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sábado, 28 de janeiro de 2017

Insanidade...



E ainda, que essa coisa, o amor, fosse complicada demais para compreender e detalhar nas maneiras tortuosas como acontece, naquele momento em que acontecia dentro do sonho, era simples.
Boa, fácil, assim era. 
Ela gostava de estar com ele. 
Ele gostava de estar com ela.
E isso era tudo.

Caio Fernando Abreu




Percebes finalmente que é amor... 

quando ele te diz repetidamente adoro-te miúda, Seguido de... deixa-me aprender a gostar de alguém. Nunca soube amar ninguém. Não sei demonstrar afecto, não sei dar, não sei partilhar e tenho dificuldade em confiar. Dá-me tempo. O teu tempo.

E tu não consegues dizer nada. Sentes só naquele preciso instante uma sensação de felicidade imensa. E decides continuar a tentar.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Feliz Natal a todos...





Conselhos não se dão, mas os meus são de borla e aqui quem manda sou eu... por isso, deixo aqui três excelentes conselhos.

- Não dêem demasiado valor a picuíces e merdas que no somatório da vida não vão valer nada. 
ah porque o Manuel namorado da maior amiga ou da mãe ou o que quiserem não me ligou, ou porque a vizinha de cima nem bom dia diz, ou porque o carro avariou, ou porque vou stressar para estar lá a horas... isso são peanuts, tretas, merdas que atrapalham os dias mas não merecem ser valorizadas.

- Não desistam de se esforçar pelas vossas coisas boas, pelo que vos deixa felizes. É tentar todos os dias, é lutar, uns dias ganha-se, outros perde-se mas a vida é assim. O importante é não desistir de sonhar, acreditar em coisas boas e que o melhor está sempre para vir.

- E não deixem nunca de gostar de vocês. Gostar de nós é o principal. Sentir que se é importante, que apesar de todos os defeitos e limitações somos giras, sorridentes, capazes de dar de nós e ser felizes. Deixar de gostar de si mesmo é perder a auto-estima, cair em depressão, perder a vontade de sair, divertir-se, arranjar-se e cuidar-se... é meio caminho andado para o isolamento e para o abismo.

Por último... olhem, sejam mesmo felizes.

Bom Natal

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Os meus medos...



Nunca tenha medo de tentar nada de novo. Parece que um aventureiro solitário e amador construiu a arca de Noé. 
E um grande grupo de profissionais competentes o Titanic.

Dave Barry


sim tenho um medo horrível de sofrer. tenho um medo devastador de perder, consequência de ter perdido tantas vezes. tenho medo do amor, de me deixar ir na entrega e ficar refém do que não quero. tenho medo de amar. tenho medo de precisar incondicionalmente de alguém, de sentir a falta e deixar de ser absolutamente livre e independente. tenho medo de ficar à espera de alguma coisa, de esperar pelo que outro pode ou não querer dar-me. tenho muito medo de vir a ser infeliz. 
o estado de dependência emocional e a infelicidade são mesmo os piores dos meus medos.

isto está a correr bem. tão bem que os planos para fazer coisas a dois, construir coisas em conjunto já nunca são subtraídos da equação. tão bem que por esse facto ainda sinto mais medo. tão bem que me está a dar vontade de fugir antes que isto corra mesmo mal. era só estúpido não tentar. era ser mesmo burra em não arriscar tudo a ver se é de facto tudo tão bom como me parece ser... ou não. 

vamos então prosseguir, venha de lá mais uma voltinha à rotunda. 

sem medos!

domingo, 2 de outubro de 2016

Troco-me toda...





Ofereci-te tanta coisa. 
A mais preciosa, 
aquela que há muitos anos não dava a ninguém
 - a mais preciosa, repito,

foi a minha absoluta disponibilidade para estar contigo, ouvir-te, ou estar em silencio perto de ti.

Al Berto



eu dou. tu dás. nós damos. ambos damos. e vamos calmamente jogando este divertido jogo de dar e receber numa doce troca. troco os meus abraços por pasteis de nata quentinhos num estacionamento de hospital, troco um fim de semana já marcado há muito com os meus amigos pela loucura imprevista num spa de hotel num fim de semana a dois, troco sonoras gargalhadas por caricias proibidas numa longa e interminável viagem de carro, troco mimos teus por mimos meus em palavras; chamo-te cabeçudo, troll, matraquilho, parvalhão enquanto tu me chamas, fofa, amor, jeitosa e mais merdas lamechas e peçonhentas que me deixam apavorada de tão pirosas que são, troco cocegas por um avio de murros e pontapés acompanhados de riso, troco sexo à camionista pelo gosto tanto de ti miúda trocado no final. troco o deixar-me ir pelo fazeres-me vir. contigo troco-me toda. 

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Homens assim-assim...



Os homens são uns panhonhas. Tá dito e juro que é mesmo o que penso. Agora vão aparecer por aqui uns quantos a dizer, ah e tal eu não sou assim não sei que tipo de homens conheces ou quem são os tipos com quem te dás mas eu não sou mesmo assim. Mas são. E independentemente do grau académico, da profissão, do estado civil, da idade, a maioria são amorfos, acomodados, desinteressados, calões, alheados, e tudo o que der muito trabalho e exija argumentação cansa, por isso é mais fácil dizer está bem assim, ou por mim qualquer coisa, o que te apetecer, ou escolhe tu. Ora a porra, se fosse para eu escolher não tinha perguntado.

Quando pergunto qual o vestido que me fica melhor, e se o azul é mais giro e dá melhor com o tom do meu cabelo -  quero mesmo uma resposta, quero mesmo que justifiquem o porque sim ou o porque não. Quando me respondem os dois são giros leva o que gostares mais, estão a dar-me facadas, a espetar agulhas debaixo das unhas numa tortura lenta e na agonia do que era suposto ser aquela a minha companhia e aquele homem o meu semi-deus.

Quando pergunto o que te apetece para o jantar, espero mesmo uma resposta, sejam criativos se conseguirem ( mas há jantar? achei que tu eras o meu jantar! ) ou  sejam só normalizados e normaiszinhos e respondam faz um bife com mostarda, ou o teu bacalhau à Braz - mas respondam! Quando me dizem faz o que quiseres, qualquer coisa serve, não tenho muita fome. Morri ali mesmo e quem perdeu o apetite fui eu.

Homens com atitude precisam-se!

Homens que saibam o que querem, que tenham opiniões e as assumam, que valorizem a escolha, que sejam decididos, que tomem a iniciativa, emancipados, que não sejam assim-assim, tanto faz, deixa andar. 

Quase homens, quase qualquer coisa.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Férias de Verão...






Verão à porta. Durante uns dias estarei por parte incerta à procura do meu Verão. Mergulhada nele. Apostada em ser feliz. Hasteada a bandeira de que consigo sempre o que é melhor para mim. Basta eu querer. A tentar encontrar-me também. À procura dos pedaços do meu eu que fui deixando cair algures por aí, agarrados ao corpo e aos lugares que não eram os meus. Nem nunca serão.
Vocês não me verão.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Sou esquisita? Dizem que sim...



Dizia-me hoje uma amiga; oh pá és tão esquisita, tens que ser menos esquisita. Menos esquisita com os amigas e menos esquisita com os homens.
- Oh pá temos pena. Não quero!

....

Elas diziam: 
Tu até podias ser bonitinha se não fosses estranha.
E hoje em dia eu digo-lhes: 
Vocês até poderiam ser interessantes se não fossem normais.

Tati Bernardi

Não é fácil enganarem-me, normalmente tenho uma boa percepção das pessoas que me rodeiam, lido com muita gente, tenho muitos amigos, e mais ainda conhecidos - ou o que lhes quiserem chamar - whatever, assim como colegas de trabalho. O que não me falta é gente e povo à minha volta. Tenho um sexto sentido óptimo, consigo perceber a tempo quem não merece um pingo da minha atenção e não tem interesse para mim, afasto-me de quem não me interessa e aproximo-me de quem eu gosto ou o meu coração aconselha. E até hoje não me tenho dado mal. 

As pessoas de quem sempre me afastei revelaram-se problemáticas, aborrecidas, demasiado conflituosas, desestabilizadas emocionalmente, alguma até quase que perigosas. Sem interesse nenhum.(para mim) Sou muito sumária nas relações, muito básica nas escolhas, comigo é tudo muito simples, ou me agrada ou não. Não faço fretes, não acompanho com pessoas que não me dizem nada e que não me agradam. Não me movem interesses de qualquer espécie. Não espero nada de ninguém. Costumo até dizer que sou independente, tenho o meu trabalho, tenho uma boa vida, por isso não espero que me paguem as contas, nem que queiram casar, nem que me façam filhos. 

Muito menos faço small talk ou conversa para encher chouriços, não aturo gente que fala fala e só diz disparates, ou não diz mesmo nada de jeito, ou pior ainda, que passa a vida a falar mal da vida dos outros. Gente ressabiada, de mal com a vida, que reclama de tudo, insatisfeita, que me cansa o corpo e a paciência e que me suga a energia e a boa disposição, ou de baixo nível, sem pingo de formação e educação por muitos cursos superiores, pós-graduações e mestrados que possam ter. E acreditem, por aqui já se viu de tudo.

Já deixei mais do que uma vez de ir com determinados amigos porque no grupo havia gente com quem eu não queria mesmo estar. Sou transparente, e é muito fácil perceber o que sinto. Não dá para disfarçar e pela minha cara as pessoas percebem até onde vão chegar. Para muitas pessoas que conheço a viagem é curta, tão curta que entram na minha vida mas saem logo na próxima paragem sem tempo para aquecer o lugar.

Não acompanho com gente conflituosa que procura a todo um instante um pequeno deslize ou uma falha para arranjar confusão e provocar barafunda. Nem com gente que fala alto, gesticula com espalhafato, grita ao telemóvel, dá barracada, diz palavrões, palavrões só na cama e põe meio mundo a olhar para si. Nem com gente que não sabe fazer da discrição uma forma de estar, sem saber estar. E de gente que faz o pino e mortais encarpados e dá três seguidas e foi à lua e à China montado num pau de vassoura, e já esteve com a Libéria na Libéria e tirou uma foto agarrado a uma vaca escanzelada e postou no facecoiso a pedir likes. Não tenho pachorra e tiram-me do sério. Não gosto do que não gosto e não abdico do que não gosto em situação alguma, e nem que a vaca tussa.

Temos pena!

segunda-feira, 27 de junho de 2016

O fim de semana passado...




Cascatas de Vila de Rei - Uma delas... são várias.
Foto ranhosa tirada com o meu telemóvel.



Cascatas de Vila de Rei. 

Rochas a pique, subida a pulso agarrada a cabos de aço suspensos nas rochas até à zona da nascente da cascata. Uma paisagem de cortar a respiração. Uma altura muito acima das copas das árvores. Percurso de dificuldade 4 numa escala de 1 a 5. Um calor de morrer, sol a escaldar na pele, um calor enorme na cara do esforço, o coração a bater a 160. Julguei que morria. Não foi pêra doce. Fez-me repensar que enquanto o Verão durar não há trilhos de dia com o calor que faz. Dou-me muito mal com o calor, aliás detesto calor exagerado, sou hipotensa e tenho quase sempre a tensão em valores muito baixos, com muito calor fico mais para lá do que para cá. E já estava mais para lá. A sorte foi ter levado 4,5 litros de água, distribuídos por 3 garrafas de litro e meio (um peso brutal na mochila a somar a muitas outras coisas) e ter bebido em 3 horas as três garrafas de água pois corria o sério risco de desidratação. Quando cheguei cá abaixo já sem água a primeira coisa que fiz foi bater à porta de uma quintinha que por ali havia, e pedir para me darem água. Uma velhota simpática lá nos deu água e um duche de mangueira a todos. Foi super. Há gente muito boa por esse Portugal fora. Com o coração de tamanho inversamente proporcional à quantidade de dentes. Algum do pessoal já de rastos foi para estrada para pedir boleia para regressar à vila e não fazer os mais de 5 Km que restavam, eu e mais 10 ficámos. Não sou de desistir.

Mais uma vez cheguei inteira. Fui e vim. E o que importa é chegar.

terça-feira, 21 de junho de 2016

A importância das cores dos carros que passam...




Conto até cem e, se não chegares antes dos cem, vou-me embora. Não chegaste antes dos cem. Conto de cem a um e, se não chegares antes do um, vou-me embora. Não chegaste antes do um. Conto dez automóveis pretos e, se não chegares antes dos dez automóveis pretos, vou-me embora. Não chegaste antes dos dez automóveis pretos. Nem antes dos quinze táxis vazios. Nem antes dos sete homens carecas. Nem antes das nove mulheres loiras. Nem antes das quatro ambulâncias. Nem sequer antes dos três corcundas e, entretanto, começou a chover.
- António Lobo Antunes

Hoje não chove. Acabou de começar o Verão e a meteorologia prevê subida de 6 graus, tempo seco e um sol de derreter corpos. Derretia nos teus braços se chegasses. Beijava-te o corpo todo sem te tocar, agora mesmo. Devagar. A saborear-te. Beijo-te sempre primeiro com as memórias e só depois com o olhar. Desejo-te muito antes de chegares, numa suave antecipação do teu cheiro e do nosso prazer. Vou começar por contar carros, primeiro os cinzentos cor de panela que são os que há mais por aí, a seguir os pretos executivo, e quando estiver cansada, brancos, já que a moda recente é o branco frigorífico. Nunca pensei que o pormenor das cores dos carros que passam ganhasse no momento tanta importância.

Há quem veja navios. 
Eu vou esperar por ti a contar carros.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Simbiose...


Amanhã vai ser por aqui. Serra da Lousã. Alvorada às 5 da manhã. Até rima e tudo. Yesssss.


entre mim e natureza. vida fora de portas pintada a verde rio e verde folhas. azul céu. muitas e diferentes tonalidades de castanhos. terra, montanhas, troncos, rochas. silêncio. paz. pausa. comunhão. tempo de qualidade comigo e só para mim. para me descobrir e encontrar. tempo de mim.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Coisas minhas e quero lá saber...



Quando era pequena e pela primeira vez me perguntaram o que queria ser quando fosse grande, respondi com o meu ar mais sério que queria ser Artista de Circo, tentaram confirmar com nova pergunta como se eu não soubesse muito bem o que aquilo era. Mas sabes bem o que isso é? É andar com a casa às costas, viver numa autocaravana toda a vida, andar de terra em terra sem ter tempo para criar raízes, estar longe de tudo e da tua família, é sobretudo uma vida dura despojada de quase tudo. Queres mesmo ser Artista de Circo? Sim disse eu, e durante anos foi mesmo o que quis. Depois mais tarde comecei a perceber que não tinha jeito para Contorcionista, nem Malabarista e muito menos Trapezista, por isso percebi que o meu forte nunca seria nada ligado à ginástica e depressa substituí o desejo de vida pelas artes circenses pela vontade de voar e o mesmo sentido de eterna saltimbanca, quis ser Assistente de Bordo, na altura Hospedeira. Dizia a mãe tentando demover-me da ideia, que Assistente de Bordo era assim uma coisa entre empregada de café e camareira e que não havia muito glamour na coisa. Mas eu queria porque chegar e partir atraía-me (e continua a atrair), e uma casa, um lugar apenas e uma vida fixa ao chão não me diziam nada. 

Não fui uma coisa nem outra, segui a mesma profissão da minha mãe, um pouco pela influência dela mas também porque depressa percebi que era mesmo o que queria, e que tinha vontade e capacidade para a desempenhar. Adquiri os conhecimentos necessários e cá estou eu presa ao chão, com raízes num lugar sem grandes chances de mudar, sem hipótese de ser Artista de Circo, Assistente de Bordo, viajante de profissão, caravanista de longo curso, mochileira de vida. Este sonho continua cá, não desisti dele, à primeira oportunidade vou investir nele. Não sabemos o dia de amanhã, posso arranjar um gajo rico (mesmo rico) e aventureiro como eu que me financie os sonhos, pode-me sair o euromilhões, posso achar petróleo no jardim da casa dos meus pais, posso encontrar um tesouro no fundo do mar enquanto faço mergulho, posso tropeçar numa mala cheia de dinheiro enquanto subo a rampa do hospital para mais um dia de trabalho, posso receber uma doação / herança de uma velhinha rica que tenha passado pelos meus cuidados, sei lá... a minha imaginação é fértil mas a verdade é que o sonho continua cá e até ao lavar dos cestos ainda é vindima, muita coisa pode acontecer. 

Ou nada, e tudo ficará como está.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Ora bem...

As fotos possíveis tiradas por mim...




Coragem é a resistência ao medo, domínio do medo, e não a ausência de medo.
Mark Twain

Sobrevivi ao fim de semana de loucos, embora, confesso,  com alguma dificuldade. Aquilo já me parecia difícil em vídeos mas depois de estar lá muito mais difícil se tornou. Mas consegui. Esse era o meu objectivo e foi cumprido! No entanto não fizemos os 20 túneis e as 13 pontes inicialmente previstas porque apercebemo-nos que para tal as 7 horas que tínhamos estipulado com paragens para descanso, reabastecimento, refeições e etc não chegavam e iria cair a noite e nós retidos na montanha, longe de tudo e sem apoio. Tudo isto porque demorámos muito mais a atravessar cada ponte do que estava previsto, como tal arranjámos um ponto de fuga e saímos do trajecto antes do fim.

Houve gente que tirou fotos brutais, eu tirei só as fotos possíveis. Não conseguia parar no meio das pontes, queria mesmo era chegar rapidamente e inteira ao fim. Não consegui virar-me para trás, não consegui fazer rotações ao corpo para os lados e tive um medo horrível de cair. Atravessei aquela treta, direita que nem um pau, um pé à frente do outro, alinhados em linha recta a sentir os rebites da viga, sem me mexer muito e quase sem ver a paisagem, olhar para os lados, parar, ou ver o que fosse para além da linha do horizonte 10 metros à minha frente. Foi giro, está feito, mas não penso repetir. E agora vou parar um pouco, realinhar os chakras, os azimutes, corrigir a rota, acalmar a vida e relaxar um pouco. Preciso de descansar, o corpo pede-me alguma folga e paz e eu oiço o o que o meu corpo me diz.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Postais a cores...







O fim de semana passou a voar. Tão rápido que quase não o consegui saborear. São Pedro foi meu amigo e não me ofereceu chuva - o que já não foi mau - coisa rara e nunca vista, já que por cá segundo sei choveu a sério, quase um dilúvio. Apanhei umas pingas ontem. Coisa pouca. Aproveitei a calma da paisagem, aproveitei a companhia dos amigos, senti a natureza. Enchi-me de energia para uma semana de trabalho demasiado dura porque há que pagar os turnos que me fizeram no maravilhoso do fim de semana. Estou a gostar demasiado disto de ter fins de semana livres coisa que raramente eu conhecia. Muito raramente. Um fim de semana livre de cinco em cinco semanas. E comecei a ver os fins de semana com outros olhos. Olhos de ver mais longe, e mais ao longe, e muito mais perto de quem acha que sou do grupo e faço falta. Daqueles que dizem que sem as minhas parvoíces, quedas e gargalhadas as aventuras não são a mesma coisa. Começo a perceber o que tenho andado a perder. Estou a pensar muito a sério em fazer mais uma mudança na minha vida. Projectada para acontecer este ano. Sou de mudanças profundas, vamos ver o que vai acontecer.

Para o próximo fim de semana há mais. Passadiços do Paiva e subida ao topo da Frecha da Mizarela.

quinta-feira, 31 de março de 2016

É QUASE sexta-feira Yeah, trabalhei a semana inteira....


Fraga de S. Simão.

O fim de semana para mim começa mais cedo. Estou de mochila às costas e tenda preparada para passar o fim de semana no Zêzere. Levo na bagagem força para a descida do rio, o desejo de aventura que faz parte de mim, e aquela vontade tonta de contar estrelas e perseguir sonhos. Aquilo que no fundo sou. A vontade que tenho em viver a vida, agarrar cada oportunidade e ser feliz. À tiracolo perfilam-se os amigos que nunca me deixam para trás, esses para quem amizade é afinal muito mais que quatro silabas. Constroem-se represas de emoções numa produção segura de novas memórias. A vida segue o seu curso.

quinta-feira, 24 de março de 2016

São só palavras...




Pelas palavras converso, desconverso, amo, vivo o sexo, zango-me, brinco, conto histórias. Gosto da magia das palavras, do acto de dizer, o que expõe e dá a conhecer. De palavras que abrem a porta ao interior do meu eu, ou das que estão lá mas precisam ser lidas nas entrelinhas e escondem o que não digo. Nunca deixo nada por dizer. É uma característica muito minha. Seja para o melhor ou para o pior, não guardo um verdadeiro e sentido "fizeste-me tão feliz" ou um doloroso "magoaste-me com esse silêncio" Nas palavras encontro a forma correcta para amar e para magoar. Com elas atiro setas e disparo balas, ou aproximo, aconchego, sussurro e sopro segredos inconfessáveis e muito meus. Quando quero. Quando sinto que posso confiar o que é muito raro. Não sou uma mãos largas de palavras. Com o blá, blá, blá das palavras falo com as amigas, conto peripécias, desvendo a alma em partilha. E tão bem que sei como sabem bem as conversas sobre nada ou tudo com amigas. 

Zango-me e perco-me outra vez nas palavras. Digo o que queria e o que não queria, tanto do que sinto e o que não sinto, magoo, e quase no final, quase sempre perco a razão. No arremesso de pedras sinto que ganhei, no arremesso de palavras é óbvio que fico a perder. Falo depressa, sem pausas, num impulso, peito às balas, sem medo de nada. Rio-me de mim própria, de tantas palavras mal usadas, de frases inteiras de disparates ditos de rajada. Rio de mim, do meu ar perdido num turbilhão de coisas que por muito que me esforce não consigo entender. Palavras que perderam pelo caminho o significado, todo e qualquer sentido, vazias, e são apenas e só palavras. Faltam-me as palavras. Não consigo dizer o que queria. Falo chinês, turco, só pode. 

Palavras leva-as o vento, digo-as todas de uma vez, esgoto-me entre a importância que lhes dou, e o sentido que ninguém lhes dá. Não me faço entender.

terça-feira, 1 de março de 2016

Coisas simples de que tanto gosto...




Gosto do cheiro de terra molhada.
Gosto do cheiro da relva acabada de cortar.
Gosto de chuva.
Gosto de frio.
Gosto de sol.
Gosto de calor.
Gosto de todas as estações do ano e da variedade que me impõe.
Gosto de tardes a ver filmes ou séries..
Gosto da preguiça das manhãs em que posso acordar tarde.
Gosto de ler.
Gosto de cantar. assassinar músicas.
Gosto de ouvir música alto enquanto conduzo.
Gosto de conduzir.
Gosto de passear.
Gosto de viajar.
Gosto de caminhadas e trilhos.
Gosto de descobrir.
Gosto de mimos e carícias.
Gosto de elogios.
Gosto de tardes na esplanada à beira mar.
Gosto dos fins de dia.
Gosto de mar.
Gosto de vela.
Gosto de marisco.
Gosto da companhia de amigos.
Gosto de me rir às gargalhadas.
Gosto de concertos, teatro, cinema.
Gosto dos meus silêncios.
Gosto do meu espaço.
Gosto da minha liberdade.
Gosto de aventura.
Gosto de ser surpreendida.
Gosto de ser arrebatada.
Gosto de ser amada.
Gosto de ser provocada.
Gosto de sms de amor.
Gosto de fazer amor.
Gosto de preliminares.
Gosto de sexo intenso.
Gosto de poder escolher.
Gosto de VIVER.

Só para lembrar: no final deste filme a personagem principal morre!

domingo, 7 de fevereiro de 2016