quinta-feira, 30 de abril de 2015

Lição número um....



Onde não puderes amar, não te demores.

Eleanora Duse

Por muito que te possa custar

Cambalhotas... esta merda não pára.

" Viver é...

Viver é uma peripécia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o ânimo e o desânimo, um entusiasmo ora doce, ora dinâmico e agressivo. Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida. Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera. Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde. Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital. A vida é um espaço e um tempo maravilhosos mas não se contenta com a contemplação. Ela exige reflexão. E exige soluções. A vida é exigente porque é generosa. É dura porque é terna. É amarga porque é doce. É ela que nos coloca as perguntas, cabendo-nos a nós encontrar as respostas. Mas nada disso é um jogo. A vida é a mais séria das coisas divertidas. "

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum' 

E a vida não pára. Nova corrida nova viagem. Neste carrossel meninas feias não andam, as bonitas não escolhem as voltas a dar. Mudou a escala na minha vida, mudou o horário e mudou o tempo que vou ter disponível para mim. É cada vez menos e já nem sei como contornar isto, e mais isto, e mais aquilo. Tanta porra de voltas sem parar. Sinto-me atordoada, confusa, baralhada das ideias, sem saber que volta hei-de dar para encontrar o meu equilíbrio e a minha alegria de viver em mais esta cambalhota que não pedi na minha vida. Sinto-me cansada, esgotada de tanto looping, de ora estar de cabeça para baixo, ora de cabeça para cima, sem poder escolher as voltas que quero dar. Fico tonta com tanto rodopiar mas quero acreditar que não vai ser mais este obstáculo que me vai fazer desistir, que vou ser capaz de dar a cambalhota da vida e voltar a ficar na vertical a olhar a vida de frente e na direcção que eu escolhi e que sei que me faz feliz  "Às vezes a nossa vida é colocada de cabeça para baixo para que possamos aprender a dar a volta e a viver de cabeça para cima."- Dizem por aí...

"Às vezes não é fácil,
Mas bebé...
 nós damos a volta, damos sempre a volta a tudo.
nós damos a volta, damos sempre a volta a tudo."

 Carlão  / Os Tais.


A ver vamos o que consigo, conseguimos fazer com isto..

terça-feira, 28 de abril de 2015

Conversas soltas...



Já disse aqui que estou agora numa equipa só de homens. Nunca ouvi falar tanto de futebol e de sexo como agora. E já começo a saber umas coisas. Quem joga com quem, os favoritos em cada liga, na liga espanhola, italiana, inglesa e etc. Já quanto ao tema sexo confesso que ainda não aprendi nada e tenho ouvido uns disparates bem interessantes. Esta noite sentados nos cadeirões da sala de pausa enquanto a sala de emergência nos dava um merecido descanso e a reanimação tréguas, ouvi da boca do Pedrinho (que tem uma namorada nova) as inúmeras qualidades da rapariga carregadas de adjectivos e superlativos. Fiquei a saber que é muitooooo gira, buéeee da fixe, super querida, divertidissíma, que cozinha divinalmente e até faz uns pratos inteiramente vegetarianos que o Pedrinho tanto adora, mas já no fim de tanto elogio e eu a bocejar com tanta perfeição saiu-se com esta afirmação - só é pena é não gostar lá muito de sexo.

Booommmm, olhei para ele e não deu para ficar calada, eu juro que tentei, mas não sou de ficar engasgada com coisas por dizer e tive que lhe responder, foi mais forte que eu. Sabes Pedrinho, não há mulheres que não gostem de sexo, há é muitos homens que não as sabem motivar suficientemente para isso. Aquela minha frase gerou controvérsia e muita polémica pela noite fora, com direito a muita discussão, opiniões variadas sob o prisma de diferentes géneros e escalões etários.

A Anatomia Feminina é muito complicada, é preciso conhecer mais que os quatro Pontos Cardeais para a orientação perfeita e não se perderem no destino. Saber o abecedário completo também ajuda, mas só se souberem ir do ponto A ao ponto B e por aí fora até ao G com muita calma, insistência, persistência e nunca desistência, para os mais distraídos traçar o destino previamente com a ajuda do gps também não é má ideia, mas depois têm de o cumprir à risca e nada de mudarem a rota enquanto a voz off da senhora diz, a calcular destino, a calcular destino porque senão perdem-se e nada feito.  Ou então simplesmente peçam ajuda e perguntem qual a direcção, não vem mal ao mundo por isso.

Quando o Pedrinho crescer, não em altura que ele já é mesmo grande, mas em cérebro, juntar factos, experiência, demasiada vontade em dar e receber prazer, e perceber que para o tango são precisos dois, bem sincronizados e de passo certo, ele vai achar que a namorada é danadinha para a brincadeira, e que até o desafia vezes demais...

E responder como alguém que eu conheço bem com uma gargalhada e um sonoro,  
- oh pah, hoje já me davas tréguas!

domingo, 26 de abril de 2015

Politiquices e esquisitices...

Por segundos liguei a televisão... e vi o Presidente da República do meu país dizer no discurso das cerimónias oficiais do 25 de Abril " os cidadões ", exactamente, assim mesmo, alto e bom som para quem o quis ouvir. (poderão dizer alguns coitado enganou-se, espero que sejam os mesmos que quando eu em vez de lhes dar um analgésico para as dores lhes der um laxante digam à minha chefia, coitada da enfermeira não a despeça, enganou-se).
Simultaneamente em nota de rodapé passava no ecrã que seria o seu último discurso como Presidente da República ...Valha-nos isso. Suspirei aliviada. Afinal foi apenas o seu último discurso em cerimónias do 25 de Abril. Engano meu. 

Já quanto a ele... há coisas que nunca mudam, tem sempre razão, nunca tem dúvidas e raramente se engana. 





quinta-feira, 23 de abril de 2015

Informação muito importante...




Uma gaja está a trabalhar, olha para todos os lados e só vê é miséria de todos os tipos, todo o tipo de porcarias e doença. Um ou dois cagam-se porque já não querem saber. Vem almoçar à sala de pausa para espairecer e a porra da televisão está ligada, por isso só vê é miséria de todos os tipos, todo o tipo de porcarias nas mais variadas formas de pulhice, muita gente a cagar-se para todos sem ninguém querer saber e gente doente da cabeça.

Pega no comando da televisão e muda para a Rtp 2. E não é que à mesma hora só dá programas de agua azulinha, muitos peixinhos coloridos, corais e fundos do mar absolutamente maravilhosos. Com um simples click elimina-se a porcaria no mundo e a vida em segundos torna-se no que deveria ser sempre, bela.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Ó Tio Patinhas tenho aqui uma dúvida...



Ontem fui jantar fora com um grupo de amigos/conhecidos e depois fomos ao cinema.Ao meu lado ficou sentado um gajinho e enquanto o filme não começava trocamos meia dúzia de palavras. Começámos por falar de neve, (ele também faz ski), viagens, os últimos locais a que cada um tinha ido e mais blá blá blá.

quando ele me diz...
- Então tu também viajas, quantas viagens fazes por ano? 
eu respondi...
- Tento pelo menos fazer uma todos os anos, às vezes consigo fazer duas depende, nos últimos anos não tive subsídio de férias e a coisa complicou-se. 
Resposta dele... 
-Isso é muito pouco, eu faço 12 viagens por ano. 
WTF?????? pensei eu.
- 12 viagens???? Percebi bem? Isso dá uma viagem por mês!
- Todos os meses tiro uns dias e faço uma viagem. Este mês vou a Praga.
- Todos os meses? Mas e o teu emprego permite esse fantástico luxo? 
 perguntei-lhe eu céptica de todo.
- Sou administrador de uma empresa e faço gestão de fundos de investimento.

Não percebi muito bem o que aquilo era mas tive vergonha de estar a perguntar mais detalhes. Não quis parecer totalmente ignorante, burra que nem um cepo em investimentos. Trocámos mais dois dedos de conversa sobre roupa, ele elogiou o meu vestido, e muitas mais banalidades. Antes das luzes da sala se apagarem reparei que usava uns ténis da Guess que tinha visto recentemente na loja da marca por mais de trezentos euros. E ficámos o resto do filme assim, caladinhos, atentos ao ecrã, a fungar de vez em quando (nós e todo o cinema) porque o filme é um choradinho do catano capaz de arrancar pedras da calçada e no fim ele " deixou tudo por ela, deixou deixou..." e ela deixa tudo por ele e são felizes para sempre.

No final do filme e já muito tarde, despedimo-nos todos e cada um rumou ao parque de estacionamento subterrâneo para ir para os seus carros. Calhou eu e o dito gajinho das 12 viagens por ano termos os carros no mesmo piso o -2, e sairmos do elevador no mesmo local. Ele dirige-se a um Porsche Cayenne branco de comando na mão e tungas entra no carro.

Fiquei aqui com uma série de perguntas no ar a remoerem-me o juízo. Um gajo tão novo que tem tanto dinheiro assim e que não é futebolista, nem construtor civil, nem tem pais ricos mas que caga milhões, só pode andar a vender droga certo?

segunda-feira, 20 de abril de 2015

A calcular destino...

Monte Rodel. ( foto tirada por mim) 



Na vida somos aquilo que deixamos que a vida faça connosco. Se cairmos ora bem, temos bom remédio... é levantarmo-nos, se sairmos da rota é redireccionar, se perdermos o norte é calcular destino... mas a palavra de ordem é sobreviver, prosseguir, e esquecer o que não temos para apostar em ser feliz com o que temos.


A vida é curta, demasiado curta, e toda a gente sabe que a morte e a doença moram ali na porta ao lado, por isso por aqui quebra-se regras, pisa-se o risco, arrisca-se demais, ama-se intensamente e de verdade, sente-se prazer sem pudores nem falsos moralismos, vive-se a vida, perdoa-se rapidamente, não se persiste na raiva, luta-se com unhas e dentes por aquilo que importa, dá-se valor às pequenas coisas, não se insiste no desgosto, não se magoa deliberadamente, tenta-se não trabalhar demais, aproveita-se tudo o que pode valer a pena, aceita-se a amizade desinteressada, não se exige nada, não se espera nada e não se valoriza a despeita. 

Sobretudo ri-se a bandeiras despegadas, e faz-se por nunca parar de sorrir por mais estranho que seja o motivo, mesmo os mais idiotas e desprovidos de sentido.
Pelo caminho e enquanto o meu gps de vida calcula o destino, sigo estrada fora pelo prazer em viver e em continuar a viagem...




sexta-feira, 17 de abril de 2015

Sem sentido...




Atenção.
Sentido.
Em sen-ti-do soldado!
Direita.
Volver.
Marche.

Alto.
Em frente.
Meia volta.
Volver.
Ordinário.

À vontade.
Destroçar.

em sentido mas sem sentido, volvida nas voltas da vida. meia volta, volta e meia. sem direita, sem esquerda. em círculos. marcho em frente como consigo. dois passos à frente, um passo atrás. sem parar. sem vontade. desistir é para meninos. destroçada.

São só [A] braços...





Gosto quando os teus braços se abrem num abraço como só tu sabes fazer, gigante para me receber, onde o tamanho dos braços não termina no abraço e a vontade de abraçar se estende muito para lá do carinho que sinto ou do aperto no corpo que me dás. Começo a sorrir assim que abres os braços, estremeço de desejo assim que os teus braços se abrem para me instalar e o meu corpo antecipa a vontade de ti no segundo em que me recebes de braços abertos. Infantil, puro, simples, genuíno. Sou feliz como nunca fui quando aninhada nesse abraço permaneço protegida, quente, mimada, especial. Antes, durante, depois, muito depois. Transformas-me com apenas um abraço, deixo de ser quem sou, arisca, independente, desligada, fria, para gostar de ser frágil, dependente, tua. Fazes-me sentir especial. Usas os braços como um prolongamento do cérebro, presos ao coração. 

Faltam-me os teu braços.

Coisas que gosto muito

De quem escreve muito bem...

daqui

A ciência da ausência



Terei que começar pelas palavras, sei que estão contigo, por isso me faltam. De ti guardo um cabelo que moldei de um fio de sol, um sorriso que encontrei na curva de uma onda, o aroma, extraído da fragrância de uma pétala. Por ti, busco na ciência o modo de te reconstruir a partir do que tenho — não encontro, não há elixir, processo ou encantamento. Para te recriar, crio uma ciência, a da ausência. Transformo as minhas horas de viver em horas de sonhar — a minha ciência é moldar sonhos. Neles, replico cabelos, sorriso, aroma; neles, as imagens em mim, tornam-se a matéria de ti. Na minha ciência escôo as horas, olvido a ausência, ofusco a saudade. E luto, a cada hora, luto, a cada minuto, luto, contra o maior inimigo de mim: despertar.

Me-do! Muitooooo medo.




Este mês já 5 colegas minhas de trabalho informaram as chefias que estavam grávidas. 

Pensei para mim em voz alta. 

Não te sentas nas cadeiras, não tocas nas paredes, não bebes água da torneira que esta merda é moléstia só pode e pega-se. 

Ou então o Inverno foi muito frio e foi preciso aquecimento natural, ecológico e biodegradável de baixo custo.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Transparência...





ontem alguém que gosto muito disse-me:

Quanto a ti... Mmmmm... 
Cheira-me que te meteram uma agulha entre as costelas. Aquela dor que incomoda, e não deixa respirar?!


ri-me sozinha. Mas a verdade é que me questionei como é que do lado oposto da minha vida alguém pode ver-me tão bem.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Sem ninguém ver...




São duas da manhã e faz frio. Mesmo assim decido ir ao pátio apanhar ar. Muitas horas de hospital e cheiro a doença entopem-me as narinas. Cheira a suor e a corpos misturado com desinfectantes. Falta-me o ar e sufoco. Sento-me num degrau de pedra da entrada, agarro os joelhos e deixo-me ficar assim sozinha, um bocadinho aninhada em mim, meia sonolenta no escuro a ouvir o absoluto silêncio que me traz a noite ser interrompido pelo ruído muito ao longe de vozes na minha Unidade que não identifico.

Levanto a cabeça. Assusto-me. No escuro vejo um vulto a andar de um lado para o outro. Com os olhos habituados à escuridão reconheço o Artur, tem 46 anos e é meu doente. Meu é uma palavra que utilizamos na gíria profissional mas que não quer dizer grande coisa. É doente dele mesmo e do hospital, faz entradas por saídas, vai e vem com o frio do Inverno, com os pólens da Primavera, com o calor abrasador do Verão e as chuvas do Outono. Tem uma doença grave e sempre que algo se altera no seu frágil estado precisa dar entrada na urgência e de cuidados médicos imediatos, oxigénio, alimentação parentérica (porque mal se consegue alimentar), reposição de níveis hídricos e mais e mais. 

Tem um tumor da faringe e já lhe foi retirado quase metade da oro faringe, inclui isto parte da boca, língua, maxilar inferior e ramo ascendente da mandíbula à esquerda. Tem uma dificuldade respiratória extrema e num dos últimos internamentos foi preciso fazer-lhe uma traqueostomia de urgência para que conseguisse respirar. Olho a imagem dele no escuro e comparo-a com a imagem do homem que sei que já foi. Agora quase esquelético, pele acinzentada e macilenta, meio curvado, a face sofrida praticamente destruída e irreconhecível pelas cirurgias que lhe levaram a cara mas deixaram o tumor. Observo à distancia como fuma um cigarro às escondidas, segura o cigarro nos dedos magros e a tremer, coloca-o na metade da boca que lhe resta, e sofregamente suga-o como se sugasse prazer e vida. Saboreia-o. Pelo orifício da traqueostomia numa visão aterradora sai uma baforada de fumo que se levanta no ar. Levanto-me num salto para lhe ir ralhar, já levo as palavras na boca e penso em voz alta - que profundo disparate alguém com um tumor da laringe estar a fumar. Mas depois calo as palavras, guardo-as na caixinha das moralidades bacocas e sem sentido, sento-me outra vez e não lhe nego o prazer enorme daquele cigarro fumado às escondidas. Sem ninguém ver.

É que ele não sabe o que eu sei. 
E tempo para ver as estrelas, apanhar frio e fumar, é coisa que ele já não tem.

Breve, brevíssima assistolia...



A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver.

José Saramago

Falha do ritmo cardíaco, interrupção da actividade eléctrica do músculo cardíaco e consequente paragem cardiorespiratória observado pela linha isoeléctrica presente no monitor cardíaco e detectado na ausência de pulso. As causas podem ser diversas, mas é possível reverter a situação com manobras elementares de suporte básico de vida ou com recurso a equipamento de suporte avançado de vida. E claro muitos fármacos. Adrenalina e a Noradrenalina. Porque será que a Adrenalina e a Noradrenalina são o estimulo que faz mexer a vida, controlar os batimentos cardíacos, estimular os neurotransmissores do humor e da felicidade e decidir da vida ou da sobrevida ou até da não vida? 

Deve haver uma explicação para que não se possa viver sem adrenalina nas doses recomendadas. Nem sempre o esforço resulta, mas vale pelo que a vida representa e porque desistir é sempre muito pior que lutar. Morre-se mas com a sensação de dever cumprido, lutou-se até ao fim.

Janelas abertas ao que a vida me oferece. E tenho tanta coisa para viver e tanta vontade de o fazer.

A coisa, das coisas que afinal somos...







Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.

José Saramago


A coisa que somos e que só nós entendemos ser, nem sempre é bem a mesma coisa que os outros entendem de nós. E por muito que nos esforcemos raramente correspondemos às expectativas do que os outros esperam, ou ao que os outros querem de melhor para nós. Se tivesse a capacidade de seguir bons conselhos talvez na vida tivesse poupado metade dos tombos e das feridas que trago marcadas no corpo mas seguramente teria vivido muito menos, ou teria tido os picos de felicidade incríveis que já tive, e certamente não teria tido os momentos únicos, tão especiais que guardo só para mim. Conscientemente fiz sempre o que naquele momento me faria feliz, e por muito que queira mudar, a coisa que eu realmente sou não me deixa ser aquilo que os outros gostavam que eu fosse e que de fora com uma percepção nua e crua do que me rodeia vêem, e com outros olhos, metade da visão, ou lentes bi focais analisam o que eventualmente eu poderia ser. Uma coisa é certa, jamais seria feliz vivendo como não sou.


sábado, 11 de abril de 2015

Ao meu anónimo fofinho que nunca me abandona, até nos piores momentos, ele está sempre lá e nunca me falha...




Se fosse possível explicar-te tudo, não precisarias de perceber nada.

Agostinho da Silva.




Afinal percebi que com muito menos trabalho também é possível fazer um blog. E o meu problema é mesmo a falta de tempo. E claro, às vezes a falta de ideias. Mas hoje passou por aqui um anónimo fofinho que me deixou uma excelente ideia e assim do nada fez-me ver isto dos blogues como a realidade do que na verdade são. Apenas blogues. Porcaria de blogues onde dizemos o que nos vai na gana, às vezes em frases com sentido, outras só mesmo pelo prazer de desabafar, provocar, agitar águas, ou falar só por falar porque é isso mesmo que nos apetece.

E por aqui não se cumpre ordens só se faz mesmo o que a mim me apetece.
Claro que prometo caro anónimo.:)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Sabem a decisão que tinha vindo a adiar? Pois hoje foi o dia...


"Sou o que tem para hoje. 
Tão carente internamente e tão verdadeiramente impenetrável. Mantenho as portas fechadas para o mundo e reclamo que não há quem queira forçar a entrada. 
Sou o que tem para hoje. 
Nunca a primeira opção, nunca o suficiente, sempre inconformada e às vezes insatisfeita, mas não há o que fazer. 
Sou o que tem para hoje, para mim."
 
(anónimo)

Este blog sou eu. Depois de quatro anos de existência fazendo parte da minha rotina quase todos os dias, com muitas estórias de trabalho contadas, alguns segredos partilhados, paixão avassaladora pela vida e muita vida vivida, preciso deixar partir este pedaço de mim. Já tinha pensado nisso mas fui adiando porque com toda a franqueza é-me muito doloroso, quase tanto como uns valentes chapadões na tromba. Mas a vida é assim, um lugar comum, vulgarzinho, onde toda a gente sabe que é preciso encerrar portas para se voltar a abrir outras, ou só uma janela. Fui perdendo com o tempo alguns dos primeiros a chegar aqui, os que me acompanharam na escrita atabalhoada, nem sempre bem escrita, explícita ou correcta. Fui dando apenas o meu melhor. O que perdi toda a gente sabe que não se recupera. Aos que ficaram e acompanharam-me em palavras trocadas, nos momentos bons e nos outros que também foram muitos, espero apenas ter sido uma boa companhia. Agora sigo caminho sem mais lamechices que eu sou uma rapariga que odeia despedidas.

Sejam felizes. Vivam-se.