domingo, 23 de Novembro de 2014

Homens com sentido de humor...




Nem sempre os piropos são mal intencionados, badalhocos, e vêm de gente bronca e sem educação. Muita tinta já correu sobre este tema e muita gente, até gente importante segundo parece, falou sobre isso. 

De vez em quando a criatividade masculina surpreende-nos.

Ontem à noite...
Eu e a minha amiga Rita ao entrarmos num restaurante onde se encontrava um grupo de homens gajos giros à porta.

- Olha as Torres Gémeas!

Não resisti a olhar para trás. E as duas desatámos a rir...
E por um instante soube-me bem voltar a ter 20 anos.

sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

A cor das tuas cuecas...


Gosto delas brancas. Gosto delas pretas ou azuis escuras. Sempre boxers. Podem até combinar na cor com uma t-shirt interior, mas serão sempre lisas, bem justas. Em algodão ou lycra. Gosto de despir as ditas. Devagar ou depressa depende do que me apetece. Posso até não usar as mãos e usar a criatividade. Como eu gosto disso. Gosto de as ver. Com olhos de ver.
Ontem soube de que cor eram. Hoje não. E dei por mim sem conseguir dormir. Com uma dúvida existencial que me tira o sono e leva o sorriso. Não queria admitir, e só muito a custo o reconheço, sinto falta de saber a cor das tuas cuecas. Não sei se será amor, não gosto de dar rótulos às coisas, não sei se será mera curiosidade de mulher, mas saber a cor das tuas cuecas tornou-se uma obrigação na minha vida. Todos os dias.
Amanhã vou saber. Depois também. Mas e hoje?

Mostra-me o teu amor.
De que cor são as tuas cuecas hoje?

quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

Não posso fingir...



Não posso fingir,
Um gesto que faça, um olhar,
Vês logo se estou a mentir,
Já sabes que volta me dar.
...

Já sabes de mim
mais do que devias saber,
mas olha ainda bem que é assim,
para o caso de um dia eu me perder.
...

Afasta de mim,
Ou faz-me um sinal a tempo,
Há coisas que digo e que faço
E que depois me lamento.
...

Foi sempre meio tremida
A linha da minha vida.
Guarda as chaves do jardim,
Sou suspeito.

Guarda o que resta de mim
Junto ao peito!

Ser Suspeito - Paulo Gonzo.

segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

Coisas fantásticas...


"Uma peça de roupa, duas molas da mesma cor. 
E repetidamente sempre assim. E se chegar ao fim e só tiver duas molas diferentes volto atrás e mudo uma das que só prenda uma peça de roupa e que seja da mesma cor."

Um segredo partilhado baixinho só para mim.

Na vida, tal como nas pequenas coisas, que até podem ser só molas de roupa, temos as nossas coisas, temos direito a sermos nós, mesmo que aos olhos dos outros o que é nosso pareça diferente, ou absurdo.

Gosto dos segredos das pequenas coisas. Sigo imensamente feliz com o que me faz feliz.

sábado, 15 de Novembro de 2014

Uma absoluta estreia na minha vida...





Este ano tem sido o ano de todas as estreias, das grandes novidades. Nem todas boas. Algumas francamente más. Ontem chegou mais uma por volta das três da tarde quando saia de um hospital para ir para outro. Chovia bastante, o carro à minha frente parou numa passadeira de peões, eu ia distraída com a minha vida, Mea Culpa, a pensar com os meus botões ou na morte da bezerra, travei, o piso estava molhado e fui embater contra o carro da frente. Ia a menos de 50 km, tanto que nenhum dos airbags disparou, mas foi o suficiente para partir a frente do meu carro toda. Como sou uma rapariga cheia de sorte, o carro da frente era uma carrinha de mercadorias que apenas sofreu uma mossa no pára choques, já eu fiquei mesmo por ali, com o radiador a perder água e metade da frente do carro em peças pelo chão.

Passado o choque imediato - duplamente meu e do carro - porque nunca tinha batido e tenho carta há muitos e muitos anos, tentei organizar-me. Avisar o hospital que ia faltar, contactar seguradora, pedir assistência em viagem, fazer declaração amigável, chamar reboque, contactar oficina de reparação, acompanhar o reboque para a oficina de reparação, alugar um carro de substituição o mais barato possível, ir levantá-lo ao aeroporto, ir ao concerto ao Meo Arena para o qual já tinha bilhete há meses e tentar voltar à normalidade da minha vida e dos meus dias. Parece fácil, mas não é. Foi um dia muito duro. Cheio de tijolos arremessados do ar com muita violência, algumas lágrimas, impotência para solucionar o que não tem solução, e muito medo em relação ao futuro.

Mas disto tudo e sem me lamentar um segundo do que me aconteceu. Aconteceu e pronto. Retiro uma grande lição. Quem está cá para mim, estará sempre cá para mim de alma e coração e essa é a verdade inquestionável que me fez sorrir. Telefonei para o hospital a avisar que ia faltar e desde os meus colegas de equipa, aos não colegas de equipa, ao chefe de equipa, à coordenadora, recebi dezenas de telefonemas na hora, preocupados a oferecerem-se para me ajudar, para me apoiar, para me fazerem turnos.

Telefonei de imediato ao meu ex porque ele entende-me melhor que ninguém, conhece-me por dentro e por fora, e ele demorou 20 minutos a chegar ao local, largou tudo, o trabalho, ficou sem almoço, e disponibilizou-se para me acompanhar em todas as voltas que foi preciso fazer. Esperou no carro de quatro piscas ligados em frente ao aeroporto que eu fosse buscar o carro e finalmente me visse entregue e bem. Despediu-se de mim sem cobranças, agradeci-lhe, e no fim disse-me olhos nos olhos - estarei sempre cá para te apoiar. Senti isso. Ao meu maior amigo que fez uma viagem de quase 40 quilómetros, gastou portagens, gasóleo para chegar perto de mim, foi ele que me arranjou a oficina, que me levou no carro dele à frente do reboque a mostrar o caminho, perdeu tempo do seu precioso tempo... há coisas que não se pagam. Ao X man que faz parte da minha vida que me atura a tpm, as muitas birras, (não tenho um feitio fácil), mas segura-me com as duas mãos, com muita força, sem me deixar cair, e ouviu os desabafos, motivou, confortou, e apoiou em cada segundo desta longa história.

Resta a noite de um dia muito cansativo. Foi uma noite fantástica, acompanhada de uma das minhas grandes amigas, com direito a jantar a duas, confidências mútuas de que quem não tem muito tempo para falar do que lhe vai na alma e aproveita quando pode sem reservas, muitos e muitos segredos partilhados, carinho, um abraço sem fim e depois um noite de concerto monumental cheia de alegria, vozes misturadas, e corpos que se agitam sem pensar em tristezas. Sou feliz.

Sabem que mais? Podia dizer que tive um grande azar... mas prefiro dizer que: 
porra sou uma gaja cheia de sorte. 
E sou mesmo!