quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Previsão meteorológica para os próximos dias...





Bastante frio, mas o sol vai dar um ar da sua graça e chuva vai estar ausente. O coração vai estar quente e as gargalhadas vão soprar com intensidade. A felicidade vai ser constante e animar os dias com boas abertas. Os beijos... bom esses vão ser a escaldar. Esperam-se temperaturas tórridas todos os dias depois do anoitecer.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

A pulsar...



Vive a tentar realizar muitas das coisas com que sempre sonhaste e não te sobrará tempo para te sentires mal.

Richard Bach.

Pulsar é uma estrela de neutrões que emite um fluxo de energia constante e essa energia é concentrada num fluxo de partículas electromagnéticas. Quando a estrela gira, o feixe de energia é espalhado no espaço como o feixe de luz de um farol.
Uma luz intensa, brilhante.

...

Ou na forma verbal significar ter coração, batimentos cardíacos, vida, palpitar. 
Ou revelar energia, mostrar-se vivo, dinâmico.
Ou simplesmente apenas intuir, perceber.

...

Só que não...
Pode ser muita coisa. Pode ser outra coisa que só eu entendo.

Muito pouco de tanta coisa...


"...as pegadas impressas na alma são indestrutíveis."

Thomas de Quincey


Morreste pá?

Não ainda não morri. Ainda não foi desta. Andei ocupada a fazer a Rota das Aldeias Históricas (desta vez só 5 delas, Celorico da Beira, Linhares da Beira, Loriga, Sabugueiro e Folgosinho). Mais uns quilómetros percorridos e uns quantos trilhados. E dei um salto até à Serra da Estrela. Tenho uma paixão assolapada por neve e sabia que tinha nevado bastante, não quis estar tão perto e perder este espectáculo. As fotos não são grande coisa, foram tiradas com o telemóvel mas demonstram bem que o nosso país é absolutamente maravilhoso e com muita coisa para ver e descobrir. Deixo por aqui meia dúzia de fotos.






sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Conselho muito importante...




Tive hoje uma doente muito velhinha, com caquexia acentuada que me deu um conselho para a vida.

Filha...

tu ouve bem o que te vou dizer, e grava isto para a vida. Nunca recuses o teu homem, nunca lhe digas que não o queres ou que não te apetece, que estás cansada ou dói-te a cabeça. Eu fiz isso tantas vezes com o meu e agora a coisa que mais me apetecia antes de morrer era dar uma fodinha.

(Sic D. Maria de Jesus)

...

Logo de seguida conversa entre colegas de equipa.

Judy - Eu vou pinar até morrer. Vou entrar no lar e arranjar logo de seguida um velho todo jeitoso para me aquecer.
Ac - A parte do jeitoso é que vai ser difícil. Esquece lá isso.
Picolé - Eu quando for para o lar a minha missão vai ser semear a confusão com as velhas e dar cabo dos velhos todos. É certinho.
Pedrinho - Fosga-se e ainda vais ter pedalada para isso? Matas os velhos pá.
Picolé - Morre um, arranjo outro. Há lá muitos. Passa a ser velho morto, velho posto.
Lsd - hehehe, a Picolé passa a ser conhecida pela mata-velhos.
Duarte - Então vê se escolhes bem... os de Parkinson são os melhores.Tremem das mãos e do corpo todo.
Picolé - Gosto dos com Alzheimer, dão uma e a seguir dão outra porque já se esqueceram da primeira. ( a rir )
Pedrinho - É pá, e achas que vais chegar a velha com dentes?
Picolé - Sei lá. Quando chegar lá logo vejo.
Pedrinho - É que as velhinhas desdentadas são as preferidas!

Entra um médico na sala de pausa, apanha a conversa a meio e diz:
Quem é que gosta de velhinhas desdentadas?
Judy rapidamente -  É ele !! O Pedro! 
Médico a olhar com cara de parvo para o Pedro.

Tudo a rir....

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Mais uma voltinha à rotunda. É sempre a andar... esta merda não para.



Minha vida é um conto de falhas.
Tati Bernardi

O meu negócio não são números e nem sequer palavras, falo, falo, e não digo grande coisa, mas falo do que quero, do que me dá na real gana e apenas por puro prazer. E como tudo na vida tem uma razão de ser e a razão deste blog é mesmo ser "nada de coisa nenhuma", muitos nadas da minha vida, coisa nenhuma para a maioria de vocês - vou aqui contar um segredo. Ou melhor... mais uma loucura cometida de forma intencional e cheia de dúvidas.

Acabei de marcar as minhas férias todas para 2017 em conjunto com o matraquilho azul. Ai jasus ca medo. Neve no final de Março, Ilhas Gregas em Abril, Algarve quinze dias de Verão, e uma semana em Outubro de logo se vê. Não sei se isto vai correr bem, ou se vai correr muito mal. Se vai meter férias e hot summer ou férias e um grande balde de água fria. Assim à distância estas duas coisas podem acontecer. Caldarium ou Frigidarium.

Mas já está. E agora venha o que vier e haja o que houver é mesmo apenas e só o que Deus quiser.

domingo, 20 de novembro de 2016

Left Feet...



É saudável rir das coisas mais sinistras da vida, inclusive da morte. 
O riso é um tónico, um alívio, uma pausa que permite atenuar a dor.

Charlie Chaplin


Adoro rir. Rio por tudo e por nada. Qualquer pretexto é bom. E chamem-me tontinha que eu nada raladinha com isso.

Esta noite dei por mim a rir como há muito tempo já não ria. Confesso que já tinha saudades de tempo no trabalho para rir, do espírito de equipa, da amizade e da entreajuda entre nós com tempo de gargalhadas. O verão foi duro, equipas reduzidas, seguimentos de turnos, colegas exaustos, mas agora a pouco e pouco tudo está a regressar à normalidade. Adoro os meus colegas de trabalho, a cumplicidade só nossa nos pequenos gestos disfarçados que dizem tudo, nas trocas de olhares dissimuladas que só nós entendemos, nos silêncios onde tudo se diz sem dizer uma única palavra, ou apenas no levantar de sobrancelhas quando algum de nós diz alto aquilo que não deve. Há um código que só nós entendemos. Muito nosso.

Hoje o Dr. P. Martins foi ao cesto dos socos à procura de uns socos 44 para calçar, e vasculhou, vasculhou, mas não encontrou nenhuns completos. Restavam apenas 3 pares de socos que lhe serviam mas só com pés esquerdos, o Dr. P. Martins que é um gajo despachado e divertido não se atrapalhou, toca de calçar os dois socos esquerdos e fazer-se à vida. A figura era hilariante, parecia um palhaço com as biqueiras das socas com o ângulo ao contrário, e por onde passava toda a gente ingenuamente lhe dizia: Ó Dr. Martins tem dois pés esquerdos, ao que ele respondia: acabei de descobrir que por aqui há mais gente com pés direitos que esquerdos, gosto de fazer a diferença.
E lá andou ele as 12 horas de banco com dois left feet e nada raladinho.

E toda a gente ria. E foi tão bom rir.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay...





Não acredito em bruxas montadas em vassouras, em espíritos de braços abertos que flutuam por cima da minha cabeça ou em fantasmas que atravessam paredes. Sou céptica, muito terra a terra e os domínios do transcendente e de tudo o que é oculto, não palpável e visível causam-me alguma confusão. Mas volta e meia a vida prega-me uma partida, e aquilo que eu dava como certo, inquestionável, de um momento para o outro evapora-se, e tudo se altera.

No meu hospital existem pessoas doentes que habitam por lá. Habitar de viver, isso mesmo. Na saída de turno oferecemos sempre as nossas ceias a quem não tem nada que comer, e que faz de uma caixa com um pacote de leite simples, um queijo triângulo e um pão com manteiga, a refeição do dia. Temos conhecidos que vemos mesmo todos os dias, dos quais sabemos os nomes, as antigas profissões, alguns pormenores da família e até as razões porque se encontram sozinhos e abandonados.

O ti Joaquim, como carinhosamente tratamos o sr Joaquim, é nosso paciente há vários anos, tem centenas de episódios de urgência e vive por ali, uns dias fica internado e tem direito a uma cama, lençóis limpos, comida, banho, noutros não fica internado, mas tem cuidados médicos e dormita por lá num banco corrido, tudo com direito a alguma comida e um tecto.

A noite passada o ti Joaquim voltou a ser internado, muito debilitado, com uma tosse horrível de muitos anos de dependência tabágica, excessivamente magro, com diversas patologias associadas, entre elas uma tuberculose pulmonar que nunca lhe deu tréguas, cheio de feridas nunca tratadas e infectadas, e repleto de sujidade.

Nesta noite o nosso ti Joaquim não comeu o pão da ceia, nem sorveu o leite do pacote como se o espremesse, entrou muito mal, a equipa médica fez o que era humanamente viável, mas devido ao estado avançado da doença e à extrema debilidade, faleceu. Até aqui nada de novo, todos os dias nos morrem doentes, e o ti Joaquim desde há bastante tempo que sofria demasiado. Quero acreditar que para ele foi um alivio. O estranho disto tudo foi o que se seguiu.

...

Nos hospitais faltam sempre camas, numa urgência dura e complicada como a minha existem sempre doentes em macas que aguardam uma vaga para poderem ter o merecido direito a uma cama. Parece igual o termo, maca e cama até porque ambos servem para estar deitado mas na realidade não são. São até muito diferentes, em largura, altura dos colchões, conforto, e no próprio espaço onde são colocadas. Assim na cama do ti Joaquim deitámos um rapaz de 22 anos que tinha sido operado de urgência a uma apendicite aguda, nada de transcendente, o doente estava estável, meio sedado, e em recobro cirúrgico pós-operatório. Eu volta e meia ia vê-lo.

Numa das minhas aproximações o rapaz disse-me baixinho: tire-me daqui, arranje-me outra cama por favor, não consigo sossegar - está aqui um homem velho, sujo, mal cheiroso que não faz senão empurrar-me e dizer que saia daqui que a cama é dele. Comecei por lhe dizer que ele tinha sido anestesiado, ainda estava sobre os efeitos da sedação e que era normal ter períodos de agitação motora, e algumas alucinações, que era tudo normal, que não estranhasse.

Qual não é o meu espanto quando o doente começa a descrever o ti Joaquim.

Está aqui um velho, tem o cabelo todo branco, barba suja e amarelada, dedos castanhos da nicotina, a unha do mindinho grande e porca, e todos os outros detalhes físicos que correspondiam ao ti Joaquim e que era impossível ele saber.
Olhei em volta, espreitei por cima do ombro, tentei ver alguma coisa na penumbra, abri os olhos repetidamente enquanto lhe ouvia a descrição... não vi nada. Agarrei-lhe a mão, falei baixo e sosseguei-o.

Explicar isto não consigo, mas espero que o ti Joaquim não tenha pena da cama que perdeu e encontre lá onde estiver - seja isso onde for - uma cama bem melhor.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Asas servem para voar*....








Asas servem para voar,
Para sonhar ou para planar,
Visitar, espreitar, espiar,

Mil casas do ar.

As asas são para proteger, 
Te pintar,
Não te esquecer,
Visitar-te, olhar-te, espreitar-te

Bem alto do ar.

E só quando quiseres pousar,
Da paixão que te roer,
É um amor que vês nascer,
Sem prazo, idade de acabar.

Não há leis para te prender
Aconteça o que acontecer.

Asas - Gnr


Não me importo com o amanhã, não me ralo com o depois, não quero saber de como será, ou até se será, ou se vai ser. Não conjugo verbos no futuro e não faço planos. Não quero saber da eternidade, nem do para sempre, nem o que posso perder ou se amanhã o que procuro ainda existe. Tenho medo mas não deixo de arriscar, tenho plena consciência do enorme risco, e a certeza absoluta que provavelmente no final disto tudo vou sofrer. Continuo igual a mim mesma, a escolher o mesmo formato de "eles" com todos as qualidades e defeitos que sei que têm, a dar o melhor de mim, a cativar e a deixar em êxtase mas também a cometer os mesmos erros porque há coisas que não mudam. 

Escolhi-te. Escolheste-me. Não sei se necessariamente por esta ordem. Talvez. Comprámos bilhete para uma viagem a dois. Voltas e voltas a uma rotunda, lugares onde já tive, saídas que já conheço mas também placas toponímicas que assinalam saídas que nunca visitei. Tu complicas, eu descomplico. Tu asseguras tranquilidade e fazes juras eternas, eu rio e desconfio. Tu analisas-me a cada instante, é algo teu. Descobres-me, eu fecho-me e fujo. Confio sempre muito pouco. Tu estabeleces o contacto, incentivas a confiança, fazes a ponte, estendes as mãos. Sou teu miúda. Às vezes brinco e pergunto-te: Onde é que aprendeste a mentir tão bem? Assobio para o lado, finjo que não percebo. Sem expectativas, zero planos a dois, sem lugar a decepções. Voluntariamente, conscientemente.

Deixo-me apenas ir. Porque hoje é hoje e foi incrivelmente bom. Porque ontem foi ontem e cada segundo valeu a pena. Porque já me conseguiste surpreender uma e outra vez. Ontem mais uma vez. Literalmente fizeste-me voar num bailado nesses teus braços musculados, voei em contramão por uma sala cheia de gente, redopiei como se tivesse asas e não fosse possível parar, dancei e amei-te, e naquele instante o infinito do azul do céu foi meu. Foram minutos mas fizeste acontecer magia.

Vou mergulhar de cabeça no que acho que vale a pena. Tenho asas e asas servem para voar. Perigosamente acho eu.

Azeite...





Nunca te quis em pedaços, ambicionei-te todo inteiro, repartido entre o meu mundo e o teu.

Cais das letras - Carla Pinto Coelho.




Azeite nem sempre é o óleo extraído da azeitona. Ou até dizer alto e bom som que se está com os azeites é significado de virado do avesso e muito mal disposto.


Pode ser apenas uma piroseira do catano, uma foleirada sem precedentes, uma azeitice dum raio.

Nós. 

Bons filmes...


Sessão da meia noite....é como ver cinema em casa.



Ontem foi dia de cinema. O herói de Hacksaw Ridge. Se ainda não viram, sinceramente aconselho. O filme é brutal, passa-se durante a segunda guerra mundial, e é baseado numa história verídica de um soldado americano que foi o primeiro objector de consciência da história mundial. Desmond Doss, o soldado de que fala o filme aparece no final já com 87 anos, e  em conjunto com o capitão da companhia e o sargento - ambos também já velhos - falam sobre o que viveram e como foi ter lá estado naquela guerra medonha.

O filme é realizado por Mel Gibson e de um realismo atroz. As cenas durante a batalha e as investidas japonesas são de cortar a respiração.

Se querem um filme bom, mesmo bom... vão ver.



domingo, 13 de novembro de 2016

Juras de amor...





tira a mão do queixo, não penses mais nisso

o que lá vai já deu o que tinha a dar
quem ganhou ganhou e usou-se disso
quem perdeu há-de ter mais cartas para dar.




e enquanto alguns fazem figura
outros sucumbem à batota
chega aonde tu quiseres
mas goza bem a tua rota



enquanto houver estrada para andar
a gente vai continuar
enquanto houver estrada para andar



enquanto houver ventos e mar

a gente não vai parar

enquanto houver ventos e mar

A gente vai continuar - Jorge Palma


- Sabes uma coisa? Era bem capaz de te amar para sempre se tu deixasses.
- Enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar. E daqui ( eu a pôr a mão em jeito de pala sobre os olhos) vejo uma imensa estrada para andar.


Enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar, contra ventos e marés, contra tempestades e distancia, contra horários esquisitos e folgas inconciliáveis. Enquanto houver estrada para andar. 

sábado, 12 de novembro de 2016

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

No mar verde de um olhar...






Que seria do farol se o mar fosse indefinidamente manso?

Que seria do vento se a sua força fosse permanentemente alísea?



Dizem que um olhar diz tudo. Que há olhares que valem mais que mil palavras, dizem. Dizem também que os olhos são o espelho da alma ou a porta de entrada para o nosso coração. Com o olhar dizemos sim, com o mesmo olhar dizemos não. De forma simples. Os olhos contam histórias, deixam transparecer se estamos tristes ou felizes, são rios, são mares, mas também são jardins de gargalhadas. Um simples olhar pode ser um começo. Um bom começo quando só com um olhar ficamos interessados, atraídos para mais, perdidos no que poderia ser ou gostaríamos que fosse. Especados ali à espera. Ou um fim, quando fechamos os olhos, cerramos as pálpebras, abanamos a cabeça e tentamos esquecer.

Com o olhar exprimimos admiração, interrogamos, rimos, mentimos ou entregamo-nos. Outras vezes dizemos tudo, olhos nos olhos, ou desviamos o olhar e escondemos o que sentimos, baixamos a guarda e baixamos o olhar. Seduzimos e amamos com olhares malandros, provocadores, profundos e lamechas. Ignoramos e partimos quando evitamos e desviamos o olhar. Com o olhar apreciamos também o belo, observamos o que nos rodeia, adquirimos sabedoria, aprendemos com a experiência, investigamos o que nos falta descobrir, ou criticamos o que nos incomoda.

Gosto de olhares simples, explícitos, que me percorrem de alto a baixo, arrepiam a pele, estremecem por dentro, fazem corar, vêem o que está à vista e o que quero esconder, sabem muito mais de mim do que o que eu quero dizer, analisam-me detalhadamente, entendem-me, tornam-me feliz e sabem melhor que ninguém como me arrancar um sorriso de orelha a orelha.

Tanta coisa cabe num só olhar. No mar verde do teu olhar.

Postais de dias felizes...








-É pecado sonhar?
-Não. Nunca foi.
-Então porque essa divindade nos dá golpes tão fortes de realidade e nos parte os sonhos?
-Divindade não destrói sonhos. Somos nós que ficamos esperando ao invés de fazer acontecer.

Don Casmurro - Machado de Assis


Porque às vezes a cor não importa.  O cinzento do céu e o negro quase carvão da água do rio não significaram vida a preto e branco e dias marcados por diferentes tonalidades de cinzento. 
Foram dias de gargalhadas e de sorrisos coloridos de todos os tons do arco-íris. Foram dias azul turquesa da cor do mar e das férias incríveis que planeámos a dois assim do nada deitados na espreguiçadeira de mão dada a sonhar, ou Amarelo Berlim daqui a 3 semanas, ou Branco da cor da minha neve e em breve nossa neve, ou Vermelho da cor do meu casaco comprido que levei ao nosso jantar e tu tanto gostaste, ou o Verde mais belo - da cor dos teus olhos.

Foram dias cheios de cor.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Beijos roubados...


A legal kiss is never as good as a stolen one

Tarefa agendada para hoje; fora do horário de expediente, late hours, acompanhada de um memorando gigante de todas variantes que devem acompanhar a execução correcta da dita tarefa. Sem margem para erros, sem pausas para descanso, possibilidade de realização de horas extraordinárias - extra horário de expediente, sem direito a greve ou reivindicação de direitos adicionais. Trabalho árduo, complexo às vezes, mas quase sempre bem sucedido e de sucesso garantido. 

Uma vez disseram-me "um beijo é o cartão de visita de um homem", queira entrar então por favor, é meu convidado.

Vou de fds...isso mesmo à terça feira, leram bem...






Trabalhei a semana inteira yeeeeh, quero ir para a brincadeira yeeeeh... e tenho disponíveis duas folgas. Duas folgas???? Quê lá isso? Isso existe? Coisa rara e nunca vista mas parece que sim, que os meus deuses andam loucos, uns mãos largas, a darem e darem de mão cheia, a duas mãos. Devido a tanta benesse eu vou mesmo ter duas folgas seguidas, inteirinhas para usar e abusar. Como o universo anda a favor, os ventos de maré, e os vendavais que conspiravam contra mim cansados e de costas voltadas, o rapaz aqui de casa como que por milagre e num brutal passe de mágica combinados e em extrema sintonia também conseguiu uma folga e uma troca de serviço, e vamos mesmo de fim de semana a meio da semana, duas noites inteirinhas para bem longe daqui. 

Tenciono curtir a companhia, desvendar um mundo imenso de palavras por dizer, além de usar e abusar dos verbos descobrir, aventurar, dar, amar, usufruir, deleitar e claro receber. A paisagem estará lá, igual a si própria, pintada de sol ou nuances de aguaceiros, repleta de luz natural e das calmas águas do rio e da barragem. Só para nós. Ali no encantamento de fazer acontecer magia.

Volto daqui a dois dias. A transbordar de felicidade. Espero eu.

domingo, 6 de novembro de 2016

Um dois três, repita lá tudo outra vez.




Fim do mês, noite de sexta para sábado, dinheiro fresquinho na carteira, era óbvio que a coisa prometia. Aliás quando saí de casa essa era a certeza, tão certo como dois e dois serem quatro, se é que a esta hora ainda sei somar.

A minha primeira doente na emergência chama-se Inês e fez uma tentativa de suicídio, bailarina profissional, 26 anos, linda de morrer. E quando digo linda de morrer sei o que digo. Com um corpo fantástico e uma cara de anjo, atirou-se de um 2º andar, dizem que por um desgosto de amor... não morreu, mas fez uma rotura do sacro com torção e secção do recto e provavelmente vai passar o resto da vida com incontinência do esfíncter anal e consequentemente de fralda... não sei se há algum amor que valha isso, a perda de uma carreira, a perda de qualidade de vida, o sofrimento associado a tudo isto, mas pelos vistos parece que sim. Cada um sabe de si. Aqui a tentativa ficou-se por isso mesmo.

A segunda doente chama-se Lídia, é anoréctica, bulímica, com 34 anos, 40 quilos de peso, apareceu-nos porque como já não conseguia induzir o vómito com os dedos e depois de muito tentar, resolveu introduzir o cabo de uma colher de salada pela goela abaixo e fez uma lesão grave no esófago com consequente ulceração da coluna aérea e mediastinite pulmonar. Dificuldade respiratória, baixas saturações de oxigénio, paragem cardio respiratória, e anóxia cerebral... agora vai emagrecer os quilos que lhe faltavam para ser esbelta porque só vai ingerir líquidos por uma sonda naso gástrica... e para sempre.

São 3 da manhã, e a noite ainda é uma criança. O meu terceiro doente chama-se Hugo e tem 24 anos, discutiu com a namorada, e num impulso de raiva atirou-se para a linha do comboio. O espectáculo não é bonito, e não me vou alongar muito porque filmes de terror passam na Fox Crime para quem quiser ver, mas entre 7 unidades de concentrado de eritrócitos, 4 unidades de plasma, e mais 3 unidades de sangue completo tentou-se tudo, o sangue conforme entrava esvaía-se em nada, após uma toracotomia na sala de trauma, massagem intra cardíaca, e tudo o que humanamente seria possível, Hugo zero, comboio um. Contas feitas, ganhou o comboio.

Acabou tudo por agora. Finalmente reparo em mim. Tenho as socas nojentas. Pingadas de sangue. Vou tentar arranjar umas de alguém para as substituir. Agarro nas minhas e enfio-as num saco plástico fechado e rotulado com o meu número mecanográfico e envio-as para a desinfecção. Encontro umas do Dr. B. Melão que calça o 46. Gigantes. São mesmo porreiras é o meu número digo (o que é mentira claro). Calço-as decidida e passeio-me pelo serviço assim.

Ponho toda a gente a rir. Além do tamanho das socas que parecem as pás de um remo, ainda dizem melão em letras garrafais de lado.... nice. Diz-me o Duarte: gajinha pareces o Batatoon mas com um grande melão. Rio às gargalhadas e não me importo. Quero rir. Quero não pensar em nada. Agora quero mesmo é algo fantástico. Bem vamos lá sentar um bocadinho e assistir à dose diária de televendas; coisas fantásticas como uma lanterna que é uma bengala, um apanha cenas do chão, um bastão para assaltantes e ainda tem mais a função de afugentar aranhas do tecto, ou umas pantufas chinelos que curam dores, tiram calos, varizes, fazem correr, saltar, e até servem para ir à rua pôr o lixo. Maravilha.

O que eu precisava disto. Nada como às 5 da manhã visionar uma selecção de milagres de qualidade.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Mais um ponto a teu favor. Mais uma voltinha ao bilhar grande, ou melhor... mais uma voltinha à nossa rotunda.





Ontem houve um grande acidente na P. Vasco da Gama. Eu estava de serviço. Recebemos no meu hospital a grande maioria dos feridos. Vários com várias fracturas e mais coisas. Adiante. Cenas minhas. O rapaz aqui da rapariga também estava de serviço lá na chafarica dele a comandar operações, a mandar em qualquer coisa como ele diz e a tomar conta de muitas ocorrências. Chatices várias onde é preciso escrever e escrever como se os acidentes se alimentassem de palavras. Cenas dele. 


Antes dos feridos começarem a chegar ligou-me e disse-me: vai jantar, prepara-te que vais ter uma noite de merda. Abençoadas palavras de Maya futuróloga; ainda consegui jantar - arrastei comigo duas das minhas colegas e segundo sei fomos as únicas. Procedimentos para cá, feridos para cá, idas ao bloco entregar doentes para lá, tudo entrecalado com bipar especialidades, movimentação da equipa, divisão de elementos, etc ... eis que chegam 2 matraquilhos azuis da Brigada de Acidentes com o kit de substancias abusivas para recolher prova. Falei com eles, recolhi amostras de sangue para análise de cada doente e enquanto esperavam deixei-os na nossa sala de pausa entretidos a olhar para a televisão que por acaso até estava a dar um jogo importante de bola. 

Passado um bocado quando tudo estava mais calmo e a noite já ia pela madrugada dentro, o bate bota aqui da bate soca ligou e estivemos à conversa a trocar cromos e galhardetes das nossas agitadas vidas profissionais. Estava eu muito bem a contar factos, quando acrescento à conversa "um dos teus camaradas que esteve aqui à conversa comigo era muito simpático e bem giro". - Mau! Mau,mau! Tu vê lá se não estás contente com a vida que levas (a rir-se claro e a brincar comigo) para logo depois - olha aqui eu tão giro, tu já me viste bem? Olha aqui eu de lado. E de frente. E a sorrir. Já reparaste neste corpo? E neste olhos? Tu vê lá bem! E toca de me começar a enviar fotos dele fardado a fazer poses e olhinhos e boquinhas. E eu claro desmanchei-me a rir.

Não conseguia parar de rir com as figurinhas. A macacada já era tanta que às tantas já tinha a minha colega Lsd e a Picolé com a cabeça enfiada no ecrã do meu telemóvel a rirem às gargalhadas também e a fazerem sugestões picantes de fotos para ele enviar. Só que não claro está. Valeu pela enorme brincadeira. Talvez seja capaz de me apaixonar por quem tem um sentido de humor brutal e apesar de extremamente cansado não perde a boa disposição e perde tempo do seu tempo para me fazer rir.
Estás a ir bem Zé. Continua...

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Como aparvalhar uma miúda em dois passos...




Eu queria dizer que não
Mas estou contigo.

Eu queria dizer que não
Mas não consigo.

Eu queria dizer que não.

Dengaz



O primeiro passo é dizer-lhe olhos nos olhos, mãos nas mãos e com a voz mais decidida e convicta que conseguires; quero que saibas uma coisa que acho que ainda não sabes ou ainda não percebeste bem, eu não ando aqui a passar tempo, eu amo-te mesmo miúda. Assim de chofre. Tipo toma lá e aguenta-te.


Depois quando estás de boca aberta, em estado quase catatónico, versão ameba mole sem coração e sem órgãos, ele parar de falar, olhar para dentro dos teus olhos novamente, profundamente, como que a vasculhar-te a alma e a sacudir as teias de aranha e os grãos de pó que ainda acumulas no sótão das emoções e dizer-te: eu sei que tu não me amas, que para ti estamos no patamar de curtir uma cena, aproveitar o hoje, passarmos uns dias bacanos e apreciarmos o óptimo sexo, mas se mudares de ideias mete nessa cabeça que eu estou aqui para ti e que por acaso até te amo. Só mesmo para saberes. Pode interessar-te. 

Não me sai nada. Digo-lhe apenas baixinho - Gosto tanto, mas tanto de ti. Abraço-o como se o mundo parasse.

Ai a porra.
Eu já quis fugir. 
Eu já quis dizer que não, mas já não consigo.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Too much butterflies...





Por aqui o amor anda no ar, sobrevoa o meu coração, e faz com que as atrevidas das hormonas femininas andem aos saltos com direito a borboletas e tudo. Tudo é perfeito, belo, e a vida parece um conto de fadas. Porque as coisas até rolam, a vida anda, a fila também, as voltas à rotunda são cada vez melhores, com mais paisagem, mais demoradas e à descoberta do "sermos casal" ao virar de cada curva. Não vejo stress nem transito, só uma agradável aventura a dois, em passeio. Não prevejo saídas no final de cada volta, nem stops, invade-me uma sensação de bem estar e sinto-me cada vez melhor, já não me amedronta o pára agora e fica aqui, ou o segue e prossegue com confiança. Estou a pouco e pouco a largar o medo muito por culpa dele. Trabalho bem feito, ou ele não soubesse do métier de controlar trânsito e orientar rotundas. Tenho de frente para mim um semáforo que me diz avança, vai em frente, sou verde esperança e tu tens pouco a perder.

Os passarinhos cantam, chi-ri-pi-ti, chi-ri-pi-ti, pi-ri-piu-pio, pi-ri-piu-pio e fazem os ninhos com pauzinhos. As gatinhas fazem miaauuu, ronronam e esfregam-se nos gatos que ficam de pêlo eriçado. As abelhinhas voam de flor em flor, beijam todas as que lhe aparecem pela frente e saem felizes, doces e lambuzadas para fazer o mel. Nós abraçamo-nos e fazemos o amor. Noites a fio até que exaustos vemos nascer o dia. Perguntamo-nos todos os dias, temos mesmo que ir trabalhar? Não podemos ficar aqui? Ou dizemo-nos olhos nos olhos, habituava-me a isto, sou tão feliz aqui. Besuntamo-nos de palavras a escorregar de azeite, e trocamos promessas que só o tempo se encarregará de fazer cumprir.  

Tudo me parece perfeito, até o amor. 

Será que é?