sábado, 17 de outubro de 2015

Felicidade vende-se a preço de saldo...

Quando um dia em pequena perguntei à mãe, cheia de curiosidade das coisas dos crescidos o que era isso do amor, ela de pano da loiça na mão olhou para as três irmãs que a ajudavam a arrumar a cozinha, e respondeu-me a rir e com o ar mais sarcástico do mundo que amor era uma pomada para limpar metais da marca Coração.


Nunca percebi muito bem o que ela queria dizer com aquilo já que estava casada e ainda continua e pelos vistos satisfeita com a vida que tem. Foi há muito tempo, os tempos eram outros e muita coisa mudou segundo parece.

Ontem no trabalho falava-se animadamente de amor e quando no meio de uma discussão acalorada como deve ser uma discussão sobre o amor, alguém fez a mesma pergunta óbvia que eu um dia fiz, o que é isso do amor - uma das colegas presentes disse que não havia nada que saber, o amor era um pão! Podia ter dito que era um travesseiro de Sintra, uma torta de Azeitão, quiçá um fofo de Belas, mas não, disse convictamente que era um pão. E depois justificou. Começa quente, fofo, a cheirar a frescura e vontade de comer e acaba rijo, intragável, a cheirar a bolor e a exigir esforço para mastigar. 

A colega em questão é casada, mãe de duas meninas e feliz segundo parece. Tenho dificuldade em entender quem come pão bolorento, bafiento, daquele que custa a engolir e faz mal aos dentes. Mas isso sou eu claro. Sempre tive como única escolha na vida que o pão se for como o amor quer-se pelo enorme prazer de ser saboreado. 

Passaram 30 anos sobre a minha pergunta. Continuo sem perceber.

22 comentários:

  1. O amor é um sentir que ocupa o nosso pensamento a maior parte do tempo, quer queiramos quer não.
    Amar é a acção de deixar a nossa alma fluir na direcção da pessoa amada e depois colher o prazer de a ver feliz.
    Ser amada é sentir a alma de quem nos ama entrar no nosso coração e nele plantar uma luz que nos faz sorrir por dentro.
    (gosto tanto dessas latas, acho-as demasiado bonitas para o conteúdo e isso sempre me intrigou)
    Um beijinho, AC.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Susana Rodrigues: Sei o que é amar. Sei o que é deixar de amar também e querer lutar contra isso. Sei o que é desejar muito ser amada. Sei o que não é ser amada na mesma proporção também.

      Sou uma rapariga "sábia" nas coisas do coração.
      Beijinho

      Eliminar
  2. Acho que perdemos muito tempo a tentar percebe-lo e pouco a vive-lo ;)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Shiver: Por acaso concordo contigo.Pensamos demais e vivemos de menos. Queremos razões para tudo, queremos quantificar sentimentos,e apelamos à lógica e à razão. Há coisas que simplesmente são para viver, sem mais razão ou perguntas e a vida encarregar-se-à de nos dar as devidas respostas.

      Eliminar
  3. Respostas
    1. Rick Forrestal: Yummy! Yummy!
      Love for all:))

      Eliminar
  4. sei calcular a primitiva da função logarítmica... agora essa coisa do amor!...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Manel mau tempo: Olha eu nem isso... Já soube mas já se me varreu. Quanto às coisas do amor vivo-as à medida que surgem, aposto no que me faz feliz, não faço perguntas, não procuro respostas e quando acabam sigo o melhor que consigo o meu caminho. E comigo tem funcionado.

      Eliminar
  5. Para mim foi e continuará a ser uma cadela branca, apesar de já não fazer parte deste mundo.
    Gosto dessa de limpar os metais :) mas também gosto desta: http://mortalerosa.blogspot.pt/2015/10/livros.html (deve ser por estas e por outras que também nunca vou saber o que é)
    beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ana: Acredito que encontrar o amor como um dia o sonhámos é uma utopia. Raramente (há excepções claro) corresponde às expectativas que criámos e evolui no sentido que queremos. Amar é um trabalho diário, exige muito tempo e dedicação senão extingue-se e morre. Damos todos os nosso melhor mas nem sempre isso chega.

      Beijinhooooo

      Eliminar
    2. Curiosa a tua resposta, Ana, porque se alguma vez senti afecto profundo foi por um gato que, lamentavelmente, já não está no mundo dos vivos... mas cuja presença eu sinto em momentos difíceis.

      Eliminar
    3. Gata: E eu entendo-te tão bem. Os animais percebem tudo, sabem quando estamos tristes ou doentes...

      Eliminar
  6. Eu não estou equipada com esse acessório... E, diga-se, nunca senti amor, excepto da parte dos meus pais que acredito que sempre gostaram verdadeira e incondicionalmente. As restantes pessoas... lamentavelmente nunca senti que me amassem mas, diga-se, eu também nunca as amei. (you get what you give, so don't complain, baby!)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Gata: Eu já amei incondicionalmente. Um amor tão grande, daqueles de dar a minha vida por alguém mas depois o tempo passou, os anos passaram e esse alguém deixou de me cuidar, lutar por mim e eu sem saber muito bem como, um dia dei por mim e já não amava...mas mesmo assim ainda fiz um esforço para contrariar o meu coração e repetir a mim mesma, tens que amar, tens que amar... mas o desconforto era tanto, a tristeza tanta que resolvi partir.

      Hoje amo também mas já de uma forma muito mais egoísta, diferente... a minha forma de amar sem me magoar. Um amo-te muito diferente.

      Eliminar
  7. O que é o amor? The million dollar queston... Uma pergunta 'simples' com tantas resposta e nenhuma delas absolutamente certa...ou absolutamente errada... Eu sempre tive mais perguntas que respostas.

    Beijos ;)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. PM: Sinceramente acho que não há resposta para esta pergunta. Cada um vive o amor de diferente formas, com diferentes regras. Há amor para cada um de nós escolher...e será sempre amor se assim o quisermos.

      Beijinhoooo

      Eliminar
  8. É uma boa pergunta...continuo à procura da resposta. Ainda não me cansei :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pitada limão: Eu desisti da resposta. Vivo o amor à minha maneira, como bem quero e não acredito em clichés, nem contos de fadas, nem patranhas ...

      Eliminar
  9. Olá, é o primeiro comentário que faço aqui.
    Gosto do teu blogue por muitas razões, uma delas, e não é a menor, tem que ver com a tua profissão e o modo como falas dela.

    Quanto ao post, e já que se fala em guloseimas (o pão, para mim, é uma das maiores), diria que o amor é como um gelado do Santini quando era o velho Santini a fazê-los: provamos, gostamos, o gosto fica sempre connosco -- e queremos mais, do mesmo :|

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ricardo António Alves: Obrigada pela tua visita e pelo comentário simpático. És bem vindo. Senta-te e bebe um café vamos ter tempo para conversar.

      Gelados do Santini adoroooo, até de Inverno. Mas sabes uma coisa... se o amor realmente for como os gelados, se não o comeres depressa e te lambuzares todo de prazer a correr, ele derrete depressa. Vai-se num instante e depois não sobra nada...

      :))

      Eliminar
    2. Sim, sim, provar com toda a sofreguidão -- mas importa sempre que fique algo deese amor que possa ser retomado, uma e outra vez. Acho que só assim ele persiste. Mas, com dizes no comentário acima, não há fórmulas:é preciso uma boa dose de sorte, e também de alguma experiência que a vida traz. :|

      Eliminar
    3. Ricardo António Alves: Eu sou uma descrente em quase tudo, e não acredito em formulas mágicas ou regras para se ser feliz. O amor é sempre bom enquanto dura e essa é a única verdade absoluta.

      Eliminar

Diz aí nada ou coisa nenhuma.