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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Beijos roubados...


A legal kiss is never as good as a stolen one

Tarefa agendada para hoje; fora do horário de expediente, late hours, acompanhada de um memorando gigante de todas variantes que devem acompanhar a execução correcta da dita tarefa. Sem margem para erros, sem pausas para descanso, possibilidade de realização de horas extraordinárias - extra horário de expediente, sem direito a greve ou reivindicação de direitos adicionais. Trabalho árduo, complexo às vezes, mas quase sempre bem sucedido e de sucesso garantido. 

Uma vez disseram-me "um beijo é o cartão de visita de um homem", queira entrar então por favor, é meu convidado.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Chamava-se Passado...




Talvez a gente esteja no mundo para procurar o amor, encontrá-lo e perdê-lo, muitas e muitas vezes. Nascemos de novo a cada amor, e a cada amor que termina, abre-se uma ferida.

Estou cheia de orgulhosas cicatrizes.

Isabel Allende
...


Ela quis muito chamar-lhe presente, insistiu com muita força, durante muito tempo e até ao final. Ele manteve-se constante e teimou em lhe chamar passado.

Nasceu assim, passado de nome.
Morreu assim, passado no presente.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Aqui não se passa nada, nadinha, nada de coisa nenhuma...




Hoje vou contar uma história minha, até porque alguém uma vez me disse que eu era uma excelente contadora de histórias. Mentiu-me claro. Não sou, mas juro que me esforço como em tudo o que faço na vida. E como toda a gente sabe as verdadeiras histórias de sempre começam com...

Era uma vez,
...

uma rapariga que acreditava em pessoas, sobretudo em boas pessoas e de bem, incapazes de tomarem atitudes feiosas pelas costas, sem atitudes menos dignas, gestos de raiva, e coragem nas palavras para falarem cara a cara tudo o que devem sem magoar voluntariamente. Não gostava de gente que economizava nas palavras porque ela mesma não guardava nada do que achava que devia dizer, não calava o que a incomodava e sempre educadamente e de forma civilizada deitava cá para fora tudo o que lhe ia lá dentro. Por bem, e a bem. Talvez por isso, esperava também isso dos outros. Nem sempre acontecia, e aqui e ali ainda havia quem pontualmente a conseguia surpreender, felizmente muito mais pela positiva do que pela negativa, mas de vez em quando pela negativa também.

Não guardava mágoas nunca, nem coisas mal resolvidas, guardava pessoas, gente e não gentinha que em algum lugar e em algum momento tinham mexido consigo e tinham entrado na sua vida porque ela assim quis. De braços abertos como só assim era capaz de estar, sempre com um enorme sorriso e com mão direita na porta de casa ligeiramente entreaberta a convidar a entrar. Capaz de tudo dar. Capaz do melhor de si.

Depois havia ao longe os outros. Num lugar distante arrumados no lugar dos quase esquecidos e nadinha importantes os que a magoaram e lhe trouxeram o desconforto do amargo de boca. Também não guardava com ela as decepções. Essas varria-as como aquilo que são para debaixo do tapete, compunha a casa, e esquecia-se que estavam por lá até ter forças para aspirar tudo de uma vez por todas e fazer uma limpeza geral. 

Hoje começou as ultimas limpezas grandes de Outono, estão quase feitas e brevemente o que foi, quem já foi, será apenas um grão de pó. Do que restava da amizade sobrará a proporção certa de nadadecoisanenhuma na sua vida.

domingo, 31 de julho de 2016

31 de Julho. Um grande 31...





foi um amor de Verão. 
que fez todas as estações serem Inverno
 - meu nome é saudade-

há mil razões por detrás deste dia. e só uma única razão que valha a pena. ou não há razão nenhuma. nem nada que valha a minha já tão longa pena.

domingo, 3 de julho de 2016

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Previsão para hoje...




Humidade excessiva nos olhos. Chuva miudinha que cola a roupa ao corpo e encharca até aos ossos. Memórias nubladas, cinzentas, envoltas numa manhã de nevoeiro. Vontade de depositar as armas, largar a armadura e desaparecer para parte incerta tal como na lenda de D. Sebastião. Os astros não se alinham e a meteorologia não colabora. Aguardam-se melhores previsões.  

terça-feira, 21 de junho de 2016

A importância das cores dos carros que passam...




Conto até cem e, se não chegares antes dos cem, vou-me embora. Não chegaste antes dos cem. Conto de cem a um e, se não chegares antes do um, vou-me embora. Não chegaste antes do um. Conto dez automóveis pretos e, se não chegares antes dos dez automóveis pretos, vou-me embora. Não chegaste antes dos dez automóveis pretos. Nem antes dos quinze táxis vazios. Nem antes dos sete homens carecas. Nem antes das nove mulheres loiras. Nem antes das quatro ambulâncias. Nem sequer antes dos três corcundas e, entretanto, começou a chover.
- António Lobo Antunes

Hoje não chove. Acabou de começar o Verão e a meteorologia prevê subida de 6 graus, tempo seco e um sol de derreter corpos. Derretia nos teus braços se chegasses. Beijava-te o corpo todo sem te tocar, agora mesmo. Devagar. A saborear-te. Beijo-te sempre primeiro com as memórias e só depois com o olhar. Desejo-te muito antes de chegares, numa suave antecipação do teu cheiro e do nosso prazer. Vou começar por contar carros, primeiro os cinzentos cor de panela que são os que há mais por aí, a seguir os pretos executivo, e quando estiver cansada, brancos, já que a moda recente é o branco frigorífico. Nunca pensei que o pormenor das cores dos carros que passam ganhasse no momento tanta importância.

Há quem veja navios. 
Eu vou esperar por ti a contar carros.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Incêndio...




O mundo é isso, revelou, um monte de gente, um mar de foguinhos. Não existem dois fogos iguais. Existem fogos grandes e fogos pequenos, e fogos de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que não fica sabendo do vento, e existe gente de fogo louco, que enche o ar de faíscas. Alguns fogos, fogos bobos, não iluminam nem queimam. Mas outros, outros ardem a vida com tanta vontade que não se pode olhá-los sem pestanejar, e quem se aproxima  incendeia-se. 

Eduardo Galeano 

Nem fagulhas nem fogo fátuo. Um brutal incêndio.
Incendeio-te.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Mergulho no mar...





Dá um mergulho no mar
Dá um mergulho sem olhares para trás
Dá um salto no ar
Só para veres do que és capaz.

...

Tens pouco tempo para ser só teu
Não esperes nem deixes passar
Essa vontade que quer - dar um mergulho no mar.

Arrisca mais uma vez
Nem que seja só por arriscar
Nunca se tem muito a perder
Dá um mergulho no mar.

Há tantas coisas por fazer 
E tantas por inventar
Dá um mergulho no mar!

Xutos e Pontapés - Dá um mergulho no Mar


mergulhei profundamente nesse mar, no silêncio do local de onde não quero jamais regressar. mergulho mais e mais fundo com escassos regressos à superfície para oxigenar o cérebro e manter a lucidez possível. tudo é belo. sou imensamente feliz. cada olhar é tudo, cada palavra o todo. afogo-me para sempre?

domingo, 8 de maio de 2016

Rotinas...


Etc...
Viver é etecetera.

Guimarães da Rosa


Como sabe bem voltar às mesmas rotinas de sempre. Aos mesmos lugares onde já se foi feliz, aos mesmos finais de tarde cheios de sol, aos meus e nossos eteceteras, ao regresso a casa depois de um dia cheio e em cheio.

...

 Tanta estrada para andar. E a estrada da vida volta a surpreender-me.
Tenho as malas feitas. Vamos para onde?

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Nós...



nós
éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo.

Tati Bernardi

E sem razão.

Onde anda a razão? A minha razão e a razão disto tudo? Ficaram algures pelo caminho perdidas eu sei lá bem onde, e eu bem que as procuro mas não as encontro. Sigo por aí, sem destino aparente, sem saber muito bem para onde vou, e se quero lá chegar. Estou feliz... Sem nenhuma razão.

terça-feira, 15 de março de 2016

Na volta do correio...



Meu querido coração,

sei que és responsável, nunca te deixas seduzir ou influenciar por dá cá aquele sorriso, nunca me traíste a confiança, e sabes muito bem perceber o que te faz falta e o que é descartável. Tens sido até hoje um alicerce e um poço de sabedoria.

Por isso vê se atinas, se ganhas juízo, e sobretudo se de uma ultima vez e quem sabe de uma vez por todas aprendes a lição. Olha com atenção à tua volta. Cada detalhe do que te rodeia. Abre os olhos, sente. Há mais água no oceano, há muito mais mar. 

Há mais homens também.

Com muito amor por ti,
assina

O teu querido cérebro.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Cold and hot...




Frio glaciar. Arrepios de frio. Tremores. 

Fria como o gelo

...

Mãos quentes. Palavras sopradas. Olhar a escaldar.

Aqueço. Derreto. Liquefaço-me.

Escorremos os dois.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

No inverno os dias são mais curtos.





Há que os aproveitar ao máximo. Cada minuto conta.
O somatório de cada minuto faz uma boa oportunidade de ser feliz. E toda a gente sabe que a vida é isso...
Bons momentos.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Nas tuas mãos...


Saí por aí de mão dada com o destino. 
Não faço ideia quando volto. Preferia nunca...
Assim, talvez só tarde e a más horas.

Dá-me as tuas mãos, as duas nas minhas mãos. Com força. Com a tua mão percorre o meu corpo, e leva-me pela mão. 

Deixa-me sentir-te como quem viaja. Sem mãos, sem pés, a toda a velocidade. Fora de mão, numa aventura em contramão. De antemão quero que saibas que tem sido uma boa viagem. Fazes-me sorrir como ninguém. Fazes-me feliz como só tu sabes. Ouve as minhas gargalhadas só para ti, em primeira mão. Ouves-me feliz? Isto é impossível fingir. Pintaste os meus sonhos de todas as cores do arco-íris e todos os dias acrescentas uma demão. E entre mãos e demãos, de mão cheia deixo a vida acontecer. 

Não me deixes [d]a mão. Ainda não te disse, mas há muito que me entreguei nas tuas mãos.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Cinemateca de vida...




ele beijou-a muito. beijou-a intensamente. beijou-a com a boca. com os olhos. com as mãos. beijou-a demoradamente prolongando o beijo para lá do tempo. sem tempo. e depois o tempo inexplicavelmente parou. ela fechou os olhos. sorriu com o corpo e mais ainda no olhar. baixinho disse-lhe sou feliz. deixou-se beijar por dentro ávida daqueles beijos. 
passaram minutos, horas, dias. quando se apercebeu já eram anos. nunca mais abriu os olhos. nunca mais regressou. continua lá na mesma tela a saborear o beijo.