Ser inteligente é bom. Pelo menos os entendidos dizem que sim, eu ainda não o comprovei pessoalmente, mas adiante. E toda a gente sabe que ser mesmo muito inteligente deve ser melhor ainda. Só que não. Parece que não é. No meu percurso de vida cruzei-me em algumas situações com gente realmente muito inteligente, capaz de arrasar a melhor das teorias, capaz de aniquilar o melhor dos argumentos, ou capaz de me reduzir à insignificância no melhor dos diálogos, sim, tudo isto verdade, mas comprovo também que pessoas muito inteligentes roçando a genialidade têm tendência a um egocentrismo exagerado, quase doentio. Vivem para o culto do eu; eu tenho razão, eu sou melhor, eu sei, eu mando, demonstrando por isso pouca tolerância para com os outros, pouca empatia, isolando-se do exterior e vivendo em êxtase com o ego.
A maior parte das vezes recorrem à crueldade para espezinhar quem os rodeia, afastam-se com arrogância e desdenham da amizade ou lealdade que lhes é oferecida e transformam-se rapidamente em seres demasiado egoístas, manipuladores, vingativos, desprovidos da capacidade de se relacionarem com os outros, de aprenderem qualquer coisa com os menos inteligentes ou virem sequer a sentir culpa pelo seu comportamento.
Tenho uma teoria. Só minha. Idiota qb, e que vale o que vale. Como somente os idiotas têm certeza de tudo e garanto-vos, digo isto com certeza absoluta. Demasiada inteligência aniquila o lado sensível, colorido e emocional do ser humano. Torna os génios, racionais, focados, apáticos para o exterior, bloqueados para a vida e para os outros, gente sozinha e infeliz.
Sempre orgulhosamente e inteligentemente sós!



