domingo, 31 de Agosto de 2014

Hoje foi assim...





A sul o céu é mais azul e o dias arrastam-se lentos ao sabor da calma do ritmo alentejano. As horas são inteiramente nossas e servem-nos na felicidade. Há tempo para usar o tempo. Os pequenos almoços ao meio dia debaixo do alpendre, o cheiro do mar e do sal misturados com o shampoo no meu cabelo molhado, as cervejas bebidas entre vida vivida e contada, recordações. Gargalhadas, as nossas músicas, histórias nossas.

Viajo em busca dos meus momentos,aqueles únicos em que sinto que se o céu existe eu estive lá. Quero mais.

Regresso ao sul onde há muito fui muito feliz.
Sabe bem. Estou bem.

quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

Previsão meteorológica para os próximos dias...




A minha previsão meteorológica para os próximos dias apresenta céu limpo, sol radioso, vento fraco a moderado nas preocupações, ( excepto na escolha do bikini ), intenso na amizade, e gargalhadas intermitentes regadas com imperiais e camarões.


A sul só bom tempo:))

quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

Coisas que gosto muito...

Sempre que passo num determinado sitio a caminho dos braços que me abraçam, vejo numa parede branca em letras gigantes o seguinte texto.

Liberdade?
Quero a prisão dos teus braços.

Já estive várias vezes para parar o carro e dar uso à camera do meu telemóvel, mas o transito caótico ao final da tarde e o local sem escapatória para encostar tem-me dificultado a vontade. Um dia é dia. Sou fascinada por Street Art, Grafitis com arte e qualidade, e claro pelo irreverente Bansky. Ele conta histórias, fala e envia mensagens com imagens, e eu rendo-me fascinada.

Este é um dos meus preferidos.


It depicts two lovers in an embrace against a darkened doorway. But rather than looking lovingly into each others eyes, the man and woman are glued to their smartphones, the screens casting an inhuman glow over their faces.

E este ...


Nem sempre o que queríamos para nós, é o que conseguimos, a vida não se compadece com o estilo que mais nos convém, como tal há que aprender a viver com o que é possível. Sem dramas.

terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Texto do Bagaço Amarelo..." Violência Feminina".






Na verdade, não tenho nenhum exemplo de casamento feliz à minha volta. Digo isto com alguma segurança desde que percebi que, para a maior parte das pessoas, a felicidade num casamento vem sempre temperada com alguma resignação. A F. não foi excepção.

- O meu casamento foi bom! - disse ela.

Nessa altura já estava na fase de arrumar todos os livros que tirara das suas inúmeras e preenchidas prateleiras para me ler, a espaços, uma frase escolhida de cada um. Eu estava impressionado com a sua capacidade para memorizar frases chave de romances e, admito, ainda mais por ser capaz de as encontrar com relativa facilidade.


- Quer dizer... não foi mau. - continuou.
E eu ri-me, não por achar piada à frase mas porque não sabia como reagir. Aquela verdade deixava-me nervoso porque ia de encontro ao que eu acabara de concluir nos meus trinta e cinco anos de vida: um casamento bom é um casamento que não é mau.
A F. ia organizando os livros por autores. As frases todas que me lera estavam preenchidas de vida. De Amor, de ódio, de viagens, lágrimas e abraços. Talvez em silêncio tenhamos tirado mais ou menos a mesma conclusão. Os nossos casamentos, por pouco maus que pudessem ter sido, tinham-nos tirado essa vida que ela acabara de resgatar daquelas páginas soltas.
Assim que a mesa ficou desimpedida, desapareceu por um minuto ou dois e voltou com uma garrafa de uísque e dois copos. Ela própria nos serviu, sem me perguntar se eu queria beber ou se preferia puro ou com gelo. Dei o primeiro gole apenas para lhe mostrar que estava de acordo com tudo. Depois cruzei as mãos e foi a primeira vez que a olhei olhos nos olhos. Reparei que era das mulheres mais bonitas que eu já tinha visto.
Enquanto o seus cabelos pretos lhe banhavam os ombros como uma suave maré cheia, fui percebendo a forma como o seu ex-marido se apaixonara perdidamente por ela muitos anos antes. Provavelmente, eu estava a viver exactamente as mesmas sensações que ele. O ar começava a entrar e sair dos meus pulmões com alguma dificuldade e não encontrava as palavras certas para lhe responder a nada. Acabei por dar um gole sôfrego no uísque e tentar concentrar-me no que ela dizia.
- As mulheres têm uma violência dentro delas que os homens não são capazes de perceber.
Ahn?! - estava assustado.
- Durante anos observei a lenta degradação do meu casamento na expectativa de que o meu marido se apercebesse do mesmo que eu. Queria que ele chegasse à conclusão que o nosso Amor não merecia acabar assim, como um velho que se vai encolhendo até morrer...
- E ele apercebeu-se?
- Claro que não. Todos os dias saía de casa para trabalhar e voltava como se tudo estivesse normal, mesmo naquelas fases em que passávamos dois meses sem sexo. E eu todos os dias ia tendo cada vez mais pena dele...
- É essa violência que dizes que só as mulheres é que têm?
- Sim, exactamente. Observei-o durante anos como se ele fosse um rato de laboratório, porque era isso que ele era de facto. Até que um dia me cansei de o estudar e pus fim àquilo tudo com o divórcio.
Depois disto ela calou-se e senti os seus olhos, pesados, sobre mim. Naquele preciso momento o rato de laboratório era eu, que passara dum desejo enorme de a levar para a cama para uma estranha sensação de incapacidade total para fazer fosse o que fosse. 
Imaginei-me, também eu, a ser o objecto de pena da minha companheira de vários anos. A sair todos os dias e a voltar para casa debaixo do seu olhar estudioso, mesmo quando passávamos dois meses sem sexo. Imaginei-a a questionar-se sobre o meu comportamento mecânico e diário, como se fosse possível assim fugir à desilusão da própria vida.
Com o terceiro gole acabei o uísque e, sem pedir licença, servi-me de outro. O copo da F. ainda estava cheio.
Acabara de me aperceber que eu próprio, sem ser capaz de o perceber, sentira essa violência feminina durante anos, como se um chicote silencioso todos os dias me abrisse mais uma ferida invisível na pele. A normalidade da vida passara a ser uma merda e eu adaptara-me cobardemente a ela. Mesmo assim, apesar de tudo, tinha sido ela a salvar-me, essa violência feminina.
A F. ainda me olhava em silêncio, com um sorriso que indicava ser capaz de ler os meus pensamentos.
- Vamos para a cama? - perguntou.
- Sim.

...

Hoje mais uma das minhas colegas de trabalho, alguém de quem gosto muito e muito, e após 19 anos de casamento "feliz" anunciou ao mundo que se vai separar. Olho à minha volta e só vejo gente descontente, infeliz, acomodada, aprisionada em algo que já não quer mas que mantém porque dá muito trabalho desfazer, porque tem um custo de vida elevado, pelos filhos, pelos pais, pelos amigos comuns, pela hipoteca da casa, pelas contas em conjunto, pela roupa suja para lavar, pelo medo do desconhecido, pela solidão de ficar absolutamente sozinho e entregue a si próprio, e por tantas outras coisas que sinceramente não me passam pela cabeça.

Dei-lhe força, afirmei-lhe aquilo que já disse por aqui vezes sem conta. Vida só temos esta. É inteiramente nossa, foi-nos dada para fazermos com ela o que quiséssemos, e felizes ou infelizes devemos ser sempre nós os soberanos nas nossas escolhas e a ter a coragem para mudar aquilo que nos é desconfortável. Viver infeliz é que jamais. Deixar-se estar só porque sim, porque arroz e batatas não é lá muito bom mas come-se.... é muito mau.

A ti Bagaço digo-te apenas isto, escreves sobre a vida e o dia a dia como ninguém. É sempre um prazer regressar para te ler.

segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

A mim, a dúvida é uma cena que me assiste...




Tenho uma dúvida existencial avassaladora que me ocupa os dias e à noite perturba o sono. São voltas e voltas na cama, pretendendo por obra do Espírito Santo encontrar resolução para tamanho problema. E toda a gente sabe que uma mulher com um problema sério é caso para andar de mau humor, arrepelar cabelos, discutir com os vizinhos, ou implicar com o boy, ou quiçá desatar a bater em alguém. Já fiz análise matemática, procurei a ajuda de amigos, opiniões sinceras de quem vê mais longe e muito mais que eu, mas até agora nenhuma das ajudas que procurei me conseguiu ajudar por muito que se esforçasse.

Estive 15 dias de férias no Algarve em Julho, e levei 20 bikinis. Vou agora um fim de semana inteiro para casa de um amigo no Alentejo, 3 dias de sol, praia e piscina, e a regra matemática das proporções, diz que se vinte bikinis estão para quinze dias, X biquinis vão estar na mesma relação para três dias apenas. E a regra de três simples tem como resultado uns míseros quatro bikinis. Dizem que a matemática facilita a vida e ajuda no dia a dia, mas não me parece. Acho pouco. Não me agrada. A mim, a matemática está-me a falhar. 

Não aceito a realidade. Quero lá saber dos resultados, vou subverter o sistema, abalroar a lógica matemática e levar dez bikinis. Aceito a ajuda do público.
Ahahahahah:)

Mas continuo com dúvidas....