segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Lugares que fazem pessoas felizes...


Paisagens de sonho, lugares encantados repletos de magia quase em formato
de postal. 

Amigos, fins de tarde na esplanada, imperiais geladas, conversas cheias e gargalhadas quentes debaixo dos flocos de neve que caiam.
AC  girl


Punhados de neve congelada são capazes de fazer quase qualquer um sorrir.

Markus Zusak


Ainda não fui e já me sinto a viajar...


Chegar e partir; partir para logo se ver onde vou chegar.


Sexta-feira parto para a Polónia, já sei as cidades onde vou - Varsóvia, Cracóvia com passagem por Auschwitz e Birkenau, Gdansk. Já sei como chego a cada uma delas, o horário dos comboios, o que vou ver. O cambio da moeda, o custo do passe da cidade, o preço médio de uma refeição, o custo de uma viagem de comboio entre cidades e até a temperatura média em Março. Vou com amigas mas todo o planeamento ficou a meu cargo. Tenho estado entretida a riscar da minha lista mais um sonho.









Ainda não fui e já me sinto a viajar.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Dez dias da maior loucura. A começar pelo ir...



Estamos aqui com um problema de logística. Somos 5 adultos, um jipe da Mercedes, 9 malas e a coisa por aqui está preta. A minha amiga Rita leva 7 pares de calças de neve (leram bem) porque gosta de variar e andar gira (palavras dela) e ainda esquis, uma prancha de snowboard, capacetes, bastões e mais umas tretas que toda a gente diz que fazem mesmo falta. E pelos vistos parece que sim. E também levamos bikinis e havaianas para os pés, e touca de banho e toalha de praia porque ao fim do dia convém tirar o suor das pistas, fazer banho checo e arejar as nódoas negras nas Caldeas lá da coisa. Acabámos de chegar à conclusão que ir de carro foi um tremendo erro. Ideal mesmo teria sido contratar os Transportes *luís Simões.

A ir

Prova de coragem...




Mais importante que o tamanho do cão na luta, 
é o tamanho da luta dentro do cão.

Mark Twain

Tenho pena das muitas partidas que a vida me prega mas não posso lutar com o que é muito maior que eu e muito mais forte. É só estúpido e uma tremenda perda de tempo. E o meu tempo é pouco para viver magoada, triste ou infeliz. Esse nunca foi, nem nunca será o meu modo de estar. Resta-me aceitar e seguir caminho. No entanto antes de partir é sempre bom para o ego e um desafio à normalidade normalzinha de mal de amor em versão parvalhona de merda, soltar a raiva e impotência que nos transborda, rosnar forte e feio para o cão grande e dizer alto e bom som - Vai-te foder, pá!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Receita dos dias pardos.


    
fogo
ferro em brasa
carne viva no lume
ardente
medida cheia
de água salgada
uma pitada de ódio
servido em cama
de abandono

o pão que o diabo
amassou 

                                cais das letras - daqui




Porque a vida não é fácil, porque todos os dias faz questão de lembrar-me que é ela quem escolhe para mim a roupa que me vai cobrir a pele. E é ela e o diabo que amassam o pão que eu hei-de comer.

Obrigada Carla

Exterminador implacável...



matar o bicho!*

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Quando pensamos que já vimos tudo, há sempre algo fantástico para nos surpreender. E sim, acredito em super heróis...



Muitos doentes que nos chegam vêm de outros hospitais, encaminhados da área de residência porque falta no hospital da área de uma qualquer especialidade médica essencial para o tipo de traumatismo em causa. Se por um mero acaso os doentes estão conscientes, colaborantes, orientados são transportados em ambulâncias não medicalizadas, acompanhadas por um motorista e um ajudante, quase assim como se fossem de autocarro mas em vez de sentadas, deitadinhas, pronto só um bocadinho mais confortáveis. Até porque há ambulâncias por ai a circular que exigem coragem para entrar nelas e juro que devem ter perdido peças pelo caminho tal o aspecto com que chegam ao destino. 

A acompanhar o doente vem uma carta fechada que é aberta na sala dos médicos pelo chefe de equipa. Nós recebemos o paciente e iniciamos os procedimentos. Chama-se Patrícia tem 30 anos e chega deitada numa maca, sofreu um traumatismo dos ossos próprios do nariz, vem de Beja com diagnóstico feito para internamento pela especialidade de Maxilo Facial e posterior alinhamento do septo nasal no Bloco Operatório, não é muito, mas é o essencial e é tudo quanto sei. 

Digo boa noite, apresento-me, explico-lhe sumariamente os procedimentos que vamos efectuar e dou-lhe uma bata hospitalar para a mão. Olha para mim e a primeira coisa que me diz é - podia ajudar-me a despir? Isto assim deitada é complicado. Ok, penso uma coisa qualquer meio desagradável que evidentemente não verbalizo e começo por despir a doente. A doente lá vai ajudando como pode e quando o processo está metade concluído, e só na metade de cima, digo-lhe... agora pode levantar-se e passar para esta cama por favor.

Não posso... sou paraplégica. Assim do nada, como se o céu desabasse em cima de mim. Olho com olhos de ver e apercebo-me do saco de urina preso com uma fita de nastro à perna bem escondido por baixo da perna das calças, notando-se apenas muito discretamente pelo volume, reparo no posicionamento das tibio tarsicas dentro dos ténis em flexão plantar, reparo na perda de massa muscular nas coxas. Porra... Grande merda. Começo por pedir desculpa, justifico-me dizendo o óbvio - que não tinha reparado que tinha dificuldades motoras, e ela interrompe-me num rasgado sorriso... ainda bem, fico feliz, a ideia é mesmo essa, fazer-vos pensar que sou calona e que quero mesmo é criados... e riu-se.
Bolas, foi mesmo o que pensei. 

Acabámos a conversar e ela a contar-me toda a sua história. Mais uma entre muitas histórias de vida. Que teve um acidente de carro com o marido, que ele morreu no acidente, que ela teve sorte, (palavras dela) e ficou "só" assim e que a vida faz-se continuando. Estava apostada em ser autónoma e em continuar a viver. Vivia sozinha na casa que era dos dois, não tinha empregada, e fazia tudo, mas mesmo tudo sozinha... desde tomar banho, a limpar a casa, estender roupa ou passar a ferro... e eu de queixos caídos e meia aparvalhada ia ouvindo tudo e fazendo perguntas idiotas. E então as compras como faz? On line respondia ela. E não trabalha? A casa ficou paga, tenho uma pensão pelo acidente e ainda aguardo a indemnização da seguradora, para mim chega. Dá para as minhas coisas e para ir ao teatro ou a um concerto. E eu continuava sem fôlego feita atrasada mental... ao teatro sozinha?

Há pessoas que por si só dispensam adjectivos, pela força, pela capacidade de darem a volta por cima a tudo o que lhes acontece, por nunca abdicarem de sorrir, por encontrarem em pequenos nadas o imenso que precisam para sobreviver. Super heróis portanto!

Alegrias...





Muitas pessoas perdem as pequenas alegrias enquanto aguardam a grande felicidade.

 Pearl S. Buck

A ir. Onde há neve a vida é leve. Levo na bagagem amigos, muitos sonhos e uma vontade enorme de ser feliz. Deixo para trás a neve respirada entre beijos molhados e enrolada entre quentes abraços. E imensas saudades. Esta é uma nova temporada. Outro inverno, outra neve.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Cenas no trabalho...




Por falta de pessoal foi colocada no nosso serviço uma colega que veio doutro local, uma enfermaria. Veio contrariada, não tem experiência em trauma, não gosta de Urgência, não sabe onde estão as coisas, não tem ritmo de trabalho e capacidade de desenrascanço e passa o turno a reclamar de tudo e com todos e a falar sozinha enquanto refila e atira com metade das coisas. Na primeira semana ainda tivemos alguma paciência e boa vontade mas passadas 3 semanas já não há pachorra para tantas trombas, má disposição e falta de respeito por nós colegas e pelos doentes. Ontem já cansada daquilo tudo virei-me para um médico que também já bufava e disse-lhe:

-O que faz falta a muita gente é bom humor. Dr. Rui qual é o nome daquela droga que dá a quem a toma, a sensação de felicidade e boa disposição?
(referia-me ao Fármaco - Prozac - mas não conseguia lembrar-me do nome.)

Resposta rápida do meu colega Duarte - Pila!

Tudo a rir....

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O Joãozinho comia descansado da vida um gelado quando a Luisinha se aproximou timidamente e perguntou:

- Posso chupar um bocadinho? Deixas?
- Podes sim. Enquanto eu como o gelado!

Morte do amor...


O amor morre quase sempre de doença prolongada. Agonia extrema depois de meses de dura tentativa de sobrevivência. Mata-o a própria vida, a rotina, a falta de tempo, a ausência de cumplicidade, as escolhas, o desamor dos abraços que não chegam. Lutamos por ele, alimentamos-lhe o sonho, evitamos que morra até finalmente sentir o sopro do último suspiro e encarar a dura verdade. Já não há nada, nem amor. Morrer um amor é morrer parte de nós, admitir que o nosso melhor e a nossa boa vontade e esforço não foram suficientes para o salvar. Falhámos redondamente. Ninguém espera nunca falhar. Ninguém quer a morte de um amor. 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Dia de mim...



Dia de sofazar. Discovery Channel - Episódios de sobrevivência pelo Bear Grylls devorados sem parar. Locais inóspitos, inacessíveis, incríveis, condições extremas, o ser humano no seu limite. Lá fora a chuva caía. Tranquilidade, prazer, bem estar.
E a vida é bela...

nós é que damos cabo dela.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Meu doce Fevereiro...


Alpes Suíços - 2015  

Foi-se embora Janeiro. Búúú. O mês mau. Chegou Fevereiro e trouxe com ele os dias frios mas com sol, trouxe os amigos atentos a tudo o que se passa comigo para mais perto, ( tenho os melhores amigos do mundo, e os mais especiais também ). Valha-me isso e o quanto sortuda sou. Trouxe locais a descobrir. Vai trazer a minha semana anual na neve, esqui na montanha, pistas verdes e a boa sensação de descontracção, azuis e algumas vermelhas e a adrenalina de insistir - faz parte. Fins de tarde de imperiais, spa e água quentinha para relaxar e atenuar as mazelas do corpo e da alma, amigos, quedas e gargalhadas, noites brancas, dançar até o corpo suplicar por cama, mãos geladas, copo na mão. E mais amigos doidos varridos e muitas tentativas de iniciar o snowboard, rabo negro e dores musculares. 

Quero que o mês de Fevereiro me devolva o que fui, combinado com alegria e paz. Quero encontrar-me algures onde há tantos anos fiquei. Perdida por aí. E que eu me entenda. E esqueça tudo. E perceba de uma vez por todas que só me faz falta quem eu muito bem quiser.

E finalmente encerre de vez o Janeiro, morto há muito mas ainda sem funeral.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

É só uma torrada miúda...


Percebes que algo não está bem quando vais ao bar logo de manhã, pedes uma torrada, esperas calmamente por ela em frente ao galão e quando finalmente ao longe vislumbras um prato com uma torrada maravilhosa e estendes a mão para o segurar, o empregado diz que não é a tua, entrega-a a outra pessoa e afirma convicto que tens que esperar. No mesmo instante os teus olhos enchem-se de lágrimas e tu fazes um esforço hercúleo para não chorar.

Porra é só uma torrada. Não confundir com porrada. A porrada é que faz chorar.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Choque frontal.




Confesso que entre o caminho certo e o errado escolho sempre o errado para mim. Vá se lá saber porquê. Nunca percebi. Deve ser um problema de direcção desalinhada, ou malware do gps, coordenadas erradas, ler o mapa de pernas para o ar... Vou pelo caminho escolhido, pressinto o perigo, sinto a toda a hora o enorme risco, o frio do medo, mas vou sempre acreditando que o melhor está para vir, que até lá a estrada muda de contornos, atenua as curvas, o piso torna-se menos inclinado, o estômago desfaz o enjoo. Sou uma optimista sonhadora é o que é. Já que por experiência própria nada é o que é. Ando para aqui há semanas sem encontrar uma estrada de jeito que me leve de novo ao meu destino. Corrijo a rota depois do choque frontal. Sobrevivi, já não é mau. Trato das feridas.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Esperem sentados...


Texto da Rita Marrafa de Carvalho daqui
Que cases. Que te juntes numa cerimónia branca e imaculada, rodeada de família e amigos. Que tenhas filhos depois. Só depois. Esperam de ti, mulher, que saibas, no mínimo, estrelar ovos e que gostes de homens. Mas que sejas fiel. Ordeira e arrumada. Limpa e asseada. E que dês de mamar. Que sejas incansável na função de mãe, sem lágrimas ou dúvidas. Mãe que é mãe nunca se arrepende de nada. Nem de os ter. Nem do que faz. Nunca questiona os conselhos dos mais velhos.
Esperam de ti isso e mais. Que qualquer sensação de fraqueza é para erradicar do peito e da cabeça. Esperam que se te dizem que deves dar peito até aos dois anos, é para cumprir. Que se não sentes qualquer gozo nisso, és menos mãe. Menos capaz. Menos mulher. Esperam de ti um parto normal. Gaja que é gaja, tem parto vaginal. As outras são umas “meninas”. Esperam de ti a boçalidade da pré-história.
Esperam que tenhas os filhos sempre limpos e que lhes dês banho todos os dias após uma refeição sem fritos ou salsichas. Esperam que a roupa do homem com quem casas, porque é suposto gostares de homens, esteja passada a ferro. Que se não podes, contrata alguém.
Esperam que não haja vincos na tua camisola quando vais trabalhar todos os dias nem nódoas de ranho ou papa. Esperam que tires um curso. Que sejas “alguma coisa” mas que consigas ter a casa num brinco, sem pingo de pó ou brinquedos fora do sítio.
Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.
Esperam isso. Esperam mais. Que nunca adormeças maquilhada porque sujas a fronha da almofada. E que não te separes. Aguenta. É suposto aguentares porque tudo dá trabalho na vida. Por isso, é suposto esforçares-te. Pelos filhos. Por ti, não. Não carece. Por ti, não. E pela imagem. A imagem. E o que gastaram naquele casamento sumptuoso! Não. Aguenta, se faz favor. Pelos teus pais e pelos teus filhos. Esmera-te. É capaz de ser culpa tua.
Esperam isso de ti. E não convém falhares. Esperam que tenhas sempre a louça na máquina e a roupa estendida. Que a cama esteja sempre feita. Todos os dias. Esperam de ti pouco rasgo. Se pensares demasiado, vais questionar demasiado. Ser curiosa ainda vá. Reflectir é evitável. Não esperam que sejas uma grande intelectual ou que fumes charutos ou que gostes de brandy. Vais beber licor de café ou vinho do porto e fumar qualquer coisa com sabor a mentol. Esperam de ti a dignidade. Que aceites o assédio como um galanteio. Esperam que uses saltos altos todos os dias e que uses um perfume que enche o elevador. Esperam que sejas isto. E mais. Só não esperam que sejas feliz.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Domingo não faltei ao prometido...







Granja dos Serrões -  Lápias*
Lápias* são partes de fracturas nas rochas superficiais que se expandem através da dissolução da rocha, resultando em grandes canais que sulcam as rochas na horizontal ou na vertical, bem como campos de rochas de grandes dimensões, isoladas entre si e com diversos tipos de caneluras, franjas e furos superficiais.


We do not see things as they are, we see things as we are.

Anais Nin