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domingo, 8 de janeiro de 2017

Corpos...




Procurar-te-ei até te encontrar.
Mesmo que só te encontre em corpos.
Onde tu não estás.

Herberto Helder

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Das coisas mais doces que ultimamente me disseram....





"Ontem ia muito bem na auto estrada em patrulha e passou por nós um carro igualzinho ao teu. Pareceu-me mesmo que eras tu. Acelerámos e ultrapassei-o. Afinal não era a minha menina, a minha pequenina que é maior que eu, era só uma gaja qualquer. Fiquei triste. Queria mesmo mandar-te parar só para te abraçar."

Tão fofo pá. Tanto tamanho, tanto músculo e físico num homem habituado a lidar com tudo o que é feio e mau (ou quase tudo) e um coração que se derrete como algodão doce, assim de doce que é.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Muito pouco de tanta coisa...


"...as pegadas impressas na alma são indestrutíveis."

Thomas de Quincey


Morreste pá?

Não ainda não morri. Ainda não foi desta. Andei ocupada a fazer a Rota das Aldeias Históricas (desta vez só 5 delas, Celorico da Beira, Linhares da Beira, Loriga, Sabugueiro e Folgosinho). Mais uns quilómetros percorridos e uns quantos trilhados. E dei um salto até à Serra da Estrela. Tenho uma paixão assolapada por neve e sabia que tinha nevado bastante, não quis estar tão perto e perder este espectáculo. As fotos não são grande coisa, foram tiradas com o telemóvel mas demonstram bem que o nosso país é absolutamente maravilhoso e com muita coisa para ver e descobrir. Deixo por aqui meia dúzia de fotos.






quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Bons filmes...


Sessão da meia noite....é como ver cinema em casa.



Ontem foi dia de cinema. O herói de Hacksaw Ridge. Se ainda não viram, sinceramente aconselho. O filme é brutal, passa-se durante a segunda guerra mundial, e é baseado numa história verídica de um soldado americano que foi o primeiro objector de consciência da história mundial. Desmond Doss, o soldado de que fala o filme aparece no final já com 87 anos, e  em conjunto com o capitão da companhia e o sargento - ambos também já velhos - falam sobre o que viveram e como foi ter lá estado naquela guerra medonha.

O filme é realizado por Mel Gibson e de um realismo atroz. As cenas durante a batalha e as investidas japonesas são de cortar a respiração.

Se querem um filme bom, mesmo bom... vão ver.



sábado, 12 de novembro de 2016

Que vais fazer hoje AC? Outra vez?

Isto...



Nós vamos lá estar. 
Dois dias seguidos, dois concertos seguidos. (ontem e hoje) Lá calhou....

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Ficas aqui que aqui é que tu estás bem...






O quarto tem o formato de um quadrado. Branco. Simples. Acolhedor. Aconchego-me nos braços que são os meus. Afundo-me na almofada e fecho os olhos. Cheira tão bem. O sono não vem. Insisto que o dia amanhã vai ser longo e descansar é preciso. Saltam os sonhos, sem dormir. Slides de lugares e recordações alinhados em fila. Numa gigantesca fila. Locais, tantos locais. Só nossos. Esquecidos, escondidos, inventados e re-inventados por nós. Fotos que balançam penduradas num cordão de algodão sobre a minha cabeça. Nuvens repletas de sonhos já concretizados, outros tantos por concretizar passam rápido como num filme. Estrelas brilhantes por descobrir. Às vezes só a luz do luar a espreitar pela janela meia aberta. E a lua. A minha lua que um dia já foi azul e só nossa. E o sono não vem. Conto carneiros, somo palavras ditas, sussurradas ao ouvido, sopradas em outras tantas noites acordada num quarto aquecido e narizes entupidos, cervejas lá fora a gelarem na neve e flocos brancos a caírem. Dou mais uma volta na cama, ajeito a almofada e aconchego o corpo. Tento adormecer.


Oiço uma voz arrastada junto a mim. Tenho os braços abertos para ti, anda cá, aninha-te aqui. Saio de repente do mundo dos sonhos. Deixo a almofada e encaixo-me na perfeição naquele corpo nu, quente. Encosto a cabeça no peito de pelos suaves que cheiram ainda gel de banho de jasmim, respiro fundo, cheira tão bem. Deslizo os pés descalços por aquelas pernas peludas e sinto a suavidade da pele e a rigidez dos músculos. Ele estremece. Beija-me o cabelo uma e outra vez. Oiço-o dizer: Não sais daqui. Ficas aqui que aqui é que tu estás bem.

E finalmente adormeço.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Cheira a Outono...




Em  certas manhãs de Outono, nas esplanadas sente-se uma friagem que nos beija o rosto, enquanto o sol nos aquece os olhos.

Como se fosse um gelado de baunilha com chocolate quente.

João Morgado - Diário dos Imperfeitos



Adoro regressar às collants, às botas, às saias de malha e aos casacos. Gosto das manhãs de neblina, do frio a arrepiar a medo a pele, dos almoços na esplanada a saborear o espreitar tímido do sol deliciada com o suave quente do meio dia, gosto das mil tonalidades de castanhos e amarelos que se misturam com audácia, gosto dos dias mais curtos a convidarem ao descanso no sofá e ao aconchego dos abraços, gosto dos entardeceres cinzentos, gosto do cheiro da terra molhada nas primeiras chuvas. Adoro o Outono.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Que vais fazer amanhã AC?




Uns chegam, outros vão.
A nossa vida é feita com aqueles que ficam.



Amanhã vou estar a trilhar por aqui. Na mítica terra dos templários. Vai ser um dia grande, daqueles mesmo gigantes. A partida vai ser às 5 da manhã ainda com um olho meio aberto e o outro quase fechado, sonolenta, embalada de inicio pelos solavancos do autocarro até o sol nascer... mas depois tudo se compõe. Vão haver reencontros, abracinhos, trocas de alcunhas e de mimos, partidas malandras, palmadas nas costas, gritos aos ouvidos de quem fechar os olhos para adormecer. E vai ser chegar e largar o cansaço da semana em cada trilho, tropeçar nas primeiras pedras do caminho, subir a custo as primeiras encostas íngremes, suar as estopinhas, trocar palavras e emprestar mãos e braços para ajudar quem precisa de um empurrão arribas acima, ou aceitar a sorrir as mãos que me chegam. Duvidar meia dúzia de vezes que é possível chegar ao fim. Mas chegar.

Piquenicar num sitio à sombra as meias metades de pão de sementes com presunto e com queijo, passar vezes sem conta as caixas com uvas, melão e pedaços de bolo caseiro aos amigos. Provar coisas que achávamos impossíveis. Rir de tudo. Rir de nada. Andar às cavalitas dos amigos, insinuar pancada, pontapés, lutas e guerrinhas, tudo a rir. Jogar ao "Lá vai alho". Ouvir segredos de cada uma daquelas vidas, falar de mim e mais do que abrir a boca, abrir o coração. Acabar o dia mais cansada do que fui. Suspirando por uma cama e pelo final do dia.

Regressar no mesmo autocarro já noite fechada, semi adormecida, embalada pelos mesmos solavancos, enroscada no casaco polar, aninhada naquele colo que traz pasteis de nata e que diz que manda alguma coisa, cabeça no ombro de quem reparte os dias e as horas comigo. A meias. Nas mesmas escolhas que eu.  E o sono vem. E a vida vai e vem, e vem e vai. E o autocarro vai indo. E a sensação de estar bem fica.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Pedaços do meu mundo...

Ponte Vasco da Gama - Foto (espectacular) de Manuel Adrega

E eu, e tu,
perdidos e sós,
amantes distantes,
que nunca caiam as pontes entre nós.

Pedro Abrunhosa.


Hoje vai ser por aqui

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Tarzan boy... e uma barrigada de riso.






Ontem fui ver Tarzan, o filme. Engraçada a forma com a história é contada do fim para o principio. No Tarzan da nossa infância fala-se de um menino criado por uma chita* que anda de liana em liana e que convive e conversa com todos os animais. Nesta versão, um Tarzan civilizado regressa à selva e ao meio que o viu nascer e propõe-se lutar pela natureza, pelos nativos e contra a imposição de regras e violência do mundo dito civilizado.

Estávamos todas à espera de ver um Tarzan upa-upa, de tanga, sunga, quiça de fio dental, em versão nativo, a mostrar os abdominais tablete, o six pack e a ab crack, uma coisinha assim para deixar o mulherio a babar e de boca aberta, e afinal o filme é um flop. Uma desilusão da selva. O homem nunca largou as calças, só em meia dúzia de cenas despe a camisa e nem uma só visão em full screen daquele rabo top. Uma lástima. Uma dor.

Desiludidas e a reclamar da situação, e toda a gente sabe que 5 mulheres a reclamarem fazem barulho que chegue, um dos meus amigos que por acaso é giro que dói, e até tem uns abdominais jeitosos resolveu improvisar um strip depois do filme acabar, em plena plateia do cinema em frente do ecrã, despir a camisa e contemplar-nos com uma barrigada de riso. Dançou ao som da banda sonora dos créditos do filme, chupou no dedo, abanou o rabo, fez boquinhas e mandou beijinhos, e pôs a plateia inteira a rir e a bater palmas. Acabou por ser uma noite fantástica.

*nome da macaca/gorila

domingo, 3 de julho de 2016

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Regressada...







Regressada de lá, de onde o céu é mais azul e o rio de um azul turquesa fabuloso que apetece olhar e olhar sem nunca parar. Fiz finalmente o Caminho del Rey depois de quase um ano a engendrar conseguir lá ir. Foi desta. Adorei a paisagem, admirei a coragem dos homens que antes de mim por ali andaram, deixei-me maravilhar pela engenharia da estrutura, respirei natureza a cada passo dado. E a altura meu Deus, que sensação ver as rochas e as árvores como pontos pequeninos desenhados pelo chão.  Quero voltar. Quero levar lá os meus amigos e quem amo. Um dia, talvez. Regressei cansada mas mais rica de boas histórias de vida para contar e recordações de bons momentos. Valeu a pena.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

AC, que vais fazer neste fds?











Vou estar fora de Portugal. A falar espanholês, a comer presunto a pingar azeite, a beber canhas geladas, a morder umas tapas e a ver uns chicos guapos. Ou ao contrário já nem sei... baralhei-me. E vou andar pendurada a muitos metros do chão, lá bem no alto, sob arribas e entre calhaus e passadiços de madeira debaixo de um sol intenso, presa a cordas e com um capacete de trolha na tola. A brincar de faz de conta à jornada dura dos operários de manutenção e vigilância da Sociedade Hidroeléctrica del Chorro, feita tontinha. Espero divertir-me.

Mas para além disso tudo...

Vou estar com amigos, vou ver as mais belas paisagens do mundo, vou fazer o trilho mais arrojado que já existiu e que agora foi recuperado e oferece condições de segurança - sim porque eu sou doida mas não sou completamente maluca há que estabelecer as diferenças. E  sobretudo vou realizar mais um sonho que há muito estava escrito na minha wishlist.

Vou ali concretizá-lo e volto já.
Espero trazer boas fotos.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Noite de mil estrelas...




O que a memória ama, fica eterno.
Te amo com a memória, imperecível.

Adélia Prado



A minha noite foi de mil estrelas. 5 estrelas. Eram tantas as estrelas que se confundiam com as luzes a brilhar. Fecho os olhos e a imagem fica para sempre, para mais tarde recordar.

Guardo tudo...

Não houve pedras no caminho.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Casa onde morar...




Canso-me muito menos, 
divirto-me muito mais,
 e não perco a esperança ao constatar o óbvio: 
tudo é provisório, inclusive nós.


-Martha Medeiros-

Entre sem dilacerar


como quem pede para limpar os pés à porta de casa. Não me sujes o chão do coração, não me arranhes as paredes da casa que sou. Gostava que morasses aqui comigo, cá dentro, do lado esquerdo. Fiz-te a cama, repara. Será que vais gostar da decoração que escolhi?
Estava tudo arrumadinho antes de chegares. Claro que há gavetas onde nem sempre mexo, que têm coisas escondidas e outras que ainda não soube deitar fora, mas de resto tinha tudo num brinquinho. Fiz do meu coração um lar, e foste convidado, por isso mostra-me respeito e apreço: entra sem dilacerar, como quem pede para limpar os pés à porta de casa.

Joana dos Caracoisdaqui

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Ou corre bem, ou corre mesmo muito mal...


La Fregeneda (Espanha)- Barca D'Alva (Portugal)

Este percurso pedestre que é conhecido pela Rota dos Túneis é feito entre a estação de comboios espanhola de La Fregeneda e a estação portuguesa localizada em Barca D'Alva. Esta linha férrea de rara beleza foi construída no século XIX e abandonada em 1985, tendo sido até a essa data a principal via de acesso entre as cidades do Porto e Paris. Este percurso é constituído por 20 túneis e 13 pontes. O estado de degradação das pontes da rota é elevado e por isso é um percurso não aconselhado a quem tem vertigens ou seja inexperiente em trilhos. A distancia entre a estação espanhola e a portuguesa é de 17 km, 17 km de uma beleza incrível... e túneis cheios de morcegos.

Este fim de semana vai ser por aqui. Somos muitos num grupo animado de gente que gosta de metas e de as superar. Quarenta doidos para ser precisa. Esgotámos este fim de semana a Pousada da Juventude lá do sitio, não há lugar nem para mais um, e sei também que o mini mercado lá da aldeia reforçou o stock de bens. Vai ser divertido, vai ser sobretudo para testar capacidades, superar medos e dificuldades, não das alturas, já que não tenho vertigens, mas medo de sei lá porque razão tropeçar, cair, desequilibrar-me e vir por ali abaixo. A coisa mete-me respeito! Para além dos obstáculos reais - os físicos - todos nós vamos ultrapassar metas nossas, obstáculos pessoais e fazer uma coisa totalmente nova. Eu confesso que tenho medo. Já olhei dezenas de vezes para o mapa do trajecto - 30 km no total divididos por grau de dificuldade e por 3 dias e 3 trilhos diferentes - e confesso que deste túnel que termina numa ponte ferroviária praticamente destruída tenho medo. Medo mesmo, não é receio. Quando me perguntaram se queria fazer seguro (a maioria fez) respondi que não, sobreviver a uma queda aqui é impossível por isso ou corre bem ou corre mesmo muito mal. Sem meio termo. Espero a bem da minha saúde que corra bem.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Chegou a minha prima...Vera.





Collect moments not things!

Trilho de 20 km pelas dunas, desde a Fonte da Telha à Lagoa de Albufeira com passagem pela Arriba Fóssil e posterior regresso pela Mata da Apostiça. A boa companhia foi a mesma de sempre, a entreajuda e as gargalhadas também, e até a nossa "Prima Vera" chegou de mansinho, deu um ar de sua graça e brindou-nos com um dia de sol deslumbrante. Quanto à paisagem... bom a paisagem superou tudo e todos, ofereceu-nos um espectáculo irrepreensível e seguramente inesquecível.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Instantes do fim de semana passado...

Estar perdido é bom. Significa que há caminhos.
Mia Couto

Foi um fim de semana de surpresa absoluta. Íamos preparados para muita chuva mas não para muito frio. Mas a vida gosta de surpresas. As previsões meteorológicas não sugeriam neve mas contrariamente ao previsto nevou imenso. Inacreditavelmente nevava abundantemente em Abril, e nós não tínhamos equipamento para subir à Serra da Freita e permanecer na montanha com temperaturas de -1 grau e um vento gelado que cortava o ar. Assim por questões de segurança passámos ao plano B, ficámos num alojamento de Turismo Rural, desistimos de subir à Frecha da Mizarela pela altitude elevada com provável agravamento das condições climatéricas, o enorme risco de hipotermia, quedas devido ao piso escorregadio e optamos por aproveitar a paisagem única e pelo descanso. Não foi nada do que planeamos e que levávamos desenhado de Lisboa, mas nos trilhos como na vida a natureza é soberana, ela dita as regras e há que saber contornar os obstáculos com lucidez e adaptar a viagem às condições do trajecto.

Deixo aqui alguns instantes bons de guardar.








sexta-feira, 8 de abril de 2016

Estar vivo nem sempre é o contrário de estar morto...




Fim de semana à porta. Sem portas, sem Janelas, sem paredes e sem muros. Ao ar livre. Mochila pronta com o essencial, e o essencial é demasiado porque o tempo está instável o que implica equipamento extra, sobrecalças impermeáveis, protecção de mochila, capa impermeável, polainas. Mais peso portanto. E a mim no me gusta porque me custa! Fim de semana inteirinho no Portugal lá de cima. Rumo a Arouca, Passadiços do Paiva, Frecha da Mizarela. O último dia vai ser um dia muito difícil, 10 quilómetros sempre a subir por um trilho na rocha, montanha acima, muito lá em cima, directo a uma das maiores cascatas naturais do país. Dizem que o enorme esforço vale a pena. E eu acredito que tudo vale a pena quando a alma não é pequena. No final, se sobreviver, espero poder contar aqui se valeu a pena ou não. Tenham um excelente fim de semana. Vivam-se enquanto podem.