira de Aljubarrota veio ao de cima...
Quem luta sabe à partida que lhe pode chegar a morte.
Um dia.
Quem não luta para mim já está morto.
Nesse mesmo dia.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Sem sentido...
Atenção.
Sentido.
Em sen-ti-do soldado!
Direita.
Volver.
Marche.
Alto.
Em frente.
Meia volta.
Volver.
Ordinário.
À vontade.
Destroçar.
em sentido mas sem sentido, volvida nas voltas da vida. meia volta, volta e meia. sem direita, sem esquerda. em círculos. marcho em frente como consigo. dois passos à frente, um passo atrás. sem parar. sem vontade. desistir é para meninos. destroçada.
terça-feira, 14 de abril de 2015
Breve, brevíssima assistolia...
A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver.
José Saramago
Falha do ritmo cardíaco, interrupção da actividade eléctrica do músculo cardíaco e consequente paragem cardiorespiratória observado pela linha isoeléctrica presente no monitor cardíaco e detectado na ausência de pulso. As causas podem ser diversas, mas é possível reverter a situação com manobras elementares de suporte básico de vida ou com recurso a equipamento de suporte avançado de vida. E claro muitos fármacos. Adrenalina e a Noradrenalina. Porque será que a Adrenalina e a Noradrenalina são o estimulo que faz mexer a vida, controlar os batimentos cardíacos, estimular os neurotransmissores do humor e da felicidade e decidir da vida ou da sobrevida ou até da não vida?
Deve haver uma explicação para que não se possa viver sem adrenalina nas doses recomendadas. Nem sempre o esforço resulta, mas vale pelo que a vida representa e porque desistir é sempre muito pior que lutar. Morre-se mas com a sensação de dever cumprido, lutou-se até ao fim.
Janelas abertas ao que a vida me oferece. E tenho tanta coisa para viver e tanta vontade de o fazer.
A coisa, das coisas que afinal somos...

Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.
José Saramago
A coisa que somos e que só nós entendemos ser, nem sempre é bem a mesma coisa que os outros entendem de nós. E por muito que nos esforcemos raramente correspondemos às expectativas do que os outros esperam, ou ao que os outros querem de melhor para nós. Se tivesse a capacidade de seguir bons conselhos talvez na vida tivesse poupado metade dos tombos e das feridas que trago marcadas no corpo mas seguramente teria vivido muito menos, ou teria tido os picos de felicidade incríveis que já tive, e certamente não teria tido os momentos únicos, tão especiais que guardo só para mim. Conscientemente fiz sempre o que naquele momento me faria feliz, e por muito que queira mudar, a coisa que eu realmente sou não me deixa ser aquilo que os outros gostavam que eu fosse e que de fora com uma percepção nua e crua do que me rodeia vêem, e com outros olhos, metade da visão, ou lentes bi focais analisam o que eventualmente eu poderia ser. Uma coisa é certa, jamais seria feliz vivendo como não sou.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Por 15 cms apenas... História de Natal.
Era uma vez um General colocado num determinado quartel que aterrorizava todos os subalternos e mantinha em linha rígida todos os seus inferiores que por acaso eram todos os que existiam por ali e que estavam sob o seu comando. Autoritário, arrogante, maldoso, pronto a lixar cada um individualmente e todos em geral. Dele contam-se historietas terríveis. Um dia na Véspera de Natal e quando o Primeiro Sargento Massapão (achei piada ao nome) já ia a caminho de Coimbra com a mulher e os filhos todo contente no seu belo carrinho carregado de presentes e armado em Pai Natal; liga-lhe o dito senhor que precisava dele no tal quartel para lhe comunicar uma ordem urgente de serviço a implementar no inicio da semana. Sim meu General. Vou já para aí. Lá deu a volta ao trenó do Pai Natal, engoliu o Jingle Bell e de rabo alçado o nosso Primeiro sargento Massapão fez 200 quilómetros de regresso ao quartel. Reza a história que esperou e esperou, e quando eram quase onze da noite e já cansado de esperar resolveu timidamente ligar ao tal General a perguntar se sempre vinha como o combinado para lhe comunicar a ordem urgente de serviço a implementar, ao que o outro matreiro lhe respondeu a gozá-lo - Hoje? Você percebeu que era hoje? Hoje não. Hoje é véspera de Natal. E desligou-lhe o telefone.
Esta foi uma das histórias. Há muitas. Diversificadas e quase todas de muito mau gosto, em gozo puro e em total desrespeito pelos seus homens e pela família dos seus homens em que a palavra humilhação se sobrepõe a todas as hierarquias. What goes around comes around é certo e sabido, e a vida mal ou bem, mais depressa ou mais devagar, encarrega-se de repor a correcta ordem das coisas.
Um dia estava o dito General a sair do quartel, à civil, sem a roupa que lhe dava a importância que ele achava que tinha e que pensava que toda a gente lhe devia dar, quando dois miúdos de 17 anos passam por ele e o tentam assaltar. Passa para cá a carteira barrigudo. Gera-se alguma confusão, o dito General puxa dos galões que se esqueceu que não trazia, tenta pedir ajuda, mas não se safa. Leva uma tareia dos dois putos, lá conserva a carteira e é abandonado no passeio à espera da ambulância do INEM. Do lado de dentro das vidraças do quartel meio regimento assiste divertido de mãos nos bolsos sem nada fazer. A gozar em absoluto êxtase o prato.
Dentro do quartel, o dito General era um absolutista do poder a quem todos prestavam obrigatoriamente vénia porque ele assim o exigia, ironicamente 15 centímetros para fora da porta de armas era só um careca barrigudo com boa cara para enfardar umas bolachadas valentes de dois putos, e estoicamente aguentar. Dizem que o tamanho não importa, aqui quinze curtos centímetros fizeram toda a diferença até porque a maior parte das coisas que a vida nos dá não tem preço mas raramente fica sem troco.
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