quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

A nú...





A tua voz: "se um dia deixarmos de ser ridículos chegou a hora de nos separarmos".
E depois o teu toque. O teu cheiro, o teu suor, a absurda certeza de que o tempo só conta quando é tempo da tua pele. 
E novamente a tua voz: "se um dia o nosso amor fizer sentido, estarmos juntos não tem qualquer sentido". 
E depois o abraço - aquele que nem as lágrimas conseguem calar. Passar a língua por cada gota de prazer e saber que é aquilo, apenas aquilo, que faz sentido. As tuas pernas trémulas nas minhas, erectas. 
E então a minha voz: "só a absoluta insensatez é sensata quando te amo". 
E finalmente a tua voz: "fode-me até à última como se fosse a primeira vez".
E finalmente o amor.

Pedro Chagas Freitas

Não são precisas mais palavras. Já foram ditas todas. Nenhuma se gastou ou perdeu. Foram as necessárias, as correctas, as imensamente justas. Guardo para mim o que quero para mim. Lutarei até ao fim pelo o que um dia sonhei possível. Mesmo o impossível. Já estive muito mais longe, mas o facto de estar mais perto trouxe uma dor que talvez não consiga suportar. Sinto lentamente a deixar-me cair numa sensação de asfixia dolorosa, sem saída, a pique, que não me parece que traga algo de bom, mais puro ou mais genuíno. Comigo o mais nem sempre é mais, é quase sempre muito menos. É-me inato. Luto com todas as forças contra isso, fujo de mim mesma e dos meus próprios medos, mas seria muito pouco inteligente e desde logo uma batalha perdida lutar contra mim mesma. Não consigo mudar o que sou. O que pensam que sou. E aquilo que verdadeiramente sou mas que só eu sei. E muito menos ainda o que sou e não queria ser. 
Ficar ou partir? Dolorosamente não sei.

segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

Dos meus sentidos...





Para viajar basta existir.
Fernando Pessoa

Lisboa é uma cidade linda não tenho dúvidas. Tirei o dia para a sentir. Deixei-me envolver calmamente, com todo o tempo do mundo pelas esplanadas cheias de vida, o gelado saboreado no pontão junto ao rio, o cais de pedra, a limonada de menta servida num frasco de vidro, o Cais das Colunas, os mimos e tocadores de flauta que mostram serviço ao longo da Rua Augusta, o mágico que tira pombas da cartola, o lançador de bolas de sabão, e o dançarino em tronco nu que deixa escorregar uma bola de vidro pelo corpo enquanto faz movimentos sensuais. Ouvem-se muitas línguas, misturam-se culturas e gente de tanto lado. A cidade não pára. Eu parei para ver uma indiana de sari que molhava os pés no rio e ria às gargalhadas. O rio pregou-lhe a partida e com a passagem de um barco trouxe a ondulação que lhe molhou a roupa. Correu dali. Muito a custo deixei também para trás o rio e subi nas alturas à colina que me leva ao castelo. A pé. Sempre a pé que gosto de sentir o chão e observar as pessoas. Muitas pessoas sozinhas, muitos casais, muito poucas crianças. O sol queima-me os braços, faz tanto calor. Gosto deste Outono com sabor a Verão. Deito-me na relva e descalço as sabrinas que trago nos pés. Sinto o prazer de ter os pés livres. Bebo pela palhinha a limonada gelada. Sabe tão bem. Gosto da minha cidade. Gosto do imenso prazer de poder sentir tudo isto. Fecho os olhos e sinto o cheiro da relva molhada misturado com o perfume da minha roupa.

Anoitece cedo. Acaba-se o dia. Início o regresso a casa. Voltarei sempre. Trago na pele a minha cidade. Trago a memória de um dia feliz. Doem-me os pés.

sábado, 25 de Outubro de 2014

Foda-se....



 "A felicidade humana
 geralmente não surge com grandes golpes de sorte 
que acontecem apenas muito raramente 
mas sim nas pequenas coisas que ocorrem todos os dias".
Anónimo

Assim do nada. Estou lavada em lágrimas. E não é de tristeza. É de estar tão feliz.
O coração não me cabe no peito, o estômago está virado do avesso, as pernas tremem-me, e as lágrimas caem-me a quatro sem conseguir parar. Sim sou insensível, bruta como o raio, desligada, escudada pela minha profissão e pela minha própria sobrevivência. Acresce a isso o facto de ser muito independente e desde muito cedo. Sim sei da minha enorme incapacidade para demonstrar sentimentos, lido com isso como consigo. Nem sempre bem. 

Não paras de me surpreender. E não são detalhes.

Foda-se, fizeste-me chorar.

Assim do nada, umas quantas coisas sobre mim...






Gosto de cor nas unhas. Gosto de unhas azuis. Gosto de mãos arranjadas sempre. Não gosto de unhas grandes, nem de unhas de gel, e tenho pavor de uma coisa muito na moda. Nail Art. Macacadas nas unhas não é para mim, nem riscas,  nem brilhantes,  nem flores e mais tretas. Fiz este ano e uma única vez um desenho numa unha. Um floco de neve, por brincadeira e porque ia para os Alpes Suíços precisamente para a neve, e achei giro.

Já me apaixonei por um índio de Circo. É idiota mas é verdade. Tinha 13 anos e ele 16. Ele era de origem peruana, integrava uma companhia de Circo e tinha um numero arriscado em que atirava setas e facas. Fascinou-me. E eu sou assim, desde sempre o impossível e perigoso atraí-me.

Durante anos a minha profissão de sonho foi ser professora. Desde pequenina que sentava as bonecas e bonecos em cadeiras em filas pela sala fora em frente a um quadro preto e lhes dava aulas... e chapadas com fartura, e ponteiradas na cabeça. (ainda bem que não fui professora a esta hora decerto já teria sido despedida)

O homem mais bonito que conheci até hoje era Israelita. Esqueçam os modelos fotográficos e os actores da moda, este era bem melhor. Recebi-o na sala de trauma depois de se ter magoado nuns exercícios das forças especiais. Além de louro de olhos azuis e com um corpo de arrasar, lindo de fazer parar o trânsito e deixar uma mulher de boca aberta, era muito simpático (com um sorriso encantador) e estivemos bastante tempo à conversa. Que homem inteligente, bonito e muito interessante. Fiquei a saber umas coisas giras.

Sou orgulhosa. Mesmo orgulhosa. Já me apelidaram até da "Miss Orgulho". Gostava que fosse mentira porque é claramente um defeito, mas já tentei e não consigo mudar. E só quem me conhece sabe bem do que falo.

Nunca comprei um litro de leite. Por cada noite que faço no hospital recebo um pacote pequeno de leite. Guardo-os todos e chegam perfeitamente para os pequenos almoços que tomo em casa, sozinha ou acompanhada.

Nunca me envolvi com um colega de trabalho ou um médico. Nunca. Já ouvi muitas histórias, há séries, fazem-se filmes... mas eu tenho uma regra muito minha e que até hoje nunca quebrei. Onde se ganha o pão não há diversão.

Odeio essa coisa da moda. Sushi. E até há aquela malta muito "chique" e in e cenas e coiso (que não é de todo o meu caso) que diz vamos ao Chuchi. Pois aqui a rapariga odeia peixe cru, mesmo que seja buéé da chique e buéé de caro e buéé na moda. Estou totally out.

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Estou que nem posso...


Aqui a miúda de má raça onde não entra bicho de espécie nenhuma está doente. A vomitar que nem uma pescada, capaz de deitar cá para fora as entranhas e em cansaço extremo. Não posso com uma gata pelo rabo, só quero mesmo estar sentada e melhor ainda deitada. Tenho continuado a trabalhar, a arrastar-me pelo trabalho. Dizem que é uma virose que anda por aí... eu digo que é a puta de uma virose que anda por cá...

E assim vamos indo.