quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Desculpe lá qualquer coisinha, tá?




O pior papel a que uma mulher se presta é, 
" se você mudar de ideias eu estou por aqui".

Tati Bernardi

Por aqui não há espera, não se espera por nada, e muito menos por ninguém. Nunca. Está quem está, fica quem quer. É o lema da casa. Não se prende ninguém, não se amarra de nenhuma das muitas formas que nos vendem por aí, com anilhas, responsabilidades, chantagem, artimanhas femininas e muitas outras que são demasiado criativas para a minha imaginação.

Não permito regressos ao passado, não abro portas que já se fecharam por muito que queiram. Santos que caíram do altar e já não fazem milagres, não servem para padroeiros na minha paróquia. Sou assim. Ontem tive um deja vu, alguém do meu passado quis entrar de mansinho pela porta da cordialidade e da amizade que ficou. Não estou a fim. Se há coisa que eu gosto e capaz de me cativar, é gente que se preocupa comigo, gente para quem o facto de me poderem magoar importa. E gosto ainda mais de gente que no dia a dia, em pequenos gestos demonstra isso. Acho até que essa é a fórmula para me chegarem ao coração, ou ao cérebro, ainda não percebi muito bem qual deles manda no meu corpo e me controla a alma e as emoções.

Será essa a única razão que me aproxima ou afasta de pessoas. Gosto de quem me gosta e cuida, afasto-me de quem me magoa, ignora, ou ausenta-se voluntariamente. Sem mágoa, sem dramas. Convivo bem com isso. Nos primeiros tempos com alguma tristeza evidentemente, adaptando-me gradualmente dentro do limite das minhas enumeras fragilidades mas entendendo sempre que não sou especial em nada e que tenho que viver com isso. Faz parte. Não sou um aeroporto, aqui não há partidas e chegadas, não há chegar para voltar a partir, não há espera pela possível próxima viagem, e muito menos voos de ligação para destinos que já visitei.

Substituo pessoas que já me substituíram.

quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Second level...


Deves primeiro aprender as regras do jogo. 
E depois se tiveres a pretensão de ganhar alguma coisa tens que jogar melhor que todos os outros.

Albert Einstein

Não gosto muito de videojogos. Nunca fui fanática por jogos de consola mas confesso que me fascina a singularidade da linguagem das emoções. Vejo-me num desafio de perícia e atenção, concentradissima. Numa luta constante que me deixa sem forças. Luto comigo mesma em primeiro lugar e depois com os adversários que me dificultam as entradas e atravancam as saídas. Temo os erros sem saída, e dou por mim a suspirar pela próxima saída.

Já contornei várias rotundas, dei voltas e voltas sem sair do lugar, já saí de pista e perdi o bólide e o lugar na competição e tive que recomeçar o jogo do inicio, não tenho muito jeito para matar transeuntes, agentes da autoridade e pedintes que se atravessam no meu caminho, mas somei pontos, ganhei duas vidas e finalmente estou pronta para passar ao segundo nível.

Venha ele...

sábado, 16 de Agosto de 2014

Mais uma voltinha no carrossel. Meninas bonitas não pagam e as feias não andam...




Este ano as minhas férias foram curtas e nem por isso aquilo que eu queria que fossem. Não foram nem de longe aquilo que sonhei. Foram as possíveis. Não consegui acertar timmings, não consegui ter o X man mais tempo por perto para além dos dias que passamos juntos nas férias de neve na Suiça, e um fim de semana ou outro, quando os horários chanfrados de cada um de nós o permitem e os meus turnos e os serviços dele fora não arruínam o esquema. Este ano a alminha pôs-se a fazer obras em casa, a pintar, lixar, e o raio e o tempo foi curto para tanta treta, e mais curto ainda para mim. Para o ano se verá. (...) Se ambos ainda cá estivermos. Gostávamos de ir juntos aos Açores, não conheço nenhuma ilha dos Açores ainda, e há uma boa hipótese de este sonho se concretizar. A ver vamos. 

Tenho ainda uns dias de férias, lá para Outubro. Andava aqui às voltas com o que havia de fazer com os dias que me restam. Apetecia-me uma viagem, (apetece sempre), ou não fosse eu uma sagitariana cheia de pica, e costumo sempre ir para qualquer lado fora do país nesta altura do ano, mas o dinheiro está curto, remodelei a casa toda para onde me mudei em Julho e não estou propriamente folgada em termos financeiros, gastei o subsidio de férias e algum dinheiro que estava a juntar para ir em Janeiro a Nova Iorque... Foi-se. Evaporou-se. Dizem que o dinheiro é água, escorre pelos dedos, já o meu sublima-se. Passa do estado sólido a gasoso em segundos, sem passar pelo liquido.

Meia perdida entre o que gostava muito e que o que a vida me permite fazer, fui surpreendida por uma proposta bem gira de um amigo. Agarrar numas roupas, numa mochila, uma tenda, uns sacos cama, umas paletes de água, meter tudo no carro de um de nós, e irmos à aventura por aí fora. Sem destino, moeda ao ar, Norte ou Sul. Fiquei em pulgas, fiquei com o bichinho atrás da orelha. Gostava tanto... Ainda não acertámos pormenores, ainda não sei sequer se as férias de ambos se conjugam, mas lá que gostava, gostava. O meu cérebro empurrou logo o meu corpo. Vai, diverte-te, aproveita a companhia.

Estou feliz. Ando a mil à hora. O corpo num perfeito desassossego. A levitar completamente. E acabei de dar pela tua falta agora mesmo (mais uma vez) para me segredares ao ouvido; miúda onde vais, põe os pés no chão. E a acompanhares a frase com um enorme sorriso malandro e o gesto das mãos como se estivesses a puxar uma corda. Hoje não quero saber. Ainda falta muito para Outubro???
Ai a porra da vida!

sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

Coisas que só eu entendo...




Meu anjo da guarda, guarda-me de noite e dia.
Guarda-me a mim. E de mim.
Guarda-me à ida e à volta. Nos dias cinzentos em que o corpo estremece de frio, e os nos dias de calor e sol intenso em que o corpo só me estremece de desejo. Deixa a minha alma protegida e o meu corpo saciado. Enche-me de vida e de gargalhadas. Estende-me os braços e ampara-me com as mãos. Beija-me com ternura e entende-me com o olhar. Ouve-me com atenção enquanto o rio me embala os segredos. Segura-me.

Puxa-me para ti tudo o que conseguires.

Meu anjo da guarda olha por mim. Olha para mim.
Fica por perto porque à tua guarda sou imensamente feliz.

quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

A minha vida a cores...




"A verdadeira generosidade com o futuro, consiste em dar tudo ao presente".
Albert Camus

Azul
a cor do meu elemento preferido - o mar, e do céu estrelado nas noites de verão. A cor predominante no meu roupeiro, a cor das calças de ganga que visto confortavelmente quase todos os dias, do lápis com que sobressaio a cor dos meus olhos. Da forma como me posiciono na vida, céu limpo sem nuvens, temporariamente nublado à espera de melhores abertas, mas sempre céu azul.

Branco
a cor que me define. Revela simplicidade, bem estar, gosto pela vida. Desta cor são também as paredes da minha casa, de todos os móveis que tenho, do sofá da sala, da capa do meu edredão. Lembra-me velas desfraldadas ao vento, veleiros de casco branco, cordas, praias de areia clara, espuma das ondas e cheira-me sempre a Verão. Com ela invade-me a paz, a serenidade de um lar, ao longe oiço os sons da música Chill Out e relembro momentos de paixão.

Ou recorda-me as fardas de trabalho, com que me visto e dispo todos os dias.



Castanho, 
a cor dos meus olhos, do meu cabelo, o tom das folhas no Outono, a lembrança dos primeiros dias de vento e frio, a cor dos campos sem fim no Alentejo. Do café quente e cheio de creme com que início o dia. Também a cor do chocolate, dos gelados Magnum na esplanada do hospital acompanhados de gargalhadas e piadas parvas, dos After Eight ao serão, ou do topping na diversão. Da cor dos teus olhos, profundos, onde me perco no teu olhar sem me conseguir encontrar.

Vermelho, 
a cor provocação, que desafia, desperta, queima. A mesma do fogo, da paixão, do desejo, das minhas unhas, de dois dos meus vestidos, do Capuchinho Vermelho que foge a rir do lobo que o quer comer, a cor que informa hoje e agora - sou gaja. Sou boa. Dos meus frutos preferidos, morangos, cerejas, amoras, framboesas, mirtilos, romãs. Do vinho que saboreio numa conversa.
No meu dia a dia vermelho também o sangue de quem sofre.


Laranja,
a cor do maior espectáculo da natureza - o pôr do sol, do entardecer, das arribas no litoral, das bolas com creme na praia, do sumo que bebo ao pequeno almoço acompanhado com croissants quentinhos ou torradas em pão alentejano, e a imagem que retenho do deserto com a areia revolta, o calor tórrido, e o vento Suão quente. Das laranjas doces do Algarve compradas na beira da estrada.


Verde, 
da bandeira do meu país, do meu orgulho em dizer que sou portuguesa, da esperança em melhores dias. Dos gradeamentos e portões da casa dos meus pais. Da relva cuidada no jardim que um dia, há muito, sonhei ter. Do meu Sporting sempre perdedor. E por acaso a cor que menos gosto.

Preto, 
de aquelas que foram as batas do meu colégio, dos meus pesadelos quando tenho medo, do abismo profundo por onde caio quando adormeço, do meu carro e único luxo do qual não prescindo, da escuridão que me acompanha nos imensos corredores do meu local de trabalho, do medo que tenho de falhar.
E também da cor da morte que nunca me abandona.


Rosa,
a cor das meninas que eu sempre detestei, do meu quarto em casa dos pais, dos vestidos com laçarotes e tule, das sapatilhas de ballet que me enfiavam nos pés, das gomas que adoro, dos marshmallows, do algodão doce, dos sonhos, do amor que é feliz, e da sensação de bem estar que me invade quando acredito que a vida é perfeita.

Amarelo
a cor do Sol que me anima, que me ilumina e aquece, das limonadas ao lanche em casa das amigas depois de jogar à apanhada ou à cabra cega na infância, das imperiais bebidas com amigos e intercaladas com gargalhadas e boa companhia, ou a cor dos sorrisos que chateiam, dos likes, e a definição que uso para gente que não me interessa.

Este é um retrato de mim,  sincero e repleto de cores...