sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

E aguentas? Aguenta aguenta, e não pia.




Sexta feira à noite vou à descoberta da jazida das pegadas dos bichos grandes e já extintos.


"No dia 24 de Abril de 1981 no decorrer de uma aula de campo de Cartografia Geológica, na Praia Grande, Sintra, José Madeira, na altura estudante do quarto ano de Geologia e hoje professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, descobriu uma nova jazida de pegadas de Dinossauro de idade cretácica. Estas pegadas, com cerca de 110 a 115 milhões de anos, situam-se em bancadas quase verticais no topo sul da Praia Grande e tornam-se particularmente evidentes quando iluminadas com luz rasante.
Esta jazida é constituída por um total 66 pegadas, das quais 51 distribuídas por 11 rastos, parecendo as restantes estar isoladas. Os rastos parecem ter sido feitos por animais bípedes."

Corresponde a um total de 10 km, efectuada à noite numa zona de praias.

No sábado, durante o dia vou fazer a Rota da Capital do Surf. Arribas, grutas, areia e mais cheiro a mar. São 15 quilómetros no total, com partida da Capela de São Sebastião.

Domingo, vou descobrir a Lagoa Azul, num trilho de lagoas, penhascos e casas abandonadas numa extensão de 9 quilómetros
...

Não há olhos cegos, nem ouvidos surdos, iluminada pela luz natural da lua ou pela fraca luz de uma lanterna os olhos habituam-se aos lugares, presentem o chão e inventam o caminho que os pés precisam. Os olhos passeiam-se pelos lugares e guardam as memórias do pouco que viram mas muito sentiram. O olfacto faz o resto. Cheira a terra molhada, a musgo, a folhas e a canaviais. Sente-se o barulho constante da água por ali, não se sabe onde, a correr. A variedade de cogumelos selvagens é tanta que pintam de cor o chão, misturam diferentes tonalidades de castanhos com amarelo torrado, vermelho vivo e cinza. Às vezes chove, mas as copas das árvores em segredo abrem o guarda chuva e retêm a maior parte da água, também estendem troncos e ramos e pregam-me rasteiras enquanto eu curvada perfilo-me num carreiro que espero que me leve a algum lado.

Tenho muito que andar, tenho muito para ver e mesmo que o corpo me peça descanso, a companhia e o espírito de aventura que fazem parte de mim vão-me sempre empurrar para continuar. É mais forte que eu. Arranjei a companhia certa. Gosto deste bichinho que me faz caminhar e cada vez mais chego à conclusão que preciso de muito pouco para ser ainda mais feliz.

Agora vou só ali entreter-me como eu gosto e volto já.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Perguntas difíceis...


6 dúvidas que me assistem.

Será que a senhora comprou os calções na secção infantil, tamanho dos 4 aos 6?
Será que saiu de casa e não reparou que lhe sobrava cu e faltava calções?
Será que é uma técnica para mostrar a estonteante tatuagem?
Será que tinha um corpinho danone, magro e esbelto e no percurso de casa à pastelaria engordou 20 quilos? 
Será que se acha assim vestida, gira e "munta" boa?
Será que comeu uma, só uma bola com creme e insuflou-se-lhe a peidola como quem enche um balão e aquilo pufff arreganhou-se tudo?

Esta visão tirou-me o sono. 
Não sei sequer se vou conseguir dormir com tamanha preocupação.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Em modo quase "de férias"...












Faltam três semanas, mas a palavra férias matraqueia-me a cabeça a toda a hora sem me deixar sossegar. Num estado de ansiedade e inquietação que me agita o corpo. Está quase. Falta o quase... Acordada ou a dormir só penso nos dias de descanso que eu e o gajinho cá de casa vamos finalmente ter para nós, com tempo, sem horários, sem responsabilidades de espécie nenhuma excepto curtir o lado bom da vida, sem bips de monitores a alarmarem nem besouros da sala de trauma, sem ordem numérica do meu primeiro e do meu segundo, em total desordem e anarquia sobre quem manda em quem. Sem regras também, só mesmo as nossas.

E como eu gosto disto!

E o que planeio fazer? É surpresa. Mais um sonho que espero conseguir concretizar. A ver vamos...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Confidências...



Abre os braços.
Estende-os num abraço. 
Sorris para mim. Obedeces. Já sabes o que quero.
Recolho-me em ti. 
Aninho-me no teu corpo e fundo-me na tua pele. 
Essência a tua, misto de cheiro a homem e quartel.

Adormeço feliz.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Estás bem?







Do what you have to do,
 until you can do,
 what you want to do.

Oprah


Tenho recebido dezenas de e-mails na caixa do correio de gente preocupada com a minha ausência e falta de tempo em aparecer. Passo a explicar...

Tem sido um inicio de ano atribulado, muito trabalho e quando digo muito, ponham lá muito nisso, sequências de turnos com mais de dezoito horas seguidas de trabalho, muitas delas em pé sem direito a pausas, quem vê noticias percebe do que falo, de forma que chego a casa e o que quero mesmo é um duche quente e cama. Muitas vezes nem sequer janto, quero lá saber de fazer comida, quero é vale de lençóis. Leio umas míseras paginas do livro que ando a ler "Observações" de Jane Harris e quando dou por mim estou a cabecear e a voltar atrás a ler frases das quais não percebi patavina do sentido por estar em modo morfeu.

Depois ( como já aqui disse ) aderi em pleno, de corpo e alma como só assim faço o que quero muito fazer, a um grupo aventura que faz caminhadas e trekking por esse Portugal fora. Já fiz a Rota dos lagos em Sintra, as Aldeias de Xisto a Norte de Portugal, o trilho das pegadas dos Dinossauros, a Tapada de Mafra, Trilhos da água, e mais alguns que não me lembro. Tenho quilómetros e quilómetros feitos, Estou a adorar. Adoro o grupo, adoro a descoberta na paisagem, o espírito de entreajuda e de camaradagem (ninguém fica para trás) e a amizade que se gera em situações adversas. Já conheci de Portugal os locais a que nenhum turista chega, ou onde o comum dos mortais nunca irá. 

Subi a pontos onde há um mês pensei que nunca conseguiria, ultrapassei os meus limites e o cu já me pesa muito menos, quando preciso de ajuda estendo a mão e peço, dezenas de mãos vão em meu auxilio, também já ajudei, e sou uma mais valia nas alturas porque sou das poucas que não tenho vertigens e a primeira a permanecer e a ultima a abandonar o local para ajudar quem tem medo de ver o mundo do alto. Dói-me tudo, descobri músculos que juro que nunca pensei ter, tenho as articulações dos ombros de içar o corpo à força de braços e ombros em modo uiiii, hoje mal me consegui pentear, mas estou a adorar. 

Sábado à noite há mais. Domingo não há porque faço tarde e noite e os meus trilhos vão ser outros. Tenho prazer em viagens que não sei para onde me levam, vou, deixo-me simplesmente ir à descoberta, em boa companhia sem grandes planos e sem pensar muito onde aquele caminho vai dar. Desfruto apenas e enquanto se mantiver o prazer não deixo de andar. Tem sido assim sempre na minha vida. Descobri mais uma estrada que não leva a lado nenhum, são quilómetros e quilómetros que não faço a mínima ideia para onde me levam mas está a dar-me um gozo tremendo em fazer e enquanto assim for toca a andar sem parar.

If you don´t know where you are going, any road will get you there.
Enjoy the ride.